Javi García, antigo jogador de Real Madrid e Benfica (foto: Imago)
Javi García, antigo jogador de Real Madrid e Benfica (foto: Imago)

Conhece como poucos Benfica e Real e dá receita para Madrid

Javi García avisa que águias precisam de «sacrifício» e sentido de oportunidade

O Benfica joga esta quarta-feira em Espanha a segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da UEFA Champions League, frente ao Real Madrid. A equipa dos encarnados lutará para virar uma desvantagem de 0-1 do jogo de Lisboa.

Águias têm igualmente de combater a sombra da polémica resultante das acusações de racismo contra Gianluca Prestianni, extremo que alegadamente insultou Vinícius Júnior, avançado brasileiro dos merengues — o caso está nas mãos da UEFA.

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Quando se fala de Benfica e de Real Madrid, e de um palco como o estádio Santiago Bernabéu, há um nome que une os dois clubes: Javi García. O médio defensivo espanhol foi formado no Real Madrid e brilhou na Luz, entre 2009 e 2012. Fez 132 jogos pelo Benfica, marcou 14 golos e fez cinco assistências. Foi campeão de Espanha, em 2006/07, e campeão na liga portuguesa, em 2009/10.

Em conversa com A BOLA sobre este jogo da segunda mão da Liga dos Campeões, Javi García começa por lembrar o duelo em Lisboa, onde viu a equipa do Benfica fazer «um grande jogo», encarando «olhos nos olhos» o Real Madrid, faltando–lhe apenas «fazer golo».

«Sabemos que nesta competição não ganha sempre aquele que joga melhor, mas aquele que sabe interpretar bem todas as fases do jogo. O Real não treme ao ver que o rival tem mais posse de bola, tem consciência de que durante os 90 minutos haverá sempre fases em que o rival será melhor. O importante é saber jogar sem nervos, e o Real Madrid faz isso sem problema», alerta o ex-jogador, agora com 39 anos e lançado na carreira de treinador — foi adjunto do técnico alemão Roger Schmidt, no comando do Benfica em 2022/23 e 2023/24.

Apesar de antecipar dificuldades e reconhecer que a eliminatória está «complicada para o Benfica», Javi acredita que «alguma coisa pode acontecer» de mágico, desde que a equipa liderada por Mourinho «aguente a baliza a zeros». Se assim for, sublinha, os encarnados terão «possibilidades» de vencer.

Javi García contorna a polémica relacionada com Prestianni, tema delicado, mas que se torna inevitável abordar antes do jogo de Madrid. «Imagino que o público apoiará Vinícius mais que nunca, o que é normal. Este ambiente vai favorecer a equipa de Madrid e em especial Vinícius, que cresce nestes momentos», refere.

Imagino que o público apoiará Vinícius mais que nunca.

Mas, com tudo isto a jogar contra o Benfica, o que será preciso a equipa portuguesa fazer para ser feliz em Espanha? «Passará por garantir uma boa defesa com toda a equipa, vai ser preciso o sacrifício de todos os jogadores para manter possibilidades em aberto. Saber sofrer e esperar pelo momento certo — para mim, essa será a chave», aponta o ex-Benfica.

Saber sofrer e esperar pelo momento certo — para mim, essa será a chave.

Olhando para o atual plantel dos encarnados, há um jogador que enche as medidas ao espanhol nascido em Mula, na província de Múrcia — «Nicolás Otamendi. É uma besta competitiva. O espírito competitivo que ele tem, a leitura de jogo, a capacidade de antecipação e de liderança é algo que hoje em dia não há, já não existe este tipo de jogadores. E depois, claro, Aursnes. Não será nunca um jogador vistoso para o público, mas faz tudo bem, cada toque na bola, cada passe, está sempre bem posicionado. Levario-o para qualquer equipa do Mundo.»

Nicolás Otamendi. É uma besta competitiva.

Em relação ao trabalho de Mourinho no Benfica, Javi diz que o treinador foi «uma grande escolha». Vê Mourinho a «espremer» os jogadores e a conseguir que eles entreguem «cem por cento» das capacidades. «O Benfica esteve muito condicionado com lesões, mas agora vejo um grande plantel e muitas opções para José Mourinho», completa.

O treinador do Benfica foi expulso em Lisboa e não poderá estar no banco para este segundo jogo, algo que, acredita Javi García, será difícil de digerir. «Coloco-me na pele dele e acredito que tem uma vontade tremenda de voltar a Madrid. Doeu-me quando vi a expulsão dele, pois ficaria encantado de o poder ver de novo no Bernabéu. Ter José Mourinho no banco é sempe muito importante, ele sabe melhor do que ninguém ler e atuar em todas as situações que possam suceder ao longo do jogo», lamenta o agora técnico.

Doeu-me quando vi a expulsão de Mourinho.

Um duelo entre Real Madrid e Benfica é algo que mexe muito com Javi García. Diz que tentará «escapar» a assistir ao jogo no estádio.«É complicado para mim», confessa, lembrando a carreira como jogador: «O Real acolheu-me quando tinha 14 anos e formou-me como jogador e pessoa. E depois chegou o Benfica. Identifiquei-me com o clube e os adeptos desde o primeiro minuto. Desfrutarei deste jogo como mais um adepto.»