Diogo Dalot a representar Portugal no Mundial 2026
Diogo Dalot a representar Portugal no Mundial 2026

Dalot: «Portugal está a tornar-se cada vez mais reconhecido a nível mundial»

Lateral reagiu à prestação da Seleção Nacional no Mundial 2026, comentou o início de temporada no Man. United e afirmou que deixar o FC Porto ainda jovem foi a «decisão correta»

De fora do onze titular no primeiro jogo oficial do Manchester United esta temporada, Diogo Dalot viu a sua equipa a perder por 0-2 em casa do Hull City (entrou aos 80'), mas depois foi titular na goleada caseira ao Ipswich (5-2) e no empate a duas bolas com o Everton em Liverpool. O internacional português comentou este arranque de época, em entrevista à DAZN.

«A grande vantagem que tivemos na época passada foi termos deixado uma imagem muito positiva, criando expetativas entre os adeptos e também em nós próprios de que, este ano, podemos competir. Obviamente, quando se tem essas expetativas e depois se começa da pior maneira é decepcionante, especialmente para os adeptos. No futebol, ganhar e perder fazem parte do jogo, mas estamos num clube onde isso não pode tornar-se a norma. O Manchester United foi construído para disputar e vencer troféus, e sabemos que, para estarmos aqui, temos de ganhar o maior número possível de jogos», começou por dizer, abordando o desaire com os recém-promovidos.

«Por vezes, terminamos a pré-época a sentir-nos confiantes e depois as coisas começam mal. Isso não significa necessariamente que tenhamos feito um mau trabalho ou que as coisas não venham a correr bem. Penso que se trata também de tentar compreender o jogo: o que correu mal, o que poderíamos ter feito melhor. Muitas vezes, o resultado esconde muitas das coisas que, na verdade, fizemos bem durante o jogo. Mas o futebol é assim, e isso faz parte de jogar num grande clube como o Manchester United. As pessoas vão olhar para o resultado, e o que fizemos durante o jogo torna-se menos relevante. O que importa, obviamente, é a vitória. Mas o que há de bom no futebol é aquilo que digo sempre: há sempre outra oportunidade para melhorar e corrigir as coisas que não fizemos tão bem», explicou, apontando à conquista de títulos.

«Cada jogador tem de fazer essa autoavaliação e compreender o que precisa de sacrificar este ano para chegar a maio e continuar a disputar todos os troféus. É preciso fazer escolhas, seja a nível pessoal, seja a nível profissional. Pode significar estar menos com a família para estar mais tempo no campo de treino a recuperar, ou o que quer que seja. Trata-se de criar essas rotinas todos os dias, porque assim que se entra num calendário em que se joga de três em três dias, torna-se difícil. Mas é isso que queremos: jogar na Liga dos Campeões, estar em Wembley, disputar finais de taças e chegar a maio a disputar o título da Premier League. Estamos a criar um bom ambiente dentro do grupo, um plantel forte, e acredito que conseguimos lidar com este calendário e acumular estes jogos, tendo sempre boas opções dentro do plantel», garantiu.

«Deixar o FC Porto foi a decisão correta»

Dalot caminha para a oitava temporada na Premier League - esteve um ano emprestado ao Milan - e recordou o momento em que decidiu deixar o seu clube de formação, o FC Porto, para ser reforço de José Mourinho em Manchester, por 22 milhões de euros. «Cheguei aqui, sofri uma lesão e isso colocou tudo em causa: se tinha sido a decisão certa, se iria correr bem ou não. Quase nove anos depois, quando olho para trás, vejo que foi a decisão certa. Acho que na vida temos de ter sempre a coragem de não ter medo de correr riscos e de ter ambição. E acho que, naquele momento, foi importante para mim dar um grande passo (sair do FC Porto), mas também o passo certo», disse.

«Sei que isso fez de mim um jogador mentalmente mais forte, porque passei por muitos momentos difíceis, especialmente aqui. Acabei por passar quase toda a minha carreira profissional no United, longe do meu país, no campeonato mais difícil do mundo. Acho que isso proporciona experiências e também traz maturidade emocional e profissional, porque qualquer jogador que passa por esses momentos desenvolve a capacidade de lidar mais tarde com situações como esta - quando se criam expectativas e as coisas não acontecem exatamente como se quer, mas se consegue reagir de forma mais equilibrada», acrescentou.

Por fim, o lateral de 27 anos reagiu à prestação da Seleção Nacional no Mundial 2026, em que foi eliminada pela campeã do mundo Espanha nos oitavos de final (0-1, golo de Merino ao cair do pano). «A seleção de Portugal está a tornar-se cada vez mais reconhecida a nível mundial, uma equipa de altíssimo nível graças à qualidade individual de que dispomos. O grande desafio agora é transformar essa qualidade individual em qualidade coletiva», justificou.

«Penso que, nos últimos anos, demonstrámos que somos capazes de competir e de vencer qualquer seleção. Mas em competições como um Mundial ou um Europeu, é sempre necessário algo mais do que a qualidade individual. Juntos precisamos de encontrar essa peça que falta, e acredito sinceramente que, nas próximas competições, poderemos estar lá para fazer com que os portugueses se orgulhem mais uma vez do que temos vindo a fazer. Mas, como digo sempre, a qualidade individual, por si só, não ganha competições. Temos de encontrar a melhor forma de reunir a qualidade que temos em todos os jogadores e transformá-la numa equipa coletiva forte, capaz de competir», concluiu.

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