Quinta-feira, Benfica a sério
Na próxima quinta-feira, na Suíça, o Benfica começa a época oficial de 2026/27 com um compromisso prévio (se tudo correr bem aos encarnados ainda terão mais dois, num total de seis jogos), rumo à fase de grupos da Liga Europa.
Houve duas improbabilidades, que se concretizaram, na caminhada da equipa de Mourinho na temporada passada, a primeira foi uma arbitragem adversa em Famalicão, que colocou o Benfica num patamar que certamente não esperaria (e o que vai acontecer ao árbitro, que comprovadamente mentiu no relatório de jogo, e vem agora insurgir-se contra a APAF por não lhe ter dado ainda maior cobertura, quando a questão de fundo é outra: cada vez que entrar em campo, haverá algum clube que acredite nele? Esta é a situação em que se perde a condição de ser juiz seja do que for, e parece que ninguém está a valorizar devidamente…), a segunda, a vitória histórica do Torreense (parabéns reiterados e muita sorte na UEFA!) sobre o Sporting na final da Taça de Portugal, que atirou o Benfica para a necessidade de fazer meia dúzia de jogos europeus com que não deveria estar a contar.
Marco Silva, que estaria à espera de uma resposta mais pronta dos dirigentes encarnados às necessidades da equipa, perante um quadro em que o Campeonato do Mundo entrou na equação, fez o coletivo crescer do encontro (musculado) com o Flamengo, para a partida com o Villarreal, e enfrenta o St. Gallen com os melhores argumentos de que dispõe, em muitos casos fazendo limonada com os limões que tem à disposição.
O Benfica, que não vive no desafogo de outrora - e se calhar, por isso, está a ser mais lento, por mais criterioso, nas escolhas - acertou em cheio quando convenceu Marco Silva a trocar a Premier League pela Liga portuguesa. Mas o treinador não joga, potencia, quanto muito, jogadores, e neste momento da época Marco está a caçar, à falta de cão, com gato, na esperança de, um dia destes, ter à disposição o plantel que lhe foi prometido. Quando se fizer a história desta pré-temporada dos encarnados, chegar-se-á à conclusão de que o Benfica fez a preparação da época recorrendo a jogos internacionais de elevada responsabilidade. O que é o mesmo que andar no arame sem rede. Sem querer parecer arauto da desgraça, espero bem que todas estas circunstâncias sejam chamadas à colação quando forem pedidas contas pelo arranque da época. Porque, mesmo que este ‘desenrascanço’ inicial venha a correr bem, haverá sempre uma fatura a pagar, lá para novembro ou dezembro, que não deve chegar à caixa de correio (ou email…) de Marco Silva.
De forma sumariada, gostava de dizer que o FC Porto tem feito uma evolução na continuidade serena e competente, sem grandes alardes mediáticos, mas reforçando a equipa onde precisa, e criando condições para o aprofundamento do método de Farioli, enquanto que o Sporting, que está a mexer estruturalmente na base, corre riscos quiçá superiores aos que está a antecipar. Aceitando que, nuns casos, as saídas eram inevitáveis, e noutros eram aconselháveis, o que vai ser pedido a Rui Borges está muito para lá do que o treinador foi chamado a entregar, em Alvalade. Admito que, depois de ver os novos jogadores e o encaixe que o técnico apresentará, possa mudar de opinião. Para já, apenas identifico o risco…
CARTAS
ÁS
Tadej Pogaçar
Depois de ter tido o privilégio de ver Eddy Merckx (que entrevistei!) nunca me passou pela cabeça testemunhar o advento de outro ‘canibal’. Pogaçar já não compete contra o resto do pelotão do Tour, a meta dele é a história, porque não se trata de ganhar, mas sim de como se ganha…
REI
Gianni Infantino
Haverá quem goste do prémio que, antes do Mundial, deu a Trump? Muito poucos. Ou que aceite de bom grado a cunha que o presidente dos Estados Unidos lhe meteu? Raros, serão. Mas o Mundial foi um sucesso desportivo e financeiro, e o presidente da FIFA tem a reeleição no bolso…
DUQUE
Gustavo Correia
Este árbitro, depois de se desvincular da APAF, representa o cúmulo do indesejável: alguém que faz do corporativismo uma forma de estar, depois de ter sido desmascarado, pelo Conselho de Disciplina da FPF, que até usou, com ele, critérios incompreensivelmente brandos. Um fardo…
FOTOLEGENDA
NORUEGA. A seleção da Noruega fez um excelente Mundial, em todas as frentes. No âmbito desportivo superaram as expetativas, batendo-se que nem heróis por uma presença nas meias-finais, que acabou por fugir-lhes por muito pouco. E que dizer dos adeptos, em sintonia perfeita com a equipa, com todos a remarem na mesma direção, cativando a atenção dos norte-americanos, que desconheciam que tal ligação existia? Finalmente, apesar de não terem passado dos melhores oito, tiveram direito a uma receção de heróis, mostrando ao Mundo que é possível ter uma abordagem sã ao futebol, valorizando sem alienar, agradecendo, sem cobrar…
CAPA
Zidane contra os egos, o que se segue
Afinal de contas, a final B do Mundial sempre serve para alguma coisa. Por exemplo, para Portugal, a vitória, em 1966, sobre a URSS, valeu à Seleção Nacional a melhor prestação de sempre em Campeonatos do Mundo. Já para a Inglaterra, que depois de vencer em 1966, voltou a um pódio em 2026, foi um bálsamo para o orgulho ferido frente à Argentina. Quanto à França, venha ‘Zizou’, para acabar com a guerra dos egos...