Académico de Viseu ou Vitória de Guimarães? «É como escolher entre mãe e pai»
Não vá Rui Miguel, com a força do hábito, gritar «golo» e ofender alguém próximo de cada um dos lados, o melhor é mesmo ficar no meio da corda e… longe das emoções, no sábado às 20h15, quando Académico de Viseu e Vitória de Guimarães entrarem em campo para se defrontarem: «Não me consigo pôr de um lado ou outro. Tenho uma grande proximidade com os dois e, sem dúvida, vai ser muito especial para mim. São as duas equipas por quem torço e por quem ainda sofro um bocadinho grande [risos].»
«Isto é quase como escolher entre mãe e pai. De quem gostas mais? É difícil [risos]. O Académico foi o clube que me lançou para o futebol e o Vitória o que me afirmou nos campeonatos profissionais. Logo aí o meu coração está dividido», explica, em entrevista A BOLA, o antigo médio que, enquanto profissional, representou os beirões (onde foi formado) de 2000 a 2004 e 2016 a 2019 e brilhou na cidade-Berço (onde acabou por casar) entre 2009 e 2011.
De um encontro que «há muito ansiava», o viseense espera «equilíbrio», com duas equipas com urgência no triunfo: «O Académico ainda está à procura de pontuar em casa e o Vitória quer chegar o mais rápido possível à primeira metade da tabela. Será um jogo equilibrado e difícil para ambos.»
Estabelecendo um «paradoxo de eficácia», o antigo jogador (hoje com 42 anos) realça a falta de golos na turma do castelo: «Vi os últimos dois jogos do Vitória em casa — num ganhou pela margem mínima [Nacional, 1-0] e noutro empatou [Casa Pia, 0-0]. Mas em ambos, se tivesse ganho por três ou quatro, não era descabido, porque criou oportunidades para o conseguir e estávamos a falar, neste momento, de uma equipa com mais cinco pontos.»
«O Vitória tem jogado bem, mas está a pecar na finalização. Porém, ficaria muito mais preocupado se não conseguisse criar. O contrário se passa com o Académico, que tem tido uma eficácia acima da média e tem finalizado as poucas chances que tem criado», compara.
Hoje em dia com estatuto de Legend (em torneios com antigos jogadores promovidos pela Liga), e logo dos dois emblemas em questão — «na Nazaré, joguei pelo Académico e na Final Four da Taça da Liga, em Leiria, pelo Vitória» —, os holofotes da atualidade em casa de Rui Miguel viram-se agora para o filho, Duarte (6 anos), que já brilha nas escolas de formação do FC Porto.