Clube turco punido por vídeo de apoio a curdos sírios
A Federação Turca de Futebol (TFF) sancionou o Amedspor, principal clube curdo do país, por partilhar um vídeo considerado «propaganda ideológica». A TFF alega que a publicação prejudicou «a reputação do futebol».
Em causa está um vídeo de 20 segundos, divulgado nas redes sociais do clube, que mostra uma mulher a fazer tranças no cabelo nas bancadas do estádio. A cena é acompanhada por uma música com o lema curdo «Mulheres, vida, liberdade».
O gesto de entrançar o cabelo tornou-se, na última semana, um símbolo de solidariedade para com os curdos sírios, numa altura em que Damasco intensificou a ofensiva militar no nordeste do país, em áreas anteriormente sob administração autónoma curda.
A onda de solidariedade foi espoletada pela divulgação de um vídeo, não verificado de forma independente, que mostra um soldado sírio a exibir uma trança que alega ter cortado de uma combatente curda em Raqqa. A cidade foi recentemente reconquistada pelo exército sírio às forças lideradas pelos curdos.
A reação nas redes sociais foi imediata, com inúmeras mulheres a partilharem vídeos a entrançar o cabelo. Vários deputados do partido pró-curdo DEM, a terceira maior força no parlamento turco, também aderiram ao movimento em apoio à mulher desconhecida.
Este ato de solidariedade teve, no entanto, consequências. Em Kocaeli, uma enfermeira foi detida no fim de semana por «propaganda terrorista» após publicar um vídeo semelhante, embora tenha sido libertada, permanece sob controlo judicial. Já em Erbil, capital do Curdistão iraquiano, dezenas de mulheres participaram num evento de solidariedade com o mesmo gesto.
Recorde-se que as tranças são um emblema das combatentes curdas, cuja luta contra o Estado Islâmico na Síria foi amplamente noticiada. Na cultura curda, as tranças simbolizam não só beleza, mas também resistência e força, associadas às mulheres guerreiras.
O lema ouvido no vídeo, «Jin Jiyan Azadi» («Mulheres, Vida, Liberdade»), ganhou notoriedade internacional como o grito de protesto dos manifestantes no Irão em 2022, após a morte sob custódia da jovem curdo-iraniana Mahsa Amini.