José Mourinho teve aproveitamento pontual de 78 por cento contra 83 por cento de Bruno Lage — Foto: Miguel Nunes
José Mourinho teve aproveitamento pontual de 78 por cento contra 83 por cento de Bruno Lage — Foto: Miguel Nunes

Benfica: nem 8 nem 80 (o efeito dos despedimentos de Rui Costa)

Mudança de treinador sem efeito positivo esta época. É a segunda vez em três que isso acontece. Três campeonatos seguidos com os mesmos pontos e sem título

O Benfica falhou, pela terceira época seguida, a conquista do campeonato nacional, segunda consecutiva com mudança de treinador a meio da competição. Se na primeira (Roger Schmidt por Bruno Lage) ainda houve efeito da chicotada psicológica, embora sem o objetivo principal, na segunda (Bruno Lage por José Mourinho) o aproveitamento pontual na Liga diminuiu. Acontece, curiosamente, que nos últimos três anos o Benfica acabou o campeonato sempre com 80 pontos — duas vezes no segundo lugar, uma no terceiro.

Rui Costa assumiu a presidência do Benfica como consequência da detenção de Luís Filipe Vieira, no âmbito da operação Cartão Vermelho, em julho de 2021. Três meses depois foi eleito presidente do Benfica, herdando, por isso, a liderança da gestão do futebol com a época em andamento. Três meses depois estava a substituir o treinador — Jorge Jesus por Nélson Veríssimo.

Jesus resistiu até à 15.ª jornada, com 12 vitórias, um empate e duas derrotas (37 pontos), ou seja, com aproveitamento de 82,2 por cento, e deixou a equipa no terceiro lugar, com menos quatro pontos que FC Porto e Sporting. Veríssimo comandou a equipa nos restantes 19 jogos — 11 vitórias, quatro empates e quatro derrotas, com aproveitamento de 64,7 por cento. Benfica acabou no terceiro lugar, com menos 17 pontos que FC Porto e 11 que Sporting.

Rui Costa preparou, depois, a época 2022/2023, contratou Roger Schmidt e o Benfica foi campeão. A equipa perdeu gás na segunda metade da época, após a saída de Enzo Fernández para o Chelsea por €121 milhões no mercado de inverno, mas acabou com vantagem de dois pontos sobre o FC Porto, depois de ter aberto distância de oito para os dragões em fevereiro. Encarnados somaram 87 pontos.

Seguiu-se nova temporada (2023/2024) sob o comando de Roger Schmidt — segundo lugar com 80 pontos, menos 10 que FC Porto.

O treinador alemão arrancaria, apesar da contestação de adeptos, a época seguinte (2024/2025), mas só resistiu quatro jornadas, nas quais somou duas vitórias, um empate e uma derrota (66,7 por cento de aproveitamento pontual). Pela segunda vez, Rui Costa optou pela troca de treinador.

Saiu o técnico alemão, regressou Bruno Lage. No campeonato, houve reação da equipa, o aproveitamento subiu para 81,1 por cento. Suficiente, apenas, para o segundo lugar, com menos dois pontos que o Sporting. Lage arrancou no sétimo lugar com menos cinco pontos que o Sporting. Também acabou com 80 pontos.

A história repetiu-se um ano depois, já na época 2025/2026, agora com Lage a sair à quarta jornada, com três vitórias e um empate (aproveitamento de 83 por cento), para dar lugar a José Mourinho. O treinador que agora está perto de mudar-se para o Real Madrid pegou na equipa no segundo lugar com 10 pontos, menos dois que FC Porto. Acabou no terceiro com 80 (aproveitamento de 78 por cento, resultado de 20 vitórias e 10 empates, 70 pontos em 90 possíveis), menos oito que FC Porto e dois que Sporting.

O efeito da mudança de treinador foi, como tal, melhor com Lage do que com Mourinho — 81,1 por cento na época 2024/2025 contra 78 por cento na época 2025/2026.

O Benfica foi a última equipa a conquistar o campeonato com 80 pontos. Mas foi há 12 anos, na época 2013/2014, sob o comando de Jorge Jesus. Foi o primeiro de quatro títulos seguidos de campeão — dois com Jesus, dois com Rui Vitória.

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