Di María: «Messi é melhor do que o Ronaldo porque tem um talento natural»
Ángel Di María concedeu uma longa entrevista à Bola de Ouro e abordou vários temas, incluindo a grande rivalidade entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, dois jogadores com quem teve o prazer de jogar e conviver, um na seleção da Argentina onde venceu o Mundial e outro no Real Madrid onde venceu a Champions.
O ex-Benfica explicou como se comparavam os dois. «O Cristiano era puro e constante trabalho árduo, dia após dia... Dava sempre o seu melhor para tentar igualar o Leo [Messi], que era todo talento natural, um dom divino. O outro (Cristiano) apostava no trabalho árduo constante para se equiparar a ele e também, por vezes, tentar ultrapassá-lo. É por isso que ele também ganhou tantas Bolas de Ouro», começou por dizer, afirmando que são os dois melhores de sempre.
«Houve uma altura em que se discutia se o Bola de Ouro deveria ir para quem ganhasse a Champions ou para quem marcasse mais golos do que o outro. Mais tarde, os dois ficaram muito equilibrados, cada um com os seus pontos fortes. Mas quando se trata de trabalho árduo, o Cristiano é de outro nível. Para mim, eles são os dois melhores da história nesta era, não são? Depois, há também o Maradona.. Mas, entre os dois, a diferença está no que um conquistou e no que o outro conquistou», atirou, garantindo que o compatriota é superior.
«Para mim, o Leo é melhor do que o Cristiano porque tem um talento natural. Não precisa de se esforçar constantemente para igualar ou superar alguém. Tive uma excelente relação com ambos e também lhes dei assistências. Foi algo único. A melhor coisa que me poderia ter acontecido foi jogar com duas pessoas que têm disputado a Bola de Ouro nos últimos 20 anos», explicou, admitindo que ambos podem vencer mais uma Bola de Ouro, se vencerem o Mundial 2026 e tiverem protagonismo.
«Bem… é normal… [agora não existir uma rivalidade como a deles pelo prémio]. No fim de contas, já não há nenhum Messi nem nenhum Cristiano. Isso acabou. Para mim, não haverá uma rivalidade tão grande como aquela. É por isso que acho que, se algum deles ganhar o Mundial ou tiver um papel de destaque, tem boas hipóteses de a vencer», completou.
Importância de José Mourinho
Di María foi desafiado também a comentar a importância de José Mourinho para a sua evolução enquanto futebolista e o próprio admitiu isso mesmo, que não se teria tornado quem é se não fosse treinado por ele no Real Madrid, após sair do Benfica.
«Tudo o que sou hoje, a Europa deu-me ao longo dos anos. Aprendi a jogar com os melhores e tendo os melhores treinadores, que te levam ao limite. Jogar em competições importantes como a Champions ajuda-te a crescer muito. Tornei-me quem sou graças aos jogadores que tive ao meu lado e também graças ao Mourinho, que foi quem me apoiou numa altura em que as coisas não estavam a correr bem para mim», disse, mencionado também de Maradona.
«Fui ao Mundial 2010 ainda jovem, com o Diego Maradona, que também me apoiou até ao fim, mas as coisas não correram como eu queria... Mourinho, no final, defendeu-me. Ele queria que eu fosse [para o Real Madrid] de qualquer forma, acreditava que eu teria um bom desempenho... E tudo correu bem. Acabei por ter um desempenho de muito alto nível. A partir daí, comecei a crescer», contou, sendo que, após uma breve passagem no Manchester United, brilhou no PSG.
Dupla Vitinha e João Neves
Por fim, Di María abordou também o tema Mundial 2026, considerando que Portugal é candidato e muito por causa da dupla lusa parisiense.
«Recentemente, várias seleções entraram na corrida graças aos jogadores que surgiram. A França é uma das candidatas, porque continua a formar jogadores e mantém-se num nível elevado. E acho que a Espanha também pode dar nas vistas, está em grande forma, embora tenhamos de ver como se vão sair alguns dos jogadores lesionados», começou por dizer, avançando para a seleção portuguesa.
«Portugal é outra seleção com bons jogadores... Com João Neves e Vitinha, que trazem um toque diferente ao jogo e fazem a diferença. Há três ou quatro equipas que estarão na disputa», atirou.