Austin MacPhee, 46 anos, está a trabalhar com Seleção Nacional desde o início de 2025. Foto Miguel Nunes
Austin MacPhee, 46 anos, está a trabalhar com Seleção Nacional desde o início de 2025. Foto Miguel Nunes

Bolas paradas portuguesas ‘falam’ inglês com sotaque da Escócia

Como a saída do número 2 da equipa técnica abriu espaço a um escocês especialista em bolas paradas. Dois golos e uma excelente oportunidade frente ao Uzbequistão saíram do laboratório de MacPhee

PALM BEACH — Minuto 17: Cristiano Ronaldo mira a baliza num livre à entrada da área; as câmaras de TV focam o capitão português, a sua respiração, a sua preparação. Ele que já tinha marcado no jogo e queria mais; o árbitro apita e é Nuno Mendes quem dispara para o 2-0.

Minuto 59: Cristiano Ronaldo mira a baliza num livre um pouco mais longe da baliza. Já tinha marcado duas vezes; o árbitro apita, o capitão passa por cima da bola e corre para a área, Bruno Fernandes pica-lha por cima da barreira e não é golo por muito pouco.

Minuto 60, no canto subsequente: Bruno Fernandes bate da direita, rasteiro e ao primeiro poste; não vem nos livros, os uzbeques baralham-se e Portugal chega aos 4-0 com autogolo.

Num só jogo, três exemplos do trabalho do escocês Austin MacPhee, especialista em bolas paradas que em fevereiro de 2025 se juntou à equipa técnica nacional liderada por Roberto Martínez.

Quando Anthony Barry, o número 2 da equipa técnica desde a chegada de Martínez, saiu da FPF para a seleção inglesa, para reencontrar Thomas Tuchel, o Selecionador Nacional decidiu, em consonância com os responsáveis federativos da altura, preencher o lugar de adjunto principal com prata da casa — entendeu que Ricardo Carvalho estava apto a assumir o papel mais interventivo durante os treinos, embora o próprio espanhol o seja também, e quis contar com uma figura nova no xadrez técnico.

Por um lado, Martínez sentia que a capacidade técnica dos jogadores portugueses não era completamente aproveitada nas bolas paradas, sobretudo as ofensivas; por outro, foi convicção do espanhol que ter, na equipa, alguém que trabalhasse também num clube — Austin MacPhee é adjunto nos ingleses do Aston Villa — significaria atualização constante e a garantia de que nenhuma nova tendência ficaria fora do radar.

MacPhee foi um futebolista discreto mas, ao enveredar pela carreira de treinador, cedo começou a mostrar trabalho nos clubes e seleções por foi passando: Cowdenbeath, St. Mirren, Irlanda do Norte (primeira qualificação para um Europeu), Heart of Midlothian, Escócia, Midtjylland, Aston Villa e agora Portugal.

Desde que assumiu o papel de treinador de bolas paradas na Irlanda do Norte não mais deixou de trabalhar simultaneamente em clubes e seleções. Aos 46 anos, o escocês está consolidado na Seleção Nacional e no Aston Villa, que acaba de conquistar a Europa League... com vários golos de livres e cantos.

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