COI sob pressão para abandonar planos de testes de género a atletas femininas
Mais de 80 grupos de defesa dos direitos humanos e do desporto instaram o Comité Olímpico Internacional (COI) a abandonar os planos de introduzir testes genéticos universais de sexo para atletas femininas, bem como uma proibição total à participação de competidoras transgénero e intersexo.
A posição foi expressa numa declaração conjunta de várias organizações, incluindo a Sport & Rights Alliance (SRA), a ILGA World e a Humans of Sport, que consideram que tais alterações representariam um retrocesso significativo na igualdade de género no desporto.
O comunicado refere que, segundo várias fontes, um grupo de trabalho terá aconselhado o COI a avançar com estas medidas. «Diversas fontes afirmaram que o grupo aconselhou o COI a exigir que todas as atletas mulheres e meninas se submetam à verificação genética de sexo e a proibir que atletas transgénero e intersexuais compitam em eventos femininos. O COI não confirmou publicamente as recomendações», pode ler-se na nota.
Andrea Florence, diretora executiva da SRA, alertou que os testes de sexo e uma política de proibição generalizada constituiriam uma «erosão catastrófica dos direitos e da segurança das mulheres». A responsável acrescentou ainda que «a vigilância e a exclusão de género prejudicam todas as mulheres e meninas e minam a própria dignidade e justiça que o COI afirma defender».
Recorde-se que, no início de 2026, a presidente do COI, Kirsty Coventry, indicou que aguardava mais esclarecimentos antes de tomar uma decisão. «Ficou acordado que o COI deveria assumir um papel de liderança nisto», afirmou na altura. «E que nós deveríamos ser os responsáveis por reunir os especialistas e as federações internacionais e garantir que encontrássemos um consenso».
A World Athletics é uma das organizações desportivas que já implementou testes de género. Em setembro do ano passado, introduziu um teste genético único para o gene SRY, realizado através de uma zaragatoa na bochecha, para todas as atletas femininas antes do Campeonato Mundial de Atletismo de 2025, em Tóquio.