Hugo Silva ambicioso para oitavos do EuroVolley: «Mínimo é entrar para ganhar»
A seleção nacional feminina de voleibol prepara-se para viver mais um momento histórico no campeonato da Europa. Depois de garantir, pela primeira vez, a presença nos oitavos de final da competição, Portugal defronta na segunda-feira a Polónia, em Istambul, na Turquia, com Hugo Silva a deixar clara a ambição da equipa: entrar em campo para vencer.
«Vamos para a Turquia disputar a nossa terceira final. E, como em qualquer final, a filosofia não muda: entramos em campo para ganhar», afirmou o selecionador nacional, colocando a fasquia no máximo antes do encontro frente à formação polaca.
A qualificação para os oitavos de final foi assegurada de forma épica, com Portugal a derrotar a Roménia por 3-2, num encontro decidido apenas no tie-break (15-25, 26-24, 20-25, 27-25 e 15-13). O triunfo surgiu depois da histórica vitória sobre a Espanha, por 3-1, a primeira de sempre de Portugal numa fase final de um Campeonato da Europa.
Para Hugo Silva, o percurso realizado até agora é o resultado de um trabalho de preparação pensado ao detalhe para compensar a menor experiência internacional da equipa.
«Sabia que, diante de Bélgica e Países Baixos, as jogadoras iriam adquirir a bagagem competitiva necessária para discutir os jogos com Espanha e Roménia. A única forma de ultrapassar a inexperiência era preparar tudo ao detalhe para que, nos momentos decisivos, nada falhasse», explicou.
O técnico destacou ainda a capacidade demonstrada pelo grupo para lidar com a pressão e crescer nos momentos decisivos. Apesar da juventude de várias atletas, Portugal conseguiu manter-se competitivo nos jogos mais exigentes e, sobretudo diante da Roménia, revelou capacidade para resistir à adversidade.
«Disfarçámos a juventude», reconheceu Hugo Silva, antes de deixar uma nota bem-humorada sobre o impacto da exigente fase de grupos na equipa técnica: «Quem envelheceu fomos nós, a equipa técnica: três anos em apenas três dias!»
A força coletiva foi, segundo o selecionador, uma das principais razões para o sucesso português. O plano tático manteve-se inalterado nos momentos de maior pressão e todas as jogadoras tiveram um papel determinante, desde a eficácia do serviço de Joana Garcez à capacidade defensiva de Matilde.
Há ainda muito por fazer
Apesar da inédita passagem aos oitavos de final, Hugo Silva rejeita qualquer cenário de euforia e considera que o resultado deve ser encarado como mais um passo no desenvolvimento do voleibol feminino português.
«Este resultado não pode servir para tapar os olhos ao que ainda há por fazer no voleibol feminino português. Precisamos de elevar a qualidade das nossas atletas», alertou.
O selecionador considera que a evolução interna da modalidade é evidente, mas deixa um aviso quanto à distância que ainda separa Portugal das principais potências internacionais. «O voleibol feminino já ultrapassou o masculino a nível interno, mas lá fora o caminho ainda é longo», afirmou.
É precisamente nesse caminho que surge agora a Polónia, adversária nos oitavos de final e uma das equipas de maior expressão no voleibol europeu. A formação polaca chega ao duelo depois de ter protagonizado uma das surpresas da fase de grupos, ao derrotar a Turquia, atual campeã europeia e vencedora da Liga das Nações de 2026.
O encontro terá como palco o Sinan Erdem Sports Hall, em Istambul, e representa uma nova oportunidade para a Seleção Nacional continuar a fazer história. Para Hugo Silva, porém, a receita mantém-se simples: respeito pelo adversário, preparação e ambição. «A nossa condição mínima é entrar em campo para ganhar».