As condições meteorológicas adversas, marcadas por chuva torrencial e granizo, ditaram a anulação da terceira etapa da Volta a Espanha, que ligava Gruissan-Aude a Font Romeu, nos Pirenéus franceses.

De 40 graus a 6 numa hora e pedras de gelo: corredor conta inferno de etapa anulada na Vuelta

Chuva torrencial obrigou a anular etapa de segunda-feira nos Pirenéus

A terceira etapa da Volta a Espanha de 2026 foi anulada na segunda-feira, a cerca de 15 quilómetros da meta em Font-Romeu, devido a uma tempestade de granizo que se abateu sobre o pelotão nos Pirenéus Orientais, uma mudança de tempo drástica em relação ao arranque da tirada que tinha começado em Gruissan e devia ter tido 108km. Os corredores foram forçados a parar e procurar refúgio de emergência para escapar às condições meteorológicas extremas.

O que começou como um dia de calor intenso, com temperaturas a rondar os 40 °C, transformou-se rapidamente num cenário caótico. Em poucos minutos, o céu desabou sobre os atletas, com a temperatura a cair drasticamente para 6 ou 7 °C. Julien Bernard, ciclista da Lidl-Trek, descreveu a situação ao jornal Ouest-France como «as quatro estações em menos de uma hora».

«Foi como viver as quatro estações em menos de uma hora. Começámos a última subida com quase 40 °C e terminámo-la com 6 ou 7 °C, quando nos refugiámos. Nunca tinha vivido uma intensidade de granizo assim. Foi realmente insuportável», relatou.

O ciclista francês relatou a intensidade do fenómeno explicando que a situação se tornou insustentável. «A certa altura, o granizo começou a aumentar de tamanho e, quando chegámos ao topo, as pedras de gelo tornaram-se muito grandes», afirmou. «Durante o último quilómetro da subida, era muito, muito doloroso. Levávamos com bolas grandes de gelo em cima de nós. Doía-nos nas costas, nas mãos, nos dedos, na cabeça. Tínhamos dores por todo o lado. Não podíamos aceitar aquilo». Viram-se obrigados a procurar abrigo em beiras de edifícios, árvores ou até chapéus de chuva de espectadores.

Levávamos com bolas grandes de gelo em cima de nós. Doía-nos nas costas, nas mãos, nos dedos, na cabeça. Tínhamos dores por todo o lado. Não podíamos aceitar aquilo

O agradecimento de Julien Bernard, ciclista da Lidl-Trek

Paul Ourselin, da Cofidis, corroborou a descrição, em declarações à RMC Sport. «Foi tudo muito rápido. Em cinco minutos, a tempestade chegou. De repente, começou a cair granizo forte. Não se via nada e o granizo fustigava. Era perigoso, por isso é normal que a etapa tenha sido interrompida», explicou, acrescentando que a descida seria impossível devido à estrada escorregadia e a alguns deslizamentos de terra.

Perante o caos, o pelotão encontrou abrigo num hotel em Mont-Louis, habitualmente reservado a membros do Ministério do Exército e suas famílias. O IGESA Village Club Les Sorbiers acolheu os cerca de 180 ciclistas, fornecendo-lhes quartos, bebidas quentes e comida, toalhas e duches.

Já recuperados, os corredores e as equipas acabaram por retirar o melhor da experiência, inundando as redes sociais com avaliações de cinco estrelas ao hotel.

Julien Bernard não poupou elogios à hospitalidade recebida. «Agradeço-lhes porque nos acolheram como se tivéssemos uma reserva para 180 pessoas há duas semanas e tivessem tudo previsto», disse. «O que fizeram por nós foi incrível. Merecem ter uma partida de etapa à sua porta».

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