Marco Silva comentou triunfo caseiro (3-1) diante do Aarhus, que coloca as águias muito perto da fase de liga da UEFA Europa League

Da importância de «acreditar» ao número de telefone de Palhinha: tudo o que disse Marco Silva

«Não há lugares cativos», mas há espaço para elogios a exibições de unidades encarnadas. «20 segundos» não apagaram «vitória totalmente justa»

Marco Silva analisou, em conferência de imprensa, a vitória do Benfica diante do Aarhus (3-1), na primeira mão do play-off de acesso à fase de liga da UEFA Europa League.

— Que análise é que faz ao jogo?

— Uma vitória totalmente justa da nossa equipa e que teria de ser por números maiores, com o nosso caudal ofensivo e as oportunidades que criamos. Entrada muito forte, como queríamos e pedimos aos jogadores para terem, e conseguimos marcar muito cedo por mérito nosso, da forma como conseguimos ser articulantes desde o primeiro minuto, marcar cedo e criar boas situações depois. A primeira parte é de muito bom nível só fica beliscada por 20 segundos em que corremos riscos que não devíamos ter corrido a ganhar por 2-0. Era só continuarmos a fazer a bola andar rápido como tínhamos feito até então. Fizemos três golos, uma grande exibição do guarda-redes adversário e com muito mais oportunidades para fazer mais golos na primeira parte, quer em jogo jogado, jogo aberto, quer nas bolas paradas. O resultado fica feito na primeira parte. A segunda parte foi um pouco diferente, o adversário praticamente abdicou de nos pressionar no meio-campo, baixou praticamente nos últimos 30 metros defensivos a perder 1-3, quis levar o jogo para o segundo jogo. Tivemos algumas oportunidades na segunda parte, mas não com aquela frescura que jogámos a primeira. Na minha opinião sentiu-se um pouco termos jogado na última segunda-feira e depois algumas alterações que fomos fazendo não surtiram tanto efeito. Mais uma vez, uma atitude muito boa desde o primeiro minuto, a pressionar, a jogar, a ter qualidade, a ter uma reação ao nível daquilo que pretendíamos também. E uma segunda parte não tão boa, mas uma exibição de forma geral positiva com uma primeira parte de grande nível

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— O Aursnes regressou num jogo em que tanto o Enzo Barrenchea como o Barreiro estiveram a bom nível. Qual deles é que vai colocar no banco quando tiver de meter o Aursnes no onze? Vi ser uma decisão difícil de tomar?

— Disse tudo quando falou da exibição do Enzo e do Leo. Hoje, no momento defensivo, alteramos um pouco o posicionamento do Leo — não em bloco muito alto, que foi praticamente igual no nosso posicionamento inicial de 4-4-2 sem bola, mas, num bloco mais médio, alterámos um pouco pelo posicionamento do Enzo e taticamente fez um jogo de muito bom nível e depois com bola também esteve ao nível do que tem vindo a fazer, está a melhorar, a crescer claramente com o tempo, portanto um bom jogo. O Leandro tem uma capacidade tática muito grande e depois capacidade de chegar à área, de estar nos momentos decisivos quando a bola vem do lado contrário ou quando procuramos pelo lado direito. Muito boa exibição dos dois, o Leandro um pouco mais cansado na segunda parte e com amarelo. Daí a alteração que fizemos um pouco mais cedo, porque havia o risco do cansaço, ao intervalo falámos um pouco com ele e depois já com o amarelo não quisemos correr riscos nesse aspeto. Vão ter de esperar qual será o onze na próxima quinta-feira e assim sucessivamente.

— O Circati já é oficial e descreveu-se como um jogador agressivo. Hoje voltou-se a ver menos agressividade no golo do Aarhus. O Circati tem condições para, a curto-médio prazo, lutar pela titularidade com o Tomás Araújo e com o Lenglet?

— Dois pontos. Em relação ao Circati, se não tivesse qualidades para lutar por um lugar na equipa do Benfica não estaria aqui. Nós quando contratamos jogadores temos isso como objetivo e disse que era importantescontratarmos para melhorar o que nós tínhamos. Temos vindo a jogar com o Tomás e com o Lenglet e precisávamos de contratar um central que tivesse a qualidade para poder jogar na equipa do Benfica. Naturalmente vai ter o seu tempo de adaptação, estava num campeonato que normalmente é difícil para os defesas. Têm princípios e qualidades defensivas boas também, mas, com todo o respeito, uma coisa é estar no Parma, outra é estar no Benfica pela dimensão, independentemente de ter estado num campeonato físico e complicado para os defesas e para os avançados também. Parece-nos e temos a confiança que ele se irá adaptar o mais rápido possível e depois, estando adaptado, está aqui para lutar pelo seu espaço. Em relação à primeira parte da questão, sei que cometemos um erro, não me parece que tenha acontecido por falta de agressividade. Posso-lhe descrever o golo e aquilo que aconteceu na minha opinião: um momento em que temos bola e perdemos uma bola que não podemos perder. Falar daquela bola que perdemos como falta de agressividade não me parece que tenha muito a ver com isso e depois há um corte infeliz dentro da área. Talvez na situação do Tomás no corredor podemos falar de agressividade, agora nno momento em que perdemos a bola, não tem nada a ver com falta de agressividade, é um momento em que não podemos correr aquele risco. Não me parece que tenha sido tanto esse aspeto. Sei que tem-se falado muito, mas, naquele momento, não me parece tanto que tenha acontecido isso.

