Treinador do Benfica fala de José Neto, Banjaqui e Anísio Cabral

Benfica: Rui Costa a pensar e a fazer bem

Renovações com campeões do mundo sub17 são boas notícias para o Benfica, mesmo num plano de contingência que possa ter de ser aplicado.

Anísio Cabral renovou, Daniel Banjaqui já o fez e só falta o anúncio e, como escreve A BOLA, seguir-se-á José Neto. Três notícias boas para o Benfica e que, provavelmente, são uma das intenções mais lúcidas do presidente Rui Costa a nível da gestão desportiva. Porém, como tudo que é estratégico, terá de ter aplicação prática.

Como primeiro ponto é preciso revelar os três rapazes. A qualidade que têm demonstrado, já com provas na equipa principal. Sabemos que no futebol hoje pode estar-se no topo e amanhã dar-se um trambolhão. Não faltam exemplos no Benfica, já agora, de que assim é.

Posto isto, viremo-nos para as implicações das anunciadas renovações, que terão sempre de passar por uma aposta do treinador. Anísio, Banjaqui e Neto estarão nos planos para o plantel de 2026/27. Assim sendo, pode ser o fim do «scouting de emergência». Sob a batuta de uma estrutura técnica que os valorize (a presença de Mourinho no horizonte do clube e as suas próprias declarações sobre os jovens reforçam esta exigência), estes jogadores entram no balneário com selo de qualidade, criam uma base forte da formação e permitem ao Benfica ter também um núcleo que sente a mística. Mais importante, reduzem a necessidade de ter «suplentes de mercado» que custam milhões em comissões e salários e de qualidade por comprovar, como Issa Kaboré ou Jan-Niklas Beste.

Com a Champions em risco, apostar nestes talentos é também a forma mais eficaz de conter custos sem perder competitividade. Cada vaga no plantel principal preenchida por um Neto ou um Banjaqui é um investimento de milhões que o Benfica deixa de gastar num jogador vindo do estrangeiro e uma redução na folha salarial. Ou seja, converte-se o talento do Seixal em capital próprio, garantindo que o orçamento de transferências pode ser canalizado apenas para contratações cirúrgicas e diferenciadoras, como Mourinho seguramente «pedirá».

No entanto, para que a estratégia seja mestre e não apenas cosmética, é imperativo que estes jovens sejam, no mínimo, segundas opções reais. O tempo das «chamadas para treinos» acabou.

Se Banjaqui e companhia ficarem na bancada a ver passar minutos, o ativo desvaloriza e a motivação quebra. A estratégia só será efetiva se o treinador tiver a coragem de os lançar não só quando o titular vacila, mas numa lógica de gestão do plantel e de evolução do trio. Só assim o Benfica poderá vir a ter, em 2026/27, jogadores prontos para a titularidade absoluta e/ou para vendas astronómicas.

Rui Costa segurou o talento (perante assédio europeu também), mas o sucesso depende da evolução em campo. Se a estratégia for bem executada, o futuro do Benfica não está no mercado; está a assinar contrato no gabinete do presidente.