Casa Pia-Torreense: pesa mais o emocional ou o físico? Perguntem a Benzema!
De tirar o fôlego! Mas ainda há reservas de energia para mais?
Casa Pia e Torreense jogam na quinta-feira o jogo de todas as decisões sobre o futuro das duas equipas. A próxima época será na Liga, ou na Liga 2, dependendo do que acontecer na partida marcada para as 20h00 em Rio Maior.
Com a meta à vista há uma semana e meia, o antepenúltimo classificado do primeiro escalão viu-se atirado para o play-off de permanência por causa de um golo tardio do Estrela da Amadora, que conjugado com o empate com o Rio Ave complicou as contas.
Já o Torreense, apesar de cumprido a sua parte e goleado o Vizela, não teve a colaboração do Académico de Viseu, que também ganhou, e por isso obrigou a equipa de Torres Vedras a esforço extra.
Um esforço desigual, quando comparado com o do Casa Pia, dizem-nos os números. Tudo por culpa da Taça de Portugal. É que o sucesso histórico na Prova Rainha obrigou o conjunto orientado por Luís Tralhão a somar mais cinco jogos do que os gansos. E se isso não bastasse, o último desses jogos, colocado entre os dois jogos do play-off teve 120 minutos para a glória diante do Sporting.
A decisão do Casa Pia de fechar uma das bancadas centrais do Estádio Municipal de Rio Maior está a gerar inúmeras críticas ao clube lisboeta. Os responsáveis dos Gansos alegam «questões de segurança» para a decisão, mas em Torres Vedras toda a gente vê nela o receio de uma 'invasão' de adeptos torreenses, à semelhança do que aconteceu no Jamor e na fase final da época dos comandados de Luís Tralhão.
Nas redes sociais do Casa Pia, são vários os adeptos do clube do oeste que questionam e criticam a opção tomada, que vai impedir centenas de aficionados de marcar presença no interior do estádio a apoiar o Torreense, que procura regressar à elite do futebol, onde não está há mais de três décadas. Perante a redução da lotação, o Torreense terá nas bancadas apenas os 5% do total do estádio que o regulamento obriga que seja cedido ao clube visitante. Após a conquista da Taça, Costinha, médio dos azuis-grená, defendeu que «fazia todo o sentido jogar com casa cheia» e até o edil da autarquia criticou a situação. «É inadmissível o que está a acontecer. O desporto vive de adeptos e isto são subterfúgios para que os torreenses não entrem».
Mas o que pesará mais na hora da decisão: as pernas ou as emoções?
Para tentar responder a esta questão A BOLA falou com Carlos Bruno, preparador físico e recuperador físico que trabalhou muitos anos no Sporting e que integrou depois as equipas técnicas de Jorge Jesus no Fenerbahçe e na segunda passagem pelo Al Hilal.
«No futebol, não são só os fatores físicos que contam, porque há a importância da tática, técnica, questão emocional, entre outras. Mas sem dúvida que ter jogado a final da Taça a meio desta decisão, ainda por cima com prolongamento, é negativo para os jogadores do Torreense», começa por dizer.
«A grande fadiga faz sempre com que fibras musculares se rompam e precisem de entre três e cinco dias para recuperar totalmente. Mas mais importante do que isso é o esgotamento do glicogénio dos músculos, que é a nossa gasolina, e que quando as reservas ficam muito baixas podem demorar entre seis e sete dias a recarregar», acrescenta.
Não nos perdendo em questões demasiado técnicas, porém, Carlos Bruno salienta depois o outro lado da moeda. A motivação com que os jogadores do Torreense chegam a este jogo, depois de conquistar a primeira Taça da história do clube e de ter feito uma época com dinâmica de vitória.
«No futebol, a questão emocional pesa muito e ajuda a superar muita coisa. O nosso cérebro tem tendência a ser negativo, e este boost de motivação vai ajudar os jogadores a superarem o cansaço. Pelo contrário, o Casa Pia vê um adversário motivado e isso também pesa porque, inconscientemente, sentem-se inferiores neste momento do confronto», acredita.
Para exemplificar o peso do lado emocional no futebol, Carlos Bruno recua à época 2023/24, ano em que o Al Hilal de Jesus entrou no Guiness como equipa com mais vitórias consecutivas.
«A equipa sentia-se imparável, com vitória atrás de vitória. E posso até partilhar o impacto que isso tinha nos nossos adversários. Por exemplo, nessa época jogámos seis vezes contra o Al Ittihad e ganhámos sempre. Num dos jogos até estávamos a perder 3-1 ao intervalo e ganhámos 4-3. E a dada altura, o Benzema - que é o Benzema! – já não queria jogar contra nós. Porque sabia que iam voltar a perder», detalha.
O que é que tudo isso vale quando o jogo começar? Que role a bola!