Di María elogia Mourinho e não escolhe entre Benfica e Real Madrid: «Não consigo...»
Aos 37 anos, Ángel Di María regressou à Argentina para vestir a camisola do seu Rosario Central, depois de duas épocas no Benfica. Em semana de duelo entre Benfica e Real Madrid, para a última jornada da fase de liga da UEFA Champions League, o campeão do Mundo pela Argentina recordou a chegada a Portugal, em 2007/2008, e a mudança, anos mais tarde, para o Bernabéu.
«Fui vivendo o dia a dia até que, no meu terceiro ano em Portugal, explodi e comecei a receber propostas dos maiores clubes da Europa. Quando apareceu o Real Madrid, era óbvio que eu não podia dizer não. É o maior clube do Mundo e foi um privilégio poder ir para lá. Foi um desafio maravilhoso, porque alcancei o nível mais alto que um jogador pode atingir num clube», referiu, em entrevista ao AS.
«Significou tudo. Mourinho é o número um, longe dos restantes, como pessoa e treinador, por aquilo que dá ao jogador, equipa e clube. A mim deu-me tudo e estarei sempre agradecido a Mourinho. Deu a cara por mim para que fosse para o Real Madrid depois do Mundial 2010, que não foi bom em termos de rendimento pessoal. Apoiou-me para que estivesse ao seu lado», lembrou, virando o foco para o encontro entre Benfica e Real Madrid para a Champions.
«O meu coração? Nesta situação fica no meio (risos). O Real Madrid está quase qualificado e o Benfica tem a situação mais complicada, mas não consigo escolher. Fui muito feliz nos dois sítios e não posso escolher. Que seja o que Deus quiser», atirou, falando sobre Arbeloa, que sucedeu a Xabi Alonso no Bernabéu.
«Não é fácil a pressão que se coloca no Real Madrid. Há pouca paciência num clube tão grande e querem resultados rápidos, mas Xabi Alonso é um grande treinador. Arbeloa não sei como é como treinador. É um grande rapaz, gostava dele e tínhamos uma boa relação. Não começou bem, mas deu a volta por cima e acredito que as coisas podem correr bem com ele», comentou.
«A nível do profissionalismo, o Cristiano é o número um de longe. A forma de trabalhar, de tentar ser sempre o melhor lutando com o Leo era muito meritório, mas coincidiu com a era de Messi e isso complicou bastante o seu objetivo... O Cristiano era tudo à base do trabalho e do esforço por ser o número um, mas o Messi, a beber mate no balneário, demonstrava que tinha um dom que Deus lhe deu para ser o melhor», afirmou, assumindo que lhe custou deixar o Real Madrid: «Não queria, tentei ficar até ao último dia.»
A nível do profissionalismo, o Cristiano é o número um de longe
Dos troféus conquistados na carreira, Di María não consegue escolher um, embora destaque a conquista do Mundial no Qatar.
«Não consigo escolher. Há alguns mais importantes, como o Mundial, mas cada um é o sacrifício de todo um ano e significava que fazíamos as coisas bem. Mas não posso menosprezar nenhum. Algum especial? A Copa América em 2021. Ganhámos depois de uma seca de 28 anos e foi um desbloquear para mim, porque as coisas corriam bem nos clubes, mas na seleção não conseguia. Depois de andar com uma mochila tão pesada aos ombros, vencer aquela final com o Brasil com um golo meu foi um dos momentos mais lindos da minha carreira. Mundial? Completei um ciclo, conquistei tudo o que desejava, agora é a vez dos outros. Depois do Mundial já tinha tomado a minha decisão e os rapazes convenceram-me a disputar a última Copa América. Terminou o filme, sendo campeões, e era o meu momento. Agora toca a outros», apontou.
Para o futuro, Di María admite ser treinador e formar dupla com... Paredes: «Quando me retirar, vou-me concentrar em continuar a treinar e esperar que ele termine a carreira. Vou levar a vida com calma. Mourinho? Vou tentar ser eu mesmo, assim como enquanto jogador. Nunca quis ser como ninguém e será o mesmo como treinador.»
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