Atletas britânicas têm de pagar 218 euros por testes de sexo obrigatórios
As atletas britânicas terão sido informadas de que terão de suportar o custo de 185 libras, cerca de 218 euros. pelos testes de sexo obrigatórios para poderem competir a nível internacional, uma situação que deixou algumas delas «atónitas».
A World Athletics tornou compulsória, no ano passado, a realização de um teste genético SRY, feito uma única vez na vida, para todas as atletas femininas que queiram participar em grandes campeonatos ou eventos da Diamond League. Este teste, realizado através de uma zaragatoa bucal ou análise de sangue, visa garantir a competição justa, identificando atletas com diferenças de desenvolvimento sexual (DSD) e participantes transgénero.
A decisão de implementar este teste surgiu na sequência de controvérsias mediáticas, como as que envolveram as pugilistas Imane Khelif e Lin Yu-ting nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, após alegações de que não teriam passado nos testes de elegibilidade de género da Associação Internacional de Boxe (IBA).
British female athletes forced to pay for sex tests to compete internationally https://t.co/vH3WYusdQ3
— PinkNews (@PinkNews) March 6, 2026
Segundo o jornal The Times, a UK Athletics (UKA) aconselhou as suas atletas a pagarem os testes do seu bolso. Esta medida é vista como injusta, não só porque os atletas masculinos estão isentos, mas também porque muitas estrelas do atletismo não auferem salários elevados. Além disso, os testes antidoping, que servem um propósito semelhante de garantir a integridade da competição, são gratuitos para os atletas.
Para os Mundiais de Tóquio, em setembro, a World Athletics tinha disponibilizado cerca de 75 libras por atleta às federações nacionais para cobrir parte dos custos. No entanto, a federação britânica parece agora passar a totalidade da despesa para as atletas.
“@BritAthletics female track & field athletes are being asked to cover the cost of their own £185 sex verification tests if they want to compete internationally.”
— SEENinSport (@SportSEENuk) March 5, 2026
“Some complain that it is unfair when the test is not required for male athletes.”
How little do UK Athletics care… https://t.co/iG84l2LFCW pic.twitter.com/Esmg4xgK8x
O financiamento das atletas é feito através de bolsas de desempenho (Athlete Performance Awards - APAs), que no ciclo olímpico de Paris 2024 tinham um teto máximo de 28.000 libras (32 mil euros) anuais por atleta. A Associação Britânica de Atletas de Elite estima que o valor médio recebido por atleta foi inferior a 22.500 libras (25 mil euros).
A UKA dispõe de um fundo de emergência para avaliar, caso a caso, se as atletas necessitam de apoio financeiro para cobrir os custos dos testes. O Daily Mail Sport contactou a federação para obter um comentário sobre o assunto.
Ao anunciar a medida, o presidente da World Athletics, Sebastian Coe, defendeu a sua importância. «A filosofia que prezamos na World Athletics é a proteção e a promoção da integridade do desporto feminino», afirmou. «Estamos a dizer que, ao nível de elite, para competir na categoria feminina, é preciso ser biologicamente mulher. Para mim e para o Conselho da World Athletics, sempre foi muito claro que o género não pode sobrepor-se à biologia».
Recorde-se que, no ano passado, a antiga meio-fundista britânica Lynsey Sharp declarou que teria conquistado uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 se as regras atuais de testes de género estivessem em vigor na altura. Sharp terminou a prova em sexto lugar, atrás de três atletas com DSD.