Benfica: Sudakov na luta para perder rótulo que ninguém quer
Sudakov deve alinhar na equipa inicial do Benfica esta quarta-feira, na deslocação a Moreira de Cónegos para acertar calendário da 3.ª jornada do campeonato, num jogo em que o médio ucraniano entra pressionado para dar uma resposta mais consistente depois de um arranque de temporada com números discretos e exibições abaixo do esperado para o seu perfil e investimento.
O número 10 dos encarnados tem alternado boas exibições com outras de menor inspiração, mas, no cômputo geral, continua sem atingir o nível de diferenciação que se exige a um jogador da sua posição, especialmente numa equipa que tem impressionado pela capacidade goleadora — 33 golos marcados em todas as competições, contra 9 sofridos — e onde se presume que o técnico deseje uma chegada frequente às zonas de finalização.
Até ao momento, Sudakov não marcou qualquer golo e registou apenas uma assistência, na vitória por 6–1 frente ao Hearts, na Liga Europa, estatísticas muito modestas para um médio ofensivo com a sua qualidade e que justificou um investimento financeiro elevado por parte da SAD: 27 milhões de euros, num negócio que pode ascender a 30 milhões mediante prémios por objetivos.
O internacional ucraniano era, até aqui, praticamente a única solução direta e com as características certas para o lugar — o que, a determinada altura, levou o treinador a convocar e a dar minutos a Gonçalo Moreira, promissor médio ofensivo de 20 anos da formação do Seixal —, mas Marco Silva tem agora mais alternativas, diretas e indiretas, e Sudakov fica mais pressionado.
Para a posição de médio de ligação, o técnico dos encarnados pode contar com o regresso de Fredrik Aursnes após lesão (já tinha Leandro Barreiro) e viu o plantel ser reforçado com a contratação de Claudio Echeverri, criativo de 20 anos, outrora considerado uma das maiores promessas do futebol argentino, chegado por empréstimo do Manchester City depois de cedências mal sucedidas ao Leverkusen e ao Girona. Echeverri ainda tem de se adaptar às ideias de Marco Silva e dos companheiros, mas está convocado para o jogo com o Moreirense e prepara-se para concorrer com Sudakov pelo lugar, enquanto Andreas Schjelderup e, sobretudo, Prestianni oferecem soluções diferentes que também podem ser aproveitadas no corredor central, não apenas pelas alas.
Sudakov terminou a última temporada em queda e iniciou a atual com confiança renovada e um novo treinador, Marco Silva, que desde o início apostou nele e confiou nas capacidades do médio criativo ucraniano, mantendo-o titular nos 10 jogos realizados esta época, embora só não tenha sido substituído nos dois primeiros da temporada, frente aos suíços do St. Gallen, na 2.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da Liga Europa. As exibições, apesar do esforço visível do jogador para se envolver e conseguir ter impacto, não têm acompanhado o brilho de vários outros colegas do ataque e, de forma geral, Sudakov tem sido visto, pelos benfiquistas e pela crítica desportiva, como um jogador ainda em baixa, algo que o próprio treinador abordou na véspera do jogo em Moreira de Cónegos.
Em conferência de imprensa, Marco Silva falou do contexto que rodeia o ucraniano e assumiu que, «em todas as equipas acabam por ter sempre o patinho feio; neste momento calhou ao Sudakov», sublinhando que não tem falado com ele sobre este tipo de críticas que vêm do exterior porque «os jogadores não se podem condicionar», embora reconheça que «tem alguma influência». «Se eu sentir que tem muita influência neles, naturalmente irei falar e procurá-los para ter essa conversa. Ainda não senti necessidade de ter essa conversa com Sudakov, sobre o que se passa à volta dele ou possíveis críticas ou por o acharem o patinho feio. As minhas conversas com ele têm sido mais no sentido de ele perceber o que nós queremos em cada momento e de lhe dar confiança para ele poder expressar o seu futebol ao serviço da equipa», disse o treinador, garantindo ainda que, se sentir que as críticas externas têm influência nos jogadores, irá «tentar protegê-los ao máximo»..
Sudakov tem, assim, merecido a aposta e a confiança do treinador de forma consistente, mas não tem entusiasmado a plateia e, por muito que possa responder a coisas que Marco Silva lhe pede, os números são realmente modestos para a capacidade técnica que é reconhecida ao ucraniano.
Responder bem nos próximos desafios, já hoje com o Moreirense, num campo tradicionalmente difícil, é o desafio imediato que o jogador tem de ganhar para afastar de vez o rótulo de «patinho feio» e voltar a alinhar as exibições com o estatuto de um número 10 do Benfica.