Samuel Soares (MIGUEL NUNES)
Samuel Soares (MIGUEL NUNES)

Benfica volta a ter a titular um guarda-redes do Seixal

Apenas quatro portugueses foram titulares nos últimos 20 anos: Quim, Bruno Varela, Moreira e Samuel Soares. Artur Moraes, Oblak, Júlio César e Ederson são estrangeiros que deixaram saudades na Luz

Os últimos cinco jogos do Benfica tiveram o mesmo guardião entre os postes: Samuel Soares. É ele o dono da baliza. É a primeira vez, desde o final da época 2017/18, que os encarnados têm um guarda-redes português como titular.

O último fora Bruno Varela, dono do lugar em 34 dos 47 encontros do Benfica nessa época (os restantes 13 pertenceram a Svilar e a Júlio César Espíndola). Foi também a última vez que as águias tiveram um futebolista formado no Seixal a assumir a titularidade da baliza.

Ao longo dos últimos 20 anos, de resto, escassearam os guarda-redes portugueses a passar pela baliza encarnada. Apenas sete: além de Samuel Soares e Bruno Varela, alinharam ainda Quim, Moreira, Paulo Lopes, Eduardo e André Gomes. Cinco destes sete cumpriram a sua formação no clube (Samuel Soares, Bruno Varela, Moreira, Paulo Lopes e André Gomes).

Agora, sob o comando de Marco Silva, Trubin passou para o banco e Samuel assumiu a titularidade. Ainda assim, persistem dúvidas entre a massa associativa sobre se a SAD encarnada deve, ou não, ir ao mercado contratar um dono indiscutível para a posição.

Trata-se de um debate recorrente há quase uma década, desde a transferência de Ederson para o Manchester City, em junho de 2017, a troco de 40 milhões de euros. Daí para cá surgiram nomes como Bruno Varela, Svilar, Júlio César (em final de carreira), Zlobin, Helton Leite, Vlachodimos, Samuel Soares, André Gomes e Trubin.

Nas últimas duas décadas (de 2007/08 em diante) passaram 20 guarda-redes pela baliza do Benfica e apenas cinco alcançaram um estatuto inquestionável no coração dos benfiquistas: Quim, Artur Moraes, Oblak, Júlio César Espíndola e Ederson. A todos os restantes — incluindo Vlachodimos e o próprio Trubin —, parte dos adeptos acabou sempre por torcer o nariz.

O ciclo abriu com a solidez de Quim, dividida pontualmente com o alemão Butt. Quim seria o dono indiscutível do lugar na conquista do título de 2009/10, época em que o brasileiro Júlio César Jacobi e Moreira espreitavam na sombra.

A saída de Quim abriu portas ao investimento mais polémico da história recente da baliza encarnada: Roberto. Chegado em 2010/11 sob forte expetativa, o espanhol viveu uma época acidentada, recheada de deslizes que obrigaram a estrutura a reformular rapidamente a estratégia.

A resposta chegou com a contratação de Artur Moraes, que assumiu a titularidade em 2011/12 e somou perto de 150 jogos em três temporadas de plano principal. Foi precisamente no fecho da sua etapa, em 2013/14, que despontou um dos maiores fenómenos do futebol mundial: Oblak. O esloveno agarrou a titularidade a meio da época e assinou uma das campanhas mais avassaladoras de que há memória na Luz (26 jogos, apenas 6 golos sofridos e 20 clean sheets).

O Benfica teve de renovar-se. Primeiro com a chegada do experiente e credenciado Júlio César Espíndola e logo a seguir com a afirmação fulgurante de Ederson. O segundo conquistou o lugar em 2015/16.

Após a fase de transição com Bruno Varela e Svilar em 2017/18, a baliza da Luz encontrou a sua maior estabilidade na figura de Vlachodimos. Entre 2018 e 2023, o grego somou 222 jogos (o registo mais elevado destas duas décadas), resistindo às concorrências pontuais de Zlobin e Helton Leite. Agora, abrem-se as portas a um novo capítulo: Samuel Soares assume as redes encarnadas, com Trubin sempre à espreita no banco de suplentes. Tal como o jovem Diogo Ferreira, de 19 anos, internacional em português em todos os escalões de formação, que chegou ao Benfica em 2019, vindo do Lusitano de Vildemoinhos.

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