Semana europeia de luxo para Portugal. Foto Miguel Nunes
Semana europeia de luxo para Portugal. Foto Miguel Nunes

Dizer bem não vende muito, mas cá vai uma tentativa

Para país que tão maltrata o seu futebol e a si próprio, diria que o comportamento das equipas portuguesas na UEFA não envergonha ninguém. Às vezes não fazia mal um bocadinho de autoestima

A frase mais sábia que ouvi na quinta-feira, depois da épica noite europeia de quarta-feira, saiu da boca de um estimado amigo, jornalista com opinião (não é bem a mesma coisa que influencer, perdão): «Apesar de tão maltratado, o futebol português ainda consegue ter noites como esta.»

Pronto, assim já disse mal de qualquer coisa antes de dizer bem, o que parece ser condição sine qua non, cada vez mais, para captar a atenção do estimado leitor. Acontece que hoje me apetece falar bem de algo, e não está difícil de imaginar de quê.

Mas já lá vamos, que antes ainda se consegue mais uma buchinha de mal dizer, aliás com inteira pertinência: o Sporting viu-se a perder pela segunda vez em Bilbau porque Matheus Reis achou que estava a disputar o campeonato português, no qual um jogador de clube grande que seja duas vezes agarrado ao de leve por um jogador de clube menos grande dá direito a parar, fazer um ar aborrecido e exigir ao árbitro a faltinha da ordem. Na Europa não dá, aprendizagem feita (espera-se, até porque vai dar jeito nos oitavos de final, entre tubarões e peixes de águas profundas).

Benfica e Sporting, na quarta, foram bem seguidos por FC Porto e SC Braga, na quinta, e Portugal acabou por ter uma semana europeia de luxo, que pode muito bem ter valido o acesso, a partir de 2027, de três equipas à UEFA Champions League, onde quase tudo mexe e onde vale realmente a pena andar para compor orçamentos.

Já o tenho afirmado de quando em vez: o futebol português está longe de ser a desgraça que os seus próprios protagonistas parecem querer fazer crer, semana após semana, na lana caprina das questiúnculas locais. Perdem-se em acusações mútuas e mantêm espingardas constantemente dirigidas uns aos outros, a árbitros e a jornalistas. Volta e meia lá vem o argumento de mesa de café: «Depois querem ser competitivos lá fora.»

Pois bem — não só querem como são. Com orçamentos bastante inferiores qualificam-se para os oitavos de final da liga milionária ou batem adversários de outra dimensão pelos golos que são precisos e detalhes de cinema fantástico que correm Mundo. Na liga menos milionária , mas não menos digna, Portugal é o único país com mais que uma equipa apurada diretamente para os oitavos. Para país tão maltratado por si próprio diria,em bom futebolês, que já não é chita...