Do desemprego à seleção alemã... em dois anos: a ascensão de Younes Ebnoutalib
Há pouco mais de dois anos, Younes Ebnoutalib estava sem clube e sem saber quando surgiria a próxima oportunidade. Hoje, aos 23 anos, o avançado do Eintracht Frankfurt foi convocado, pela primeira vez, para representar a seleção alemã. Entre uma realidade e outra há uma ascensão vertiginosa, feita de portas fechadas, oportunidades agarradas e muitos golos.
A história teve um dos capítulos mais difíceis em Itália. No Perugia, onde chegou ainda jovem, Ebnoutalib viveu um período complicado, longe da família, com dificuldades de adaptação e pouco espaço na equipa principal. Chegou a ganhar apenas 800 euros por mês, enquanto 450 euros eram destinados à renda, e acabou por deixar o clube no final de 2023, ficando sem clube nos sete meses seguintes. De regresso à Alemanha, passou pelo FC Giessen, do quarto escalão, onde encontrou finalmente a estabilidade necessária. Em 20 jogos, marcou seis golos e fez três assistências.
A oportunidade seguinte apareceu no Elversberg. Chegou em janeiro de 2025 e o início foi discreto: apenas seis aparições na segunda metade da época. Mas a temporada seguinte mudou tudo. Ebnoutalib explodiu no ataque e terminou a primeira metade da época com 12 golos em 19 jogos, liderando a lista de melhores marcadores da Bundesliga 2. Foi aí que deixou de ser apenas uma promessa tardia para passar a ser um nome cobiçado.
O Eintracht Frankfurt não hesitou e avançou para a contratação em janeiro de 2026, pagando cerca de oito milhões de euros. O contrato foi assinado até 2031 e o salto do quarto para o primeiro escalão alemão ficou consumado em apenas um ano.
A adaptação ao grande palco acabou por confirmar tudo o que já tinha mostrado. Depois de uma primeira metade de ano condicionada por problemas físicos, Ebnoutalib começou a nova temporada em força e chegou à seleção alemã depois de um arranque fulgurante no Eintracht: cinco golos e duas assistências, em cinco jogos, números que ajudaram a colocá-lo no radar de Jurgen Klopp.
E foi precisamente Klopp quem acabou por ter um papel decisivo na escolha internacional. Ebnoutalib, nascido em Frankfurt e filho de pai marroquino e mãe alemã, podia representar as duas seleções e já tinha vestido a camisola de Marrocos nos sub-15. O avançado tinha, aliás, admitido anteriormente que estava disponível para qualquer uma das opções. Mas Klopp falou diretamente com ele e a chamada da Alemanha acabou por pesar na decisão.
A convocatória surgiu a 17 de setembro, quando Klopp incluiu Ebnoutalib no primeiro grupo de jogadores da sua nova Alemanha. Ebnoutalib vai, assim, viver agora um cenário que há pouco mais de dois anos parecia distante. O avançado que chegou a estar desempregado, depois de uma experiência difícil em Itália, passou pelo quarto escalão, explodiu no Elversberg, chegou ao Eintracht Frankfurt e convenceu o novo selecionador alemão. Uma ascensão construída passo a passo, mas que, de repente, ganhou velocidade de cruzeiro.
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