Cristiano Ronaldo em lágrimas a ser consolado
Cristiano Ronaldo em lágrimas a ser consolado

Do sonho ao trauma: 22 anos de uma das maiores desilusões do povo português

A 4 de julho de 2004, Portugal, favorito a conquistar o Europeu em casa, perdeu com a Grécia, por 0-1

Passam 22 anos sobre o fatídico 4 de julho de 2004, data em que a Grécia, contra todas as expectativas, venceu a Seleção Nacional na final do Campeonato da Europa, disputada no Estádio da Luz. Um cabeceamento certeiro de Angelos Charisteas, aos 57 minutos, foi suficiente para destruir o sonho de um país inteiro e silenciar mais de 65 mil adeptos nas bancadas.

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Portugal, anfitrião do torneio, chegou à final como claro favorito. A equipa, orientada por Luiz Felipe Scolari, era uma mescla de talento que juntava a base do FC Porto, recente campeão europeu, a experiência de nomes como Luís Figo e Rui Costa, e a irreverência de jovens como Cristiano Ronaldo. O país uniu-se em torno da Seleção, com bandeiras nas janelas e uma escolta de milhares de pessoas a acompanhar a equipa desde Alcochete até ao estádio no dia da final.

O percurso até ao jogo decisivo foi marcado por momentos de pura emoção. Após uma derrota inicial precisamente contra a Grécia, Portugal superou a fase de grupos e eliminou a Inglaterra nos quartos de final, num jogo decidido nos penáltis. Ficou para a história a imagem de Ricardo a defender o remate de Darius Vassell sem luvas, antes de ele próprio marcar o penálti vitorioso. Nas meias-finais, um golo memorável de Maniche, de ângulo quase impossível, ajudou a selar a vitória por 2-1 sobre os Países Baixos.

Ricardo defendeu grande penalidade sem luvas
Ricardo defendeu grande penalidade sem luvas

Por sua vez, a caminhada da Grécia, treinada por Otto Rehhagel, foi uma verdadeira epopeia. Depois de vencer Portugal no jogo de abertura, qualificou-se para os quartos de final com apenas quatro pontos, superando a Espanha graças a um maior número de golos marcados. A partir daí, os helénicos surpreenderam a Europa do futebol ao eliminarem a França, campeã em título, com um golo de cabeça de Charisteas. Nas meias-finais, um golo de Dellas no prolongamento foi suficiente para afastar Chéquia, outra das favoritas.

Na final, o guião do jogo parecia confirmar o favoritismo português. A equipa das quinas dominou a partida, chegando ao intervalo com 61% de posse de bola e controlando as operações no meio-campo adversário. No entanto, a muralha grega manteve-se intransponível.

O onze de Portugal na final do Euro 2004: Miguel, Ricardo, Ronaldo, Pauleta, Jorge Andrade, Nuno Valente, Deco, Ricardo Carvalho, Maniche, Costinha e Figo. Paulo Ferreira, Rui Costa e Nuno Gomes saltaram do banco
O onze de Portugal na final do Euro 2004: Miguel, Ricardo, Ronaldo, Pauleta, Jorge Andrade, Nuno Valente, Deco, Ricardo Carvalho, Maniche, Costinha e Figo. Paulo Ferreira, Rui Costa e Nuno Gomes saltaram do banco
O onze da Grécia na final do Euro 2004: Zagorakis, Nikopolidis, Seitaridis, Kapsis, Basinas, Fyssas, Katsouranis, Giannakopoulos, Charisteas, Vryzas e Dellas. Venetidis e Papadopoulos saíram do banco
O onze da Grécia na final do Euro 2004: Zagorakis, Nikopolidis, Seitaridis, Kapsis, Basinas, Fyssas, Katsouranis, Giannakopoulos, Charisteas, Vryzas e Dellas. Venetidis e Papadopoulos saíram do banco

O momento que decidiu o encontro surgiu aos 57 minutos. Na sequência de um canto, Charisteas voou sobre Costinha e antecipou-se Ricardo, cabeceando para o único golo da partida. Apesar da pressão final de Portugal, o resultado não se alterou, e a Grécia, que tinha batido a formação lusa no início do torneio, repetiu o feito no jogo mais importante.

Festa grega após o golo de Charisteas
A festa grega depois do golo de Charisteas

As imagens do pós-jogo espelharam a desolação nacional. As lágrimas de um jovem Cristiano Ronaldo, então com 19 anos, tornaram-se um dos símbolos da derrota, assim como a imagem de Rui Costa a passar desolado pela taça, ao lado de Eusébio. Nas bancadas do Estádio da Luz e por todo o país... um povo desolado e desfeito. 22 anos depois, a memória daquele dia ainda dói no coração dos portugueses.

Adeptos visivelmente desiludidos (Arquivo ASF)

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