Campeonato Nacional de Clubes arranca com Benfica na 3.ª divisão
Coimbra será palco, este fim de semana, do 88.º Campeonato Nacional de Clubes em Pista ao Ar Livre, a mais importante prova coletiva do atletismo português. O evento, que regressa à cidade 27 anos depois e será transmitido n'A BOLA TV, promete dois dias de grande espetáculo desportivo, destacando o espírito de equipa como o seu principal atrativo.
Depois de não ter apresentado equipa feminina em 2025, o Benfica, refira-se, regressa à competição na terceira divisão. Salomé Afonso, que em fevereiro bateu o recorde europeu de 2000 metros em pista curta, ao terminar a prova no Leivin Meeting, em França, no 2.º lugar, com 5m30s31, é uma das atletas que surge inscrita no terceiro escalão do Campeonato Nacional.
«Somos um clube que trabalha com visão, estratégia e sustentabilidade. Há anos que digo isso, e, quando foi desenhado o projeto para esta época, foram traçados os objetivos do corta-mato, da estrada, da pista coberta, e já estava decidido que não havia hipótese de participarmos com a equipa feminina neste verão. Não é uma situação que terá de ser decisiva para sempre, mas penso que as dificuldades que temos, quer estruturais, quer financeiras, quer até mesmo em termos de motivação desportiva para continuar a abraçar, como fizemos no passado, todos os escalões, ambos os géneros, todas as vertentes do atletismo, é uma coisa que é insustentável», justificou Ana Oliveira, diretora técnica das águias, na altura, em declarações à BTV.
Relativamente ao evento, Sérgio Guedes, vice-presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), sublinha que esta competição revela a «verdadeira essência» da modalidade: «competir pelo coletivo». O dirigente antecipa «dois dias de grande atletismo», com a presença dos melhores clubes e de «muitos dos principais atletas portugueses», incluindo participantes em Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo e da Europa.
A organização está a cargo da FPA, em parceria com a Câmara Municipal de Coimbra e a Associação Distrital de Atletismo de Coimbra. As provas das 1.ª, 2.ª e 3.ª divisões decorrerão entre a Pista Municipal de Atletismo do Estádio Cidade de Coimbra e o Centro de Formação de Lançadores, em Abelheira.
Para Sérgio Guedes, o fator diferenciador desta prova é a sua «dimensão coletiva». «Enquanto, habitualmente, o atletismo centra a atenção nas marcas, nos recordes e nas classificações individuais, nesta prova cada atleta sabe que a sua prestação influencia diretamente o resultado da equipa», explicou. Esta dinâmica, segundo o vice-presidente, cria um «ambiente único, marcado pela emoção permanente», onde «um único ponto pode decidir um campeonato», uma subida de divisão ou a permanência.
O regresso a Coimbra é visto como um momento simbólico pela Federação. «Coimbra tem uma enorme tradição no atletismo português e possui condições que permitem organizar eventos desta dimensão», afirmou Guedes, elogiando o investimento dos parceiros locais na melhoria das infraestruturas para garantir uma «organização de excelência».
Apesar de as provas de lançamentos se realizarem num local distinto, o dirigente garante que «nenhuma disciplina foi desvalorizada». Foi feito um «grande esforço conjunto para melhorar o Centro de Formação de Lançadores», assegurando transporte e informação em tempo real para que todos se sintam «parte deste grande evento».
Sérgio Guedes deixou ainda um convite ao público e às famílias para assistirem à competição, descrevendo-a como uma «oportunidade única para assistir ao vivo aos atletas que representam Portugal nas maiores competições internacionais, mas também para conhecer muitos dos jovens talentos que representam o futuro da modalidade».
O vice-presidente da FPA mostrou-se convicto de que os espetadores encontrarão em Coimbra «grandes competições e um ambiente de verdadeira festa do desporto», expressando o desejo de que, no final, «atletas, treinadores e público saiam com a sensação de terem vivido um grande momento do atletismo português».
A 88.ª edição do Campeonato Nacional de Clubes em Pista ao Ar Livre arranca com a participação de 55 clubes, distribuídos por três divisões. O Sporting, atual campeão masculino e dominador no setor feminino, defende os seus títulos numa competição que promete emoções fortes.
A estrutura da prova divide-se em três escalões. A 1.ª e 2.ª divisões contam com oito equipas em cada género, enquanto a 3.ª divisão acolhe 26 equipas masculinas e 32 femininas. O sistema de pontuação premeia o vencedor de cada prova com o máximo de pontos e o último classificado com o mínimo, sendo que os pódios e os vencedores são apurados apenas a nível coletivo.
No que toca ao historial, o Sporting lidera de forma destacada com um total de 162 pódios, somando as competições masculina e feminina. Seguem-se o Benfica, com 124, o FC Porto (43), o Belenenses (39) e a Juventude Vidigalense (19).
Recorde-se que, na época passada, o Sporting sagrou-se campeão masculino após um emocionante desempate com o Benfica, decidido pelo maior número de terceiros lugares, depois de igualdade pontual e no número de primeiros e segundos lugares individuais. No setor feminino, o domínio leonino é ainda mais evidente, com títulos consecutivos desde 2011. A única interrupção nesta hegemonia desde 1995 foi a vitória do FC Porto em 2010.