Com Mundial à vista, atacante do FC Porto ganha projeção e interessados
Deniz Gul aproxima-se do fecho da época com sinais claros de afirmação no FC Porto, num percurso que ganha outra dimensão num ano de Mundial, palco onde o internacional turco poderá elevar ainda mais a sua cotação e reativar o interesse de clubes que já o tinham debaixo de olho. Besiktas e Galatasaray foram dois desses pretendentes no último verão, avançando com abordagens concretas na tentativa de convencer o ponta de lança com a promessa de minutos que, à data, pareciam difíceis de garantir nos dragões, muito por culpa da influência de Samu no eixo ofensivo. A SAD portista, porém, nunca abriu a porta nem a um empréstimo nem a uma venda que colocasse em causa o equilíbrio do ataque.
O cenário alterou-se radicalmente ao longo da época. Se em 2024/25 Gul foi maioritariamente uma solução de recurso, utilizado a partir do banco e raramente com tempo suficiente para deixar marca, esta temporada trouxe-lhe o contexto que precisava para dar um passo em frente. A grave lesão de Samu, sofrida em fevereiro, retirou o internacional espanhol das opções até, pelo menos, setembro, afastando-o também do sonho de disputar o Mundial, e abriu espaço para uma nova hierarquia no ataque azul e branco.
Mais do que aproveitar a oportunidade, o atacante respondeu com paciência e personalidade, mesmo perante uma nova ‘ameaça’. A chegada de Terem Moffi no mercado de inverno, por indicação de Francesco Farioli, parecia introduzir mais concorrência direta, mas acabou por funcionar como um teste superado pelo turco. Ganhou terreno, convenceu o treinador italiano e, pela primeira vez desde que chegou ao FC Porto, somou dois jogos completos consecutivos — um dado revelador para quem até então nunca tinha sequer cumprido os 90 minutos.
Frente ao Alverca, jogo do título, completou pela primeira vez uma partida, desde que chegou ao FC Porto. Contra o Aves SAD foi titular e também atuou 90 minutos.
Sinais claros de maturidade competitiva e de uma adaptação cada vez mais sólida às exigências do futebol português. Esse marco surgiu na fase decisiva da temporada. Frente ao Alverca, no encontro que confirmou matematicamente o título nacional a duas jornadas do fim, Gul ficou em campo durante todo o jogo, algo inédito no seu percurso de dragão ao peito.
Deu continuidade frente ao Aves SAD, voltando a cumprir os 90 minutos e assinando o único golo portista na derrota diante da equipa de João Henriques, o segundo desaire da época na Liga após o 2-1 em Rio Maior, frente ao Casa Pia. Mais do que o golo, ficou a sensação de um avançado mais influente, participativo e ligado ao jogo coletivo.
O crescimento do avançado surge num momento de definições para o FC Porto. Como A BOLA avançou, o ataque será ajustado tendo em vista a exigência acrescida da Liga dos Campeões e a ambição de conquistar o bicampeonato. Neste contexto, Deniz Gul posiciona-se como uma peça de duplo valor: pode integrar a rotação ofensiva com maior protagonismo até ao regresso de Samu ou tornar-se num ativo de mercado apetecível, sobretudo se mantiver esta curva ascendente nas próximas montras internacionais.
Contratado ao Hammarby em agosto de 2024, ainda como internacional sub-21 sueco, por 4,5 milhões de euros — valor que pode ascender em mais 500 mil mediante objetivos —, o avançado assinou até 2029 e ficou protegido por uma cláusula de rescisão de 50 milhões de euros.