Campeonato começa amanhã: águias e leões têm à perna equipas em clara ascensão
O fumo da Supertaça ainda mal se dissipou, com o Sporting a arrecadar o troféu (3-2), em Vila do Conde, e a emoção do futsal nacional já está de regresso em pleno. Arranca amanhã, sexta-feira, o campeonato, com promessa de pavilhões cheios, rivalidades ao rubro e luta frenética pelos lugares de play-off e permanência, isto ao cabo de 22 jornadas na fase regular.
É certo que o favoritismo crónico dos grandes de Lisboa volta a estar em evidência, mas a concorrência, cada vez mais profissionalizada e reforçada, promete não dar tréguas. O Benfica, bicampeão, entra na quadra com um estatuto a defender, assente em dinâmicas consolidadas e reforços de peso que prometem dar que falar.
O brasileiro Cassiano Klein, que se mantém na liderança técnica, promoveu remodelação estratégica no plantel, garantindo alas de desequilíbrio para implementar sistema de jogo de alta rotação e sufoco ofensivo: Cléber Souza é considerado um dos reforços mais impactantes. Oriundo do futsal asiático (Al-Qadisiyah), o brasileiro é sinónimo de golo, velocidade, é desequilibrador devastador no corredor direito. Anderson Fortes oferece maior agressividade defensiva e Rúben Góis é mais uma solução atacante.
Do outro lado da barricada, o eterno rival Sporting, sob a batuta de Nuno Dias (há 14 anos no cargo), surge com plantel retocado tendo em vista quebrar a hegemonia recente das águias. O destaque vai para o regresso do universal Erick Mendonça, que, após três anos no Barcelona, volta a envergar o leão ao peito.
Com credenciais de alto nível para disputar a titularidade da baliza com Bernardo Paçó, após a saída de Henrique Rafagnin, chegou o internacional ucraniano Sukhov. Felipe Rufino, por seu turno, é visto como uma jovem promessa.
Depois da Supertaça, o primeiro dérbi da Liga acontece à 3.ª jornada, no Pavilhão João Rocha, esperando-se um Benfica com processos mais mecanizados, sedento de vingança, e um Sporting focado em manter o ascendente psicológico conseguido com a conquista do primeiro troféu da temporada.
Atrás destes gigantes — o Sporting já foi campeão nacional por 19 vezes e o Benfica por 10 —, é do Minho a equipa candidata a intrometer-se na discussão das finais. O SC Braga, com Joel Rocha no comando técnico, mantém a espinha dorsal que lhe permitiu estar nas decisões e conquistar a Taça de Portugal há duas épocas.
Mas... atenção ao Leões de Porto Salvo. Um osso sempre duro de roer. Emblema histórico da modalidade que se destaca pela consistência competitiva ano após ano. E também aos ribatejanos do Ferreira do Zêzere — que vão a Porto Salvo na 1.ª jornada —, grande sensação das últimas temporadas, tendo obrigado o SC Braga a um jogo 3 de enorme sofrimento nos quartos de final do play-off de 2025/26.
Gigantes 'vs' novatos a abrir
Os despromovidos Candoso e Quinta dos Lombos deram lugar a Portimonense (esteve na 1.ª Divisão entre 2019 e 2023) e ao estreante União Progressiva da Venda Nova, curiosamente os adversários de Sporting e Benfica, respetivamente, no arranque da prova.
O emblema da Amadora, fundado em 1970, de matriz bairrista e comunitária, construiu história com base no associativismo local e na formação de jovens (com presença nas seleções, Benfica e Sporting) e nas ultimas duas épocas contou com Tunha, figura icónica do futsal nacional, que lá terminou a carreira.