CAN: Senegal recusa-se a devolver o troféu e guarda-o em base militar

CAF atribuiu o título a Marrocos, meses depois de ter perdido a final em campo, alegando que a equipa senegalesa se «retirou do terreno de jogo» durante a partida

Numa reviravolta surpreendente, o Comité de Apelo da CAF declarou Marrocos campeão de África, apesar de o Senegal ter conquistado o troféu no relvado. A final ficou marcada pelo penálti falhado por Brahim Díaz na compensação e pelo golo decisivo de Pape Gueye no prolongamento, que deu a vitória aos senegaleses.

O momento mais polémico do jogo ocorreu quando os jogadores do Senegal abandonaram momentaneamente o campo, dirigindo-se aos balneários em protesto contra uma grande penalidade assinalada a favor da equipa anfitriã. No entanto, após a insistência do seu capitão, Sadio Mané, a equipa regressou ao relvado e acabou por se sagrar campeã.

Meses após as celebrações, a CAF decidiu retirar o título ao Senegal, justificando a decisão com a «retirada do campo» durante a final. A reação senegalesa não se fez esperar. O selecionador, Pape Thiaw, deixou claro que não irá entregar a Taça. Num vídeo divulgado nas redes sociais, o técnico surge a posar com o troféu numa base militar, rodeado de soldados, numa clara demonstração de força.

Esta atitude surge na sequência das fortes críticas do presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, à decisão da CAF e do anúncio de que o país irá recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS). «Perante esta decisão sem precedentes, [o presidente] insta o Governo, e em particular o ministro dos Desportos, a que adotem todas as medidas necessárias, com a devida celeridade, em colaboração com a Federação Senegalesa de Futebol, para interpor os recursos pertinentes junto do Tribunal Arbitral do Desporto», pode ler-se num comunicado oficial.