O esloveno Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) é o principal candidato ao triunfo no Tour 2026. IMAGO - Foto: IMAGO

Doping mecânico e as graves acusações contra Pogacar e Froome

Se o doping por substâncias proibidas anda longe do ciclismo, o mediático espetáculo que é o Tour volta a trazer para a rua outra forma de batota

Com os escândalos de doping biológico a passarem ao lado ciclismo, os observadores voltam-se agora para outras tendencias de ganhar vantagem, fora do campo desportivo e, com o Tour nas estradas, a questão do uso de doping mecânico tem sido levantada por muitos para justificar exibições que parecem impossíveis a um humano, mas que nada acusam nos controlos antidoping.

Em resposta a estas suspeitas recorrentes, a União Ciclista Internacional (UCI) garante ter um sistema de controlo apertado durante as três semanas da prova. Num comunicado, a entidade explicou o procedimento: «Um comissário técnico da UCI e outros oficiais deslocam-se aos autocarros das equipas para controlar as bicicletas dos ciclistas. Estes controlos pré-etapa são efetuados com recurso a tablets magnéticos e outras técnicas de inspeção».

Porém, em plena Volta a França, o tema da dopagem mecânica volta a gerar controvérsia, e o site sports.fr recuperou as acusações diretas a dois dos maiores nomes do ciclismo, Tadej Pogacar e Christopher Froome, apesar dos controlos rigorosos implementados pela UCI.

As suspeitas ganharam força com as declarações de Francisco Mancebo, antigo ciclista e camisola branca do Tour. Numa entrevista ao jornal espanhol Marca, no ano passado, Mancebo relatou um episódio que levantou dúvidas sobre o equipamento de Pogacar. «No outro dia, parei a roda do Pogacar… e ela não parava», afirmou. Mais tarde, nas redes sociais, o espanhol esclareceu que pretendia apenas destacar as diferenças de material, comparando com a sua própria bicicleta: «A minha para ao fim de dez segundos. Já a tenho há três anos…». No entanto, para muitos, a insinuação de dopagem mecânica já estava feita.

No ano passado, inúmeras suspeitas cercaram o desempenho do esloveno Tadej Pogacar durante sua quarta vitória geral no Tour de France. No final do ano passado, o antigo jornalista do L'Équipe, Philippe Bordas, foi ainda mais contundente numa entrevista ao Ouest France, visando diretamente Pogacar. «Isto está a ir longe demais. O Pogacar é uma farsa. Tornou-se o Frankenstein um pouco desenfreado, fabricado, mas que agora só faz o que lhe apetece», declarou Bordas. O escritor acrescentou ainda que «vão preparar a ascensão de Paul Seixas».

«É quase uma decisão industrial que envolverá os media, a ASO e a UAE, que verá que o seu interesse é fazer outra coisa», acusou.

No entanto, as acusações mais explosivas de Bordas foram dirigidas a Christopher Froome, quatro vezes vencedor do Tour. Sem rodeios, o repórter afirmou: «Houve dopagem mecânica, não o querem admitir, mas o Froome ganhou todas as suas Voltas a França com um motor». Estas palavras causaram um enorme alvoroço no mundo do ciclismo.

Além das verificações antes do início das etapas, são realizados mais controlos no final de cada dia de competição. Cerca de 10 bicicletas são selecionadas aleatoriamente, juntando-se às do camisola amarela, dos vencedores das outras classificações e do vencedor da etapa. Estes equipamentos são submetidos a exames de raios X para detetar a possível existência de um motor oculto.

Há dois anos, a UCI realizou quase 200 verificações por raio-X, um aumento de 17% em comparação com 2023. A instituição internacional e os organizadores do Tour aumentaram ainda mais o ritmo dessas verificações para a edição de 2026. Até o momento, nenhum caso de doping mecânico foi descoberto no Tour de France, contudo, a UCI permanece vigilante em relação a possíveis casos de batota envolvendo modificações tecnológicas nas bicicletas dos ciclistas. 

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