Rúben Neves, médio da Seleção Nacional - Foto: Miguel Nunes
Rúben Neves, médio da Seleção Nacional - Foto: Miguel Nunes

A importância da experiência e a «força extra» de Jota: tudo o que disse Rúben Neves

Médio do Al Hilal foi o primeiro porta-voz da Seleção Nacional que vai representar Portugal no Mundial 2026

Rúben Neves, médio do Al Hilal, foi o primeiro porta-voz da Seleção Nacional no estágio que iniciou esta segunda-feira para o Mundial 2026. Sendo um dos mais experientes desta convocatória, o antigo jogador do FC Porto falou sobre a força do grupo e a importância dos mais velhos no crescimento dos jogadores que se estreiam em Campeonatos do Mundo. O jogador de 29 anos afirmou que se sente «na melhor forma da carreira» a nível físico e não esqueceu o amigo Diogo Jota, que dará uma «força extra» nos momentos mais complicados.

— Todos sabemos que tinha uma relação especial com Diogo Jota. Sente que ele será aquela força quando não houver forças e que, por ele, os jogadores vão percorrer o caminho até um sonho que todos nós queríamos que se concretizasse?

— Tenho a certeza de que sim. Já falámos muito sobre isso e dizemos sempre o mesmo: às vezes temos de nos agarrar a algo para ir buscar força extra nos momentos mais difíceis, que nestas competições são inevitáveis. Esse vai ser um dos aspetos que nos pode dar essa força e que nos pode fazer chegar onde queremos chegar.

— O talento da Seleção coloca-vos pressão extra, neste que é, provavelmente, o último Mundial de Cristiano Ronaldo?

— Todos os jogadores da Seleção Nacional estão mais do que habituados a esse tipo de pressão. Todos os jogadores jogam em grandes equipas. Tivemos, recentemente, quatro jogadores a ganharem a Liga dos Campeões pela segunda vez. Somos um grupo jovem, mas muito experiente, e sabemos das nossas qualidades. É uma pressão positiva, não levamos isso para o lado negativo, mas sim para o lado de uma responsabilidade ainda maior, porque sabemos que temos qualidade e que podemos chegar a grandes conquistas por Portugal.

— O Rúben somou muitos minutos esta época, também a defesa-central. Isso lhe dá uma polivalência importante? Como é que vê a chegada deste novo parceiro para aquela posição mais recuada, o Samu Costa?

— O Samu já esteve connosco antes, é uma mais-valia para a seleção, como todos os jogadores que aqui estão, cada um a dar o seu melhor. Em relação à primeira questão, é uma mais-valia para qualquer jogador poder jogar em duas posições ou mais. Fiz muitos minutos como defesa-central, também devido a algumas lesões que tivemos no clube. Já não era a primeira vez que faria essa posição aqui na seleção, portanto sinto-me confortável. Como é óbvio, sou um médio, mas estou preparado para ajudar a seleção naquilo que for necessário.

— Tem algum objetivo para este Mundial a nível individual? 

— Não. O título é o grande objetivo de todos os jogadores nestas competições. É difícil escolher um objetivo pessoal porque estamos todos muito focados no que podemos ganhar em grupo, como um país. Não vou ser o melhor marcador de certeza, portanto o objetivo é mesmo ganhar a competição. É nisso que estamos focados.

— Marcou um dos golos mais importantes da história da seleção, que foi o penálti [frente à Espanha, que deu a Liga das Nações a Portugal em 2025]. Vai fazer, no dia 8, um ano. Ainda tem sonhos com esse momento? Gostava de replicar isso neste Campeonato do Mundo?

— Claro que sim. Depois desse jogo disse que foi dos golos mais importantes da minha carreira, se não o mais importante. Por isso, se voltar a acontecer neste Mundial, que seja da mesma forma, para a equipa passar à próxima fase ou até vencer a competição. Seria um sonho, mas preferia, sem dúvida, poder ganhar nos 90 minutos e não ter de chegar às grandes penalidades.

— Olhando para o seu percurso nesta Seleção e para o último Mundial, em que fez todos os jogos, Portugal tem agora 10 internacionais que se estreiam numa fase final do Campeonato do Mundo. Entre a experiência e o talento, esta é a melhor seleção de sempre?

