Fernando Pimenta: «Esta medalha de ouro dedico-a à minha mulher»
Fernando Pimenta sagrou-se campeão do mundo na prova de K1 1000 metros, numa final marcada por grande intensidade emocional e pela tática habitual de liderar desde a partida.
Com um tempo de 3.24,39 minutos, Pimenta superou o grande rival dos últimos anos, o húngaro Balint Kopasz, por apenas 22 centésimos de segundo. O pódio, idêntico ao de Milão, ficou completo com o australiano Thomas Green, que terminou a 1,41 segundos do vencedor e que tinha sido prata em 2025.
O canoísta limiano, de 37 anos, tornou-se o canoísta mais velho campeão mundial de K1 1000 e confessou ter vivido momentos de emoção antes da prova. «Trinta minutos antes da largada estava na plataforma a chorar sozinho e a refletir sobre a minha carreira e com a noção de que não me restam mais 15 anos com condição física deste nível», revelou.
Pimenta acrescentou que a sua intenção era divertir-se e seguir o conselho do seu treinador: «Se eles quiserem ganhar, vão ter que sofrer muito mais do que tu».
Fiel a estratégia ganhadora, Pimenta a assumiu a liderança desde o arranque e conseguiu resistir à pressão dos adversários até ao final. «Sabia que nos últimos 500 metros todos íamos sofrer muito porque a água estava muito mexida. Fui a tentar não estragar nada, não perder a velocidade e aguentar-me na frente, ir respondendo aos ataques. Isso desgastou-me bastante», explicou.
Sobre a reta final, Pimenta admitiu a dificuldade: «O Kopasz terminou um bocadinho mais fresco e quase me apanhava, mas ainda consegui lançar bem o barco para ser campeão do mundo.»
Este triunfo representa a 186.ª medalha de Fernando Pimenta em grandes competições internacionais e o 13.º ouro, considerando todas as especialidades da canoagem. Com esta vitória, não só se tornou o mais velho campeão do mundo em K1 1000, como também o mais medalhado de sempre na categoria, somando agora quatro ouros, duas pratas e três bronzes.
No momento da celebração, Pimenta dedicou a vitória à sua família, a mulher Joana e os filhos Margarida e Santiago, que considera a base do seu esforço. «Dedico esta medalha à minha mulher, a melhor companheira, amiga, mental coach e ouvinte», afirmou.
Este é o segundo pódio para Portugal nos mundiais a decorrer na Polónia, depois da medalha de bronze conquistada pela equipa de K4 500 metros, composta por Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha.
O foco de Pimenta vira-se agora para a final direta de K1 5000 metros, no domingo, que antevê como um desafio «muito duro», dado o desgaste acumulado e o facto de enfrentar adversários mais frescos. «Isso é sempre desgastante, não só em termos físicos como mentais, mas isso não vai ser desculpa. Agora vou desfrutar o dia de hoje, o título mundial…», concluiu.