Com o Rio Ave, Chuchu Ramírez apontou o 13.º golo na Liga. -Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA
Com o Rio Ave, Chuchu Ramírez apontou o 13.º golo na Liga. -Foto: HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Choupana aqueceu com Veron em janeiro e febre de Chuchu (crónica)

Brasileiro emprestado pelo FC Porto abriu caminho à goleada. Suspeito do costume (Jesús Ramírez) deu mais calor ao merecido triunfo dos madeirenses, com Léo Santos e Witi a aquecerem ainda mais a Choupana

Foi Veron em janeiro na Madeira. O extremo emprestado pelo FC Porto foi titular pela primeira vez e trouxe calor ao corredor direito dos madeirenses, apontando o primeiro golo e deixando boas indicações na Choupana. Os adeptos do Nacional aqueceram com o Chuchu da equipa, de apelido Ramírez, que voltou a marcar posição como um dos melhores artilheiros desta edição da Liga e foram ao rubro com o 3-0 carimbado por Léo Santos, construindo uma vitória robusta e justa. Apenas na primeira metade os vila-condenses conseguiram equilibrar e criar situações de perigo.

Com estruturas diferentes – o Nacional em 4x3x3 e o Rio Ave em 3x4x3 – as duas formações tiveram a mesma dinâmica, que passava por explorar a profundidade para tirar partido dos velocistas que tinham nos corredores: Gabriel Veron e Paulinho Bóia do lado dos madeirenses e André Luiz e Spikic nos vilacondenses. Até porque, em ambos, nas áreas estavam dois dos melhores pontas de lança do campeonato, como o são Jesús Ramírez e Clayton.

Contudo, foi antagónica a produção dos dois avançados. Clayton teve a primeira aparição logo no início, mas estava fora de jogo quando cruzou para Spikic acertar nos ferros. E à passagem da meia hora atirou à meia-volta, obrigando Kaique a boa defesa. Já Chuchu marcou um golo e esteve perto de festejar mais. Foi um prémio para o venezuelano, que no final confessou que devido a estado febril, esteve em dúvida para o jogo.

Depois de Jesús Ramírez ter falhado num cruzamento de Alan Nuñez – outra unidade dos madeirenses com alto rendimento - o marcador foi desbloqueado por Gabriel Veron, que finalizou com um remate forte um desvio de Zé Vitor, na sequência de lançamento de linha lateral.

A questão, quanto ao vencedor, ficou praticamente arrumada no início da segunda metade por Jesús Ramírez, que concluiu de cabeça um cruzamento de Alan Nuñez. Apesar de um golo do Rio Ave voltar a colocar os nortenhos na discussão, tal não se verificou porque a equipa vila-condense nunca conseguiu reagir e o Nacional foi sempre mais perigoso, construindo um resultado gordo.

Jesús Ramírez (58’ e 66’) desperdiçou ocasiões soberanas, e o terceiro golo era uma questão de minutos, porque adivinhava-se. E surgiu pela cabeça de Léo Santos, que voou para a bola depois de José Gomes ter desviado um canto de Liziero. Nos últimos minutos ainda houve tempo para Witi fixar a goleada em 4-0, com um remate de fora da área, que deixou Chamorro – titular devido a desconforto de Miszta – mal na fotografia.

O melhor em campo: Jesús Ramírez
Mesmo condicionado pela febre e que colocou em dúvida a sua utilização, o avançado venezuelano não se escondeu e manteve a qualidade que lhe é reconhecida na área adversária. Marcou mais um golo, o 13.º no campeonato, e até poderia ter maior pecúlio, sempre em cabeceamentos aos 17’, 58’ e 66’, a mesma forma com que encontrou o caminho da baliza de Chamorro no 2-0, o golo que matou o jogo.

As notas dos jogadores do Nacional (4x3x3): Kaique (6), Alan Nuñez (7), Léo Santos (6), Zé Vitor (6), José Gomes (6), Joel Silva (5), Matheus Dias (5), Igor Liziero (6); Gabriel Veron (7), Jesús Ramírez (7), Paulinho Bóia (5), Laabidi (5), Witi (5), Daniel Júnior (5), André Sousa (-) e Lucas João (-)

A figura do Rio Ave: Clayton
Numa equipa que foi caindo com os minutos e os golos do adversário, as exibições individuais também foram afetadas, pelo que nenhum jogador esteve em plano de relevo. A escolha em Clayton fica ligada à primeira metade, o melhor período dos vilacondenses e em que o avançado protagonizou boas arrancadas e até esteve quase a inaugurar o marcador num remate em rotação, detido por Kaique.

As notas dos jogadores do Rio Ave (3x4x3): Chamorro (4), Petrasso (5), Brabec (5), Nelson Abbey (5), João Tomé (5), Aguilera (5), Nikitscher (5) Vrousai (5), André Luiz (5), Clayton (6), Spikic (5); Olinho (5), Liavas (5), Papakanellos (5), Bezerra (5) e Omar Richards (5)

O que disseram os treinadores:

Tiago Margarido, treinador do Nacional

«A equipa foi dominadora desde o primeiro minuto, procuramos ter a iniciativa e procurar os espaços que tínhamos detetado para ferir o Rio Ave. Os jogadores foram exímios, conseguimos anular bem os pontos fracos do nosso adversário. Foi uma vitória incontestável e os jogadores mereciam muito este momento. [Veron?] É importante porque somos uma equipa que privilegiamos uma construção curta desde trás, com aproximação dos médios de forma a atrair o adversário e a explorar as costas. Nisso, o Gabriel é fantástico, muito rápido e vai permitir abordar os jogos de outra forma e sempre com perigo para a baliza adversária. Hoje, já fez um bom jogo, mas, fundamentalmente, a nosso mais-valia sempre será a equipa e a capacidade de trabalho dos jogadores. [Jogo com o Sporting?] Vamos jogar contra o bicampeão nacional que ainda há pouco tempo venceu o PSG. Vai ser um jogo de extrema dificuldade, mas estamos tranquilos e acreditamos muito no que fazemos e no nosso processo. A equipa tem jogado bem. Vamos com a nossa identidade para o jogo e com a crença de que podemos tirar pontos.

Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave

«Não temos nada para analisar quando perdemos por 4-0. É sair do campo e seguir já para o próximo jogo. Não podemos sofrer os golos da maneira como sofremos, por isso não há nada para analisar. Temos de pedir desculpa aos adeptos que fizeram tantos quilómetros e estão desapontados, porque a nossa performance não foi o que queríamos. Na segunda-parte tentámos ser mais atacantes, mudámos a equipa, mas não resultou e os problemas continuaram. O Miszta não jogou porque teve um desconforto nas costas nos últimos dias e preferimos não arriscar com a sua utilização.»