Max Verstappen no Grande Prémio do Japão     Fotografia Imago
Max Verstappen no Grande Prémio do Japão Fotografia Imago

Coulthard surpreendido por Verstappen não ter sido multado

Britânico estranha, ou talvez não, por considerar que os pilotos têm muito poder no 'paddock', que o neerlandês da Red Bull, que é dos que mais se tem oposto ao novo regulamento, não tenha sido penalizado por ter dito um palavrão durante uma conferência de imprensa e 'obrigado' um jornalista a sair da sala no Grande Prémio do Japão

David Coulthard, antigo piloto da Red Bull, manifestou surpresa pela FIA não ter sancionado Max Verstappen após o piloto neerlandês ter expulsado um jornalista da sala de imprensa durante o Grande Prémio do Japão.

O incidente em Suzuka, onde Verstappen se recusou a iniciar a conferência de imprensa até que um jornalista britânico do The Guardian abandonasse o local, gerou um intenso debate sobre o poder dos pilotos no paddock. A atitude dividiu opiniões: alguns consideraram-na justificada, alegando que o jornalista o tinha provocado ao recordar o erro com George Russell em Barcelona 2025, que lhe custou o título em Abu Dhabi; outros, no entanto, sentiram que o tetra campeão do mundo ultrapassou os limites.

Coulthard, de 55 anos, atualmente comentador televisivo e vencedor de 13 corridas na Fórmula 1 entre 1994 e 2009, alinha com a segunda perspetiva. O antigo piloto britânico esperava uma reprimenda por parte da FIA, especialmente considerando o rigor da federação em relação ao uso de linguagem imprópria.

David Coulthard Fotografia Imago

«Provavelmente não será algo de que o Max se orgulhe ao refletir sobre o assunto, porque, embora tenha toda a razão — não é obrigatório responder à pergunta —, não é habitual pedir a alguém que abandone aquele ambiente. E, na verdade, surpreende-me um pouco que a FIA não tenha intervindo. Não vi que lhe tenha sido imposta qualquer sanção, porque, basicamente, se ele tivesse dito a palavra 'merda' ali, teria sido multado», afirmou Coulthard no podcast Up To Speed.

Apesar da sua crítica, Coulthard, com a sua experiência, reconhece a dificuldade em lidar com a pressão e as críticas da imprensa, admitindo que é um desafio não levar os comentários para o lado pessoal.

«Quando competia, estava aberto a críticas, mas é muito difícil não o levar para o lado pessoal. Sem dúvida que recebi algumas críticas, e havia sempre um subtexto; se questionavam a minha capacidade de qualificação, era uma pergunta razoável, mas, claro, não era fácil que me fizessem a mesma pergunta vezes sem conta. E alguns jornalistas eram muito mais depreciativos. É o direito deles, como jornalistas, dizerem o que veem. Mas é difícil não o levar para o lado pessoal. E nenhum piloto se livra disso», concluiu.