Sidny Cabaral nem queria acreditar no golo que marcara (e com Messi a assistir) - Foto: IMAGO
Sidny Cabaral nem queria acreditar no golo que marcara (e com Messi a assistir) - Foto: IMAGO

Ponto final de uma das mais belas histórias do Mundial (crónica)

Cabo Verde levou o jogo para prolongamento e acabou o jogo perto do 3-3, ameaçando seguir para penáltis. Messi lançou o génio mas foi de Sidny Cabral o golo da noite. Tubarões Azuis caem de pé

Que bela história escreveu Cabo Verde no Mundial 2026. A equipa africana perdeu com a Argentina por 2-3, no prolongamento, e fez sofrer o campeão do mundo como nenhum outra equipa ainda o havia feito. Uma extraordinária prova de superação feita de rigor tático, técnica, forte mentalidade para não cair depois de cada golo sofrido e um golo de Sidny Lopes Cabral que merece figurar no quadro de honra. Os Tubarões Azuis caíram de pé e colocaram o arquipélago ainda mais no mapa. A partir de agora, cada nova epopeia de Cabo Verde já não será uma surpresa, antes a continuação de uma das meia belas histórias do futebol moderno.

Sem nada a perder, Cabo Verde apresentou-se em campo com linhas juntas e em bloco baixo, tentando sair com bolas rápidas, mas sem criar cócegas nos defesas argentinos, já que o meio-campo filtrava qualquer iniciativa dos africanos.

Mesmo sem criar muitas oportunidades, os sul-americanos dominavam o jogo em todas as variáveis. Messi, como sempre, era o elemento que causava os desequilíbrios numa equipa formatada à sua volta, com Lautaro Martínez a fazer o trabalho defensivo que o capitão não faz.

Caminhando muitas vezes enquanto outros corriam, o jogador do Inter Miami só sprinta quando necessário para depois soltar o génio, tal como aconteceu ao minuto 29, quando recebeu, nas costas de Diney Borges, um passe em profundidade de Lisandro Martínez, controlando o esférico com subtileza e mesmo sem espaço atirar ao ângulo à saída de Vozinha.

Qualquer adepto de futebol pensaria que aquele momento e o final da primeira parte que viria depois seria uma espécie de ato burocrático de um processo que decorreria na sua normalidade, mas o que aconteceu no segundo tempo desafiou a lógica.

A segunda parte de Cabo Verde foi bem diferente. Bubista subiu as linhas, manteve os processos que trazia de trás (variação de flancos e exploração do corredor direito) e numa das muitas jogadas de insistência chegou ao empate, num remate cruzado na área, de Deroy Duarte, que minutos antes já havia ameaçado fora da área.

A Argentina acusou a surpresa e não logrou marcar, pelo que o jogo foi para prolongamento. Logo a abrir, aproveitando muito espaço nas costas, após canto, Lisandro desfez o empate, num remate de pé esquerdo colocado.

Mas os Tubarões não esmoreceram. Reagiram e, aos 103' Sidny Lopes Cabral fez um golo que é um monumento, calando Miami.

Mas ainda havia mais uma bala para usar: o jogo aéreo dos centrais. Romero, com um desvio de cabeça, respondeu ao cruzamento de Messi e desfez o sonho de Cabo Verde, que terminou o jogo a dar tudo pelo 3-3. Não o conseguiu, mas esteve perto. A forma como a Argentina celebrou a vitória é a prova do quão extraordinários foram os cabo-verdianos. Chapeau.

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