Brasil vai ter manual de conduta e tecnologia de ponta para o Mundial
A seleção brasileira terá um manual de conduta interno, uma estrutura focada na privacidade e tecnologia de vanguarda para manter os jogadores felizes, mas concentrados, durante a sua estadia nos Estados Unidos para o Mundial 2026, adianta a Globo. A delegação, preocupada com o excesso de informação e o impacto das redes sociais, procura criar um ambiente controlado, mas equilibrado.
Inspirando-se no sucesso do tetracampeonato de 1994, conquistado também nos Estados Unidos num ambiente mais fechado, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estabeleceu um plano rigoroso. A comitiva de 91 pessoas ficará instalada no The Ridge Hotel, em Nova Jersey, um local escolhido pela sua privacidade e segurança. O acesso será restrito, sem que os membros da delegação utilizem o átrio principal, e apenas pessoas autorizadas pela CBF poderão entrar.
A localização do hotel é estratégica: fica a 15 minutos do centro de treinos do New York Red Bull, que será utilizado pela seleção, e a meia hora do Metlife Stadium, palco da estreia contra Marrocos. Apesar do regime de privacidade, os jogadores terão direito a folgas após cada jogo da fase de grupos, que ocorrerão com intervalos de cinco dias, para estarem com familiares e amigos. Estes, no entanto, ficarão hospedados noutros locais e receberão uma quota de bilhetes por atleta.
Para potenciar o bem-estar e o foco, a CBF investiu numa estrutura de apoio que inclui um chefe de cozinha próprio, material desportivo de alto rendimento e tecnologia avançada. Os jogadores serão monitorizados por sensores e scanners para um acompanhamento físico detalhado. Além disso, desde a concentração, os 26 convocados utilizam um calçado especial, o Nike Mind 001, desenvolvido com base na neurociência para estimular áreas sensoriais do cérebro e aumentar a consciência corporal e mental.
As redes sociais são uma preocupação central, com regras definidas no manual de conduta. O médio Casemiro, embora considere que não é necessária uma restrição formal, partilhou a sua opinião sobre o tema.
«Sobre as redes sociais, é uma opinião minha: poderíamos diminuir um pouco nas nossas vidas. Principalmente porque acho que o ser humano não está preparado para receber tanta informação que recebemos hoje no telemóvel. É uma opinião minha, cada um toma a decisão que quiser, todo o mundo aqui já é pai de família. Sou um tipo que tenho as minhas redes sociais, aprovo tudo o que for colocado. Tenho as informações de tudo o que está a acontecer no mundo, claro, mas se pudesse diminuir um pouco seria muito importante», atirou.
A estratégia da CBF passa por reduzir gradualmente os estímulos externos. Nos Estados Unidos, a maioria dos treinos será à porta fechada e com segurança policial reforçada. Este modelo contrasta com o regime mais rígido implementado por Tite no Mundial 2022, no Qatar, onde a equipa teve apenas algumas horas de folga após um jogo da fase de grupos. Desta vez, haverá mais liberdade, desde que as regras do manual de conduta sejam respeitadas.
O The Ridge Hotel, onde a seleção ficará, é um espaço corporativo com 171 quartos, renovado em 2018. As suas instalações modernas, que incluem átrio, lounge, biblioteca e ginásio, foram projetadas para garantir conforto e um ambiente propício à concentração.
A seleção brasileira já definiu o seu quartel-general para o Mundial, optando pelo Columbia Park, em Morristown, Nova Jersey. As instalações, que foram as mais solicitadas entre todas as opções disponibilizadas pela FIFA, servirão de base de treinos para a equipa, que ficará alojada num hotel com dezenas de salas de eventos, reservado em exclusivo para a comitiva.
O Columbia Park, habitualmente utilizado pelo New York Red Bulls, foi recentemente remodelado e inaugurado em abril. O complexo destaca-se pelas suas instalações de última geração, que incluem campos, ginásio, balneários e escritórios administrativos, com um forte foco na sustentabilidade e acessibilidade, projetado para o treino de futebol de elite. A segurança no local foi reforçada, contando com a presença de, pelo menos, seis viaturas da polícia num dos acessos.
A escolha foi justificada por Rodrigo Caetano, coordenador geral da seleção, que sublinhou a importância de garantir as condições ideais para a equipa.
«Desde quando assegurámos o apuramento, tomámos todos os cuidados para encontrar um lugar que pudesse oferecer a estrutura necessária de treino, com privacidade, modernidade e conforto», afirmou o dirigente.
Por sua vez, Cícero Souza, gerente geral de seleções da CBF, complementou, explicando os critérios que levaram à decisão: «O objetivo principal era buscar a melhor qualidade de relvados, hotéis, facilidades de logística, a menor diferença possível de fuso e outros fatores que poderiam influenciar positivamente o desempenho da seleção.»
O gerente geral concluiu, realçando a vantagem estratégica da escolha: «Encontrámos na região de Nova Iorque/Nova Jersey as melhores condições em todos esses itens e isso pode fazer a diferença numa competição que é extremamente complicada diante da grandeza do evento.»