— O que achou da exibição do Sudakov? O facto de voltar a não assistir ou marcar preocupa-o?

— Entendo a questão dos números e de ter impacto, é o nosso terceiro médio, o jogador do meio-campo que joga numa zona mais subida. Quando temos o caudal ofensivo temos tido em praticamente todos os jogos, ele sabe que tem de ter mais impacto em termos de golos ou assistências. Essa é a sua função também e nesse aspeto não há como não concordar com aquilo que me disse. Penso que fez um jogo positivo, sinceramente, não querendo estar muito só a falar de um jogador. Sei que têm falado muito sobre a questão do Sudakov. Não há aqui lugar cativo para ninguém, nada disso. É um jogador que tem características próprias e que, para terceiro médio naquilo que nós queremos, não temos muitos jogadores com aquelas características no nosso plantel e naturalmente precisa de confiança. Mas esqueçam lá a questão do lugar cativo que irá jogar sempre. Tem a ver com as exibições, com o rendimento ao nível do treino e do jogo. Hoje considero a exibição muito positiva. Sem bola, em alguns momentos, acabou por ser quase o segundo médio com a posição que eu falei há pouco, com o posicionamento do Enzo um pouco mais recuado e, por exemplo, se tivermos Prestianni ou Rafa naquele posicionamento não são capazes de fazer o que fizemos hoje com o Sudakov como segundo médio. Estamos aqui por todos os jogadores dentro daquilo que é o nosso plano para o jogo e daquilo que queremos para o jogo. Em momentos que pressionamos normalmente em 4-4-2, o Rafa faz e muito bem - por falar no Rafa, uma excelente exibição esta noite. Hoje o plano era um pouco diferente no nosso posicionamento sem bola e para termos um médio ofensivo e um segundo médio sem bola, não temos muitos jogadores com essas características além do Sudakov, do Fredrik ou do Leandro que já fez também no passado.

— Voltou a sentir a alegria dos adeptos depois do jogo com o Académico e sentiu-se que a Luz está alegre. Depois das últimas exibições que entusiasmam os adeptos, acha que o João Palhinha, depois deste jogo, ainda está mais entusiasmado para jogar mo Benfica?

— Terá de lhe ligar, não faço ideia, se tiver o número dele pode ligar-lhe. Não faço ideia de como é que ele se está a sentir ou sentiu. Não vou estar a falar de jogadores que não estão no Benfica neste momento. Em relação aos adeptos, é o mais importante. Nós temos de fazê-los acreditar, é a nossa obrigação, com resultados que acabam por ser o mais importante no futebol. Sabemos que quando eles não estiveram connosco, infelizmente para nós, Benfica, e para este grupo de trabalho porque merecíam ter o primeiro jogo do campeonato em casa com o estádio cheio. E o nosso adversário também o merecia sinceramente. Não tivemos e não foi por aí que não ganhamos o jogo, fivemos uma exibição muito boa, merecíamos algo mais e por erros nossos não o conseguimos fazer. Mas isto é futebol, o futebol tem de ser jogado com adeptos no estádio. Agradecer-lhes mais uma vez. Senti o estádio sempre com a equipa, mesmo em alguns momentos da segunda parte em que o jogo não foi tão intenso da nossa parte. Compreenderam o estado da equipa e nos últimos 10 minutos acreditaram outra vez que tínhamos que fazer o quarto golo e puxaram ainda mais pela equipa. Agradecer-lhes por isso. Jogamos para eles, envolvê-los no jogo é o mais importante. Eles são a alma deste clube e nós precisamos deles.

— Chamou Leo ao Leandro Barreiro. É uma alcunha?

— Chamo-lhe Leandro Barreiro. É mais como no balneário lhe chamam e eu acabo por ir na conversa.

— Pode admitir que vai haver uma reformulação na hierarquia de capitães no plantel do Benfica se chegar um outro reforço?

— Não.

— Tem noção da esperança que está a dar aos adeptos benfiquistas?

— Nós temos de fazê-los acreditar. Se não os fizermos acreditar que estamos num bom caminho, não estamos a fazer o nosso trabalho. Os resultados são o mais importante, mas além dos resultados há coisas que são fundamentais para eles reconhecerem na equipa e naquilo que é a nossa ambição, o nosso desejo de fazer as coisas bem, de ganhar e de fazer com que o Benfica jogue um futebol e que tenha uma identidade clara. Essa é a nossa obrigação. Não vai ser sempre perfeito, não vai ser sempre como gostaria, tão bom como foi a primeira parte, vamos tentar que seja sempre assim. Os adversários também jogam. O adversário de hoje colocou-nos algumas dificuldades diferentes dos outros dois adversários com quem que jogámos na Liga Europa. Em alguns momentos praticamente abdicou, mesmo a perder 3-1,de jogar pelo menos em 50 metros, jogou em 30. E nós vamos ter que ter a capacidade depois de procurar outros caminhos, ser pacientes, termos a acutilância e a intensidade que o jogo nos vai obrigar. Mas é bom sentir que eles estão a acreditar porque é esse o nosso trabalho. Temos de puxar os adeptos para nós e fazê-los sentir que estamos num caminho que lhes agrada. Com eles do nosso lado somos muito mais fortes.

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