Fernando no pódio para o seu segundo título de campeão mundial em Poznan       Fotografia Jakub Kaczmarczyk/Lusa
Fernando no pódio para o seu segundo título de campeão mundial em Poznan Fotografia Jakub Kaczmarczyk/Lusa

Canoagem: Fernando Pimenta e a «prova perfeita» na conquista do ouro em K1 5.000

Olímpico luso recorda o momento difícil pela qual passou após os Jogos de Paris e aqueles, a que chama «verdadeiros amigos» que o ajudaram a acreditar que continua a ser um atleta capaz de lutar por títulos

Fernando Pimenta sagrou-se, este domingo, campeão do mundo de K1 5.000 metros em Poznan, na Polónia, descrevendo a sua prestação como a «prova perfeita». Este título junta-se ao de K1 1.000 metros, conquistado sábado, coroando um fim de semana de sucesso para o olímpico português.

«Foi uma prova mesmo das mais perfeitas que eu fiz até hoje em 5.000 metros com as portagens. Fui tentar dominar a regata toda e consegui fazê-lo de uma forma perfeita. Fazer cinco quilómetros praticamente todos à frente, a responder todos os ataques e na parte final ainda conseguir ter energia para sprintar e vencer…», afirmou Pimenta. O canoísta de 37 anos liderou a regata praticamente do início ao fim, respondendo a todos os ataques e ainda guardando energia para um sprint final vitorioso. «É sem dúvida um momento muito bonito», reforçou ainda e declarações à agência Lusa.

A regata, disputada no Lago de Malta, contou com cinco portagens que obrigavam os canoistas a sair da água e correr com o caiaque. Desde cedo, um grupo de quatro candidatos destacou-se, mas foi Fernando Pimenta quem cruzou a meta em primeiro, com o tempo de 24.15,72 minutos. O sul-africano Hamish Lovemore ficou em segundo, a 1,45 segundos, seguido pelo dinamarquês Mads Pedersen, a 2,45.

Com esta vitória, Pimenta, o mais velho campeão do mundo e o mais medalhado de sempre em K1 1.000, reforça o seu impressionante palmarés em K1 5.000, que já incluía dois ouros (2017, 2018), três pratas (2021, 2023, 2024) e um bronze (2019).

O canoísta do Benfica atribuiu a sua resiliência e motivação aos «verdadeiros amigos», que o apoiaram após a desilusão do sexto lugar em Paris-2024. «Quando em 2023 disse que muito provavelmente era um dos atletas mais resilientes e mais fortes do planeta, provavelmente este fim de semana demonstrei isso mesmo», sublinhou.

Olhando para o futuro, Pimenta não define metas concretas, mas garante que continuará a competir ao mais alto nível. «Enquanto tiver energia, força física e mental, cá estarei a tentar lutar pelos lugares de cima. No ano passado consegui uma medalha de bronze, saí de Milão muito desapontado, estava triste, muito triste comigo. Este ano não foi questão de vingança, desfrutei o ano e a época».

Apesar do sucesso, lamenta a distância da sua mulher, Joana, e dos filhos, Margarida e Santiago, mas reforça que é por eles que «tudo faz sentido».

A participação portuguesa na competição saldou-se ainda com uma medalha de prata em K2 500, conquistada por João Ribeiro e Messias Batista, e um bronze em K4 500, pela mesma dupla juntamente com Gustavo Santos e Pedro Casinha.

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