Jean Todt admite que Schumacher fez batota em Jerez e no Mónaco
Jean Todt, antigo diretor da Scuderia Ferrari e ex-presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), confirmou que Michael Schumacher agiu deliberadamente em dois dos incidentes mais controversos da sua carreira, que lhe custaram dois títulos mundiais. As revelações foram feitas durante uma participação no podcast 'High Performance'.
O primeiro episódio recordado por Todt remonta à final do campeonato de 1997, em Jerez (Espanha). Na luta pelo título com Jacques Villeneuve, Schumacher, ao ser ultrapassado pelo canadiano, alargou a trajetória e colidiu propositadamente com o monolugar da Williams do rival. A manobra, no entanto, não teve o resultado esperado. «Ele bateu-lhe de propósito, mas executou mal», contou Todt, confirmando as suspeitas que pairavam há anos.
Na altura, a 11 de novembro de 1997, a FIA tomou a decisão inédita de excluir o piloto alemão do campeonato de pilotos. Max Mosley, então presidente, justificou a sanção afirmando que «as ações foram deliberadas, mas não premeditadas».
O segundo incidente ocorreu durante a qualificação para o Grande Prémio do Mónaco de 2006. Com a pole position provisória, Schumacher imobilizou o seu Ferrari na curva Rascasse, impedindo que Fernando Alonso, seu principal rival, completasse a sua última volta rápida. A manobra não passou despercebida aos comissários da FIA, que despromoveram o alemão para o último lugar da grelha de partida.
Sobre este momento, Todt foi igualmente claro. «Em 2006, no Mónaco, durante a qualificação contra o Alonso, ele provocou um pião de propósito. Teve de partir do último lugar, e isso custou-lhe o campeonato». Nessa temporada, Schumacher acabaria por perder o título para o espanhol, então na Renault, por uma diferença de treze pontos.
Jean Todt. de 80 anos, concluiu que estas duas ações não só resultaram em sanções pesadas, como também impediram Schumacher de alcançar um recorde de nove títulos mundiais. «Ele tentou evitar perder o campeonato, mas fê-lo da maneira errada, o que levou a uma decisão desastrosa que era totalmente evitável», rematou.
Apesar de reconhecer os erros, Todt não deixou de elogiar o antigo piloto da sua equipa, com quem mantém uma relação próxima, sendo uma das poucas pessoas autorizadas a visitá-lo desde o seu acidente em 2013. «Na verdade, sabem, o Michael era alguém excecional. Sempre que perdia o controlo de si mesmo, pagava um preço alto por isso», comentou.
Artigos Relacionados: