«Dei ao pai de Messi um rascunho do contrato. Esperei uma semana, duas, um mês...»
O ex-presidente do Barcelona e atual candidato a um novo mandato, Joan Laporta, faz novas e interessantes revelações dos bastidores do clube durante o seu último mandato à frente dos catalães no livro Assim Salvámos o Barça, colocado à venda esta terça-feira. Além da situação económica caótica que encontrou, partilhou informações sobre a saída de Messi do clube.
«Durante as negociações para a renovação do seu contrato, ele tinha uma equipa bastante exigente. Embora o pai demonstrasse maior compreensão, o seu círculo próximo dava a impressão de que não era assim. Inventámos uma solução ousada: um contrato de longo prazo que incluía uma primeira fase como jogador do Barça e uma segunda por empréstimo numa equipa da MLS. Parecia uma forma de contornar as regras da LaLiga. No entanto, disseram-nos para esquecer, pois teríamos de assinar um acordo para vender uma percentagem dos direitos televisivos por cinquenta anos através de um fundo chamado CVC», explica.
Houve também a possibilidade de regressar após passagem pelo PSG: «Jorge Messi veio a minha casa, preparei o contrato, enviei-lhe o rascunho e não obtive resposta. Passou uma semana, duas... um mês depois, ele veio novamente a minha casa e disse-me que tinham decidido ir para o Inter Miami, onde não estaria sujeito a tanta pressão.»
Outro dos assuntos foi a demissão de Ronald Koeman. «Ronald veio ter comigo, juntamente com o seu agente, Rob Jansen, e perguntou-me: 'Sou o teu treinador?'. Eu respondi-lhe: 'Ronald, para mim és uma lenda, chorei em Wembley, mas tenho de te dizer-te que não és'. Ele não aceitou nada bem», recordou.
A separação de Xavi foi outro dos temas. «Víamos que havia deficiências na preparação física (...) No entanto, no final da época, ele disse-me que queria ficar, embora já tivéssemos anunciado que ele ia sair. Disse-mo naquele jantar em minha casa, de que tanto se falou, onde pedimos sushi, como se fôssemos pedir costeletas de borrego. Lá perguntei-lhe se acreditava na equipa que tinha, e ele respondeu-me: 'Vou torná-la campeã a 100%'», contou.
«Embora achasse que ele deveria ter procurado o conselho de alguém mais profissional, disse-lhe que ficaria mal perante todos, mas que cederia e o faria por ele: 'Tu és o Xavi e amas o Barça'. Mas alguns dias depois, ele fez declarações de que não seríamos competitivos nos próximos dois anos. Liguei-lhe e disse-lhe que não estávamos a fazer as coisas bem. Eu estava num hospital em Barcelona, internado com uma falsa pneumonia, e ele disse-me que queria ver-me. Chegou disfarçado, com um chapéu, e disse-me que acreditava na equipa e que tudo podia mudar. Mas no dia seguinte, disse a Deco que tínhamos de mudar muitos jogadores. Então disse-lhe que estava feito, e encontrámo-nos na cidade desportiva; éramos eu, Rafa Yuste e Deco, e dissemos-lhe que lamentávamos, mas que não podíamos continuar assim», acrescentou.
Sobre o caso Negreira, a maior polémica do futebol do país vizinho, apontou o dedo ao Real Madrid: «Convido todos aqueles que nos acusam de corrupção arbitral com tanta facilidade e frivolidade a apontar um jogo específico, um golo, uma situação de jogo ou uma ação duvidosa a nosso favor que tenha ocorrido como resultado dessas consultas técnicas. Durante setenta anos, membros, ex-jogadores ou ex-diretores do Real Madrid nomearam os árbitros para fazer justiça em campo em cada jogo. Este foi, sem dúvida, o maior escândalo da história do futebol espanhol!»
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