Prestianni, extremo do Benfica, a treinar-se no estádio do Real Madrid (foto: SL Benfica)
Prestianni, extremo do Benfica, a treinar-se no estádio do Real Madrid (foto: SL Benfica)

Benfica: Prestianni incendeia Madrid, mas há história para fazer!

Extremo foi insultado e domina conversas; encarnados deixam polémica à porta do balneário e vão lutar para ser felizes contra o Real

MADRID — O Benfica joga hoje na capital espanhola a segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Lutará para fazer história, conseguir virar a desvantagem de 0-1 do jogo em Lisboa e bater o Real Madrid no mítico Santiago Bernabéu, com capacidade para 73 mil adeptos e onde é estimado que estejam pouco mais de quatro mil do Benfica.

Mas a equipa tem em mãos desafio ainda maior: conseguir ser feliz sem José Mourinho no banco (foi expulso no desafio da primeira mão) e domar o ambiente hostil que a espera, mais ainda na sequência do episódio que envolveu Prestianni e Vinícius Júnior — em Lisboa, o extremo argentino foi acusado de ter feito insulto racista ao avançado brasileiro do Real.

A UEFA suspendeu provisoriamente, por um jogo, Prestianni. O Benfica recorreu, mas não é previsível que obtenha resposta positiva a tempo de poder contar com ele para o jogo de hoje. Mesmo assim, os encarnados trouxeram Prestianni na comitiva — o jovem de 20 anos treinou-se ontem ao final da tarde com o plantel, no relvado do Bernabéu, e mantém-se foco de todas as atenções.

Aqui, em Madrid, Benfica, Prestianni e Mourinho dominam as conversas sobre o jogo. Existe confiança no Real Madrid para confirmar a qualificação, mas todos querem saber de Gianluca Prestianni e José Mourinho.

A particularidade do momento ficou clara logo em Lisboa, não apenas pela intervenção de Rui Costa, presidente do Benfica (ver página 4), mas também pelo carinho dos adeptos no aeroporto, com Prestianni acompanhado por uma espécie de guarda de honra feita por Mário Branco e Simão Sabrosa — diretor geral para o futebol profissional e diretor técnico caminharam lado a lado com o extremo argentino no embarque para Espanha.

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Depois, já em Madrid, foi apenas o nome de Mourinho e de Prestianni que os adeptos à porta do hotel (além dos jornalistas) gritaram. Minutos depois da comitiva entrar, o treinador dos encarnados voltou a sair e esteve um bocado à conversa com alguns conhecidos, sinal do respeito e admiração que têm por ele na cidade, e saiu durante algum tempo para ir visitar um grande amigo que está no hospital.

O ambiente piorou mais tarde, depois do almoço e quando os jogadores regressaram ao autocarro para seguir para o treino no estádio — sem que nada o fizesse prever, alguns adeptos insultaram Prestianni e deixaram ali, em segundos, ideia do que poderia esperar o jogador se entrasse em campo. Onde ele vai assistir ao jogo, é segredo que o Benfica não revela. Ontem, treinou-se no relvado com normalidade, no início na companhia do central e capitão da equipa Nicolás Otamendi.

Na conferência do adjunto João Tralhão — estando suspenso, Mourinho entendeu não falar à Imprensa, o que os regulamentos permitem — e do médio Aursnes, foram recusadas respostas a perguntas sobre Prestianni. Mas o jovem esteve, está e continuará no olho do furacão, tornando-se ruído que o Benfica quer aproveitar em benefício do espírito guerreiro que o treinador deseja ver na equipa.

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O regresso adiado (na plenitude) de Mourinho ao Bernabéu deixa os benfiquistas frustrados, e também os espanhóis. Em Madrid, em algumas lojas pelas quais passamos, ao lado dos cachecóis metade Real Madrid, metade Benfica, exibiam-se canecas com a cara de Mourinho, que não pareciam ser atuais, mas falava mais alto a esperança de negócio.

Ainda que Mourinho e Prestianni fiquem fora do relvado, foram eles quem agitaram Madrid, capital espanhola e da UEFA Champions League, pelo menos na véspera do duelo. O que se segue? O Benfica entra esta noite determinado a fazer história e a alcançar os oitavos de final da Liga dos Campeões, mesmo sem o treinador no banco e com o ambiente contra si.