— A melhor seleção de sempre é muito relativa. Portugal ganhou o Europeu em 2016, portanto é muito difícil dizer que somos a melhor seleção de sempre. Ganhámos uma Liga das Nações, mas ainda falta um pouco para chegarmos a esse patamar. Em relação à primeira pergunta, é muito importante ter esse tipo de experiência no grupo. Lembro-me do meu primeiro Mundial. Foi a competição em que me senti mais ansioso e nervoso para participar. Os jogadores mais experientes no nosso grupo ajudaram imenso, é isso que nós vamos fazer agora com estes 10 que se vão estrear: tentar tranquilizá-los ao máximo para usufruírem desta experiência única.

— Está convicto de que só vem embora dos Estados Unidos após o dia 19 de julho? Este estágio é importante para os jogadores começarem a adaptar-se às novas regras que vão ser implementadas neste Mundial?

— Sim, claro que sim. Vamos começar desde hoje a preparar esse Campeonato do Mundo da melhor maneira possível e, como é óbvio, a nossa convicção é voltar só depois do dia 19 de julho. É para isso que aqui estamos. Como eu disse, temos de ter muita expectativa, mas com alguma responsabilidade também. Sabemos que é extremamente difícil, são competições em que há muitos fatores em jogo. Mas o nosso objetivo, sendo uma seleção como somos, é, sem dúvida, chegar à final e vencer. A nossa convicção é trabalhar da melhor forma para conseguirmos voltar só depois do dia 19 e com a taça na mão. Vamos preparar os jogos do Mundial já a contar com essas novas regras que vão estar em vigor a partir deste Campeonato do Mundo. Acho que podem ser muito benéficas, principalmente as regras do tempo: o tempo que o jogador tem para sair do campo, por exemplo, ou o tempo que o jogador tem para ser assistido. Vai ser importante para aquelas equipas que gostam de empatar um pouco. Vamos, desde já, começar a trabalhar nesses aspetos.

— O Al Hilal ganhou a Taça do Rei, lutou pelo campeonato até ao final. Pergunto-lhe se, a nível pessoal, foi uma época de sucesso, o que também ajudará, certamente, a chegar a este Mundial nas melhores condições anímicas e físicas, apesar dos minutos acumulados?

— Claro que sim. Considero sempre que as épocas são sempre positivas. No final, temos de ficar com as coisas positivas que fizemos e melhorar os aspetos negativos. Portanto, todas as épocas são de aprendizagem e servem para ganhar experiência. Esta época não foi diferente. A nível coletivo conseguimos um título, lutámos até ao fim pelo campeonato e, a nível individual, sinto-me bastante bem. Fiz muitos minutos, como disse, e fisicamente sinto-me talvez numa das melhores fases da minha carreira. Portanto, chego muito confiante a este Mundial.

— Foi a época mais goleadora da carreira do Rúben: marcou 12 golos, mais um com a seleção, Vai levar esta veia goleadora ao Mundial?

— É sempre bom quando conseguimos ajudar a equipa com golos, com assistências, e ser influentes. Esta época correu-me muito bem nesse aspeto e é algo que, se eu puder trazer para a seleção, será benéfico para mim e para todos. Espero conseguir dar continuidade a essa veia goleadora aqui no Mundial também.

— Que diferenças nota na construção de jogo entre quando joga a central e quando joga a médio?

— A principal diferença é que, como central, consigo ver o jogo sempre de frente. Tenho uma visão muito mais abrangente de todo o campo. Quando jogo como médio, jogo algumas vezes de costas e tenho de ter a capacidade de ver o que se passa antes de receber a bola. Essa é a mais-valia dos grandes médios: conseguem pensar antes de a bola chegar. Portanto, como disse, sinto-me confortável com as duas situações. Já tive treinadores que me pediam quase sempre para sair a três, mesmo jogando a médio, e depende também muito, depois, do movimento coletivo da equipa. Quando baixo para construir a três, normalmente os laterais projetam-se na frente e a equipa fica com uma dinâmica diferente. Quando jogo à frente dos centrais, talvez seja para criar mais espaço para um dos defesas ter mais espaço com bola, quando as equipas pressionam o médio-defensivo individualmente. Portanto, sinto-me confortável com as duas situações e farei o meu melhor em qualquer uma naquilo que me for pedido.

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