Benfica com uma ideia de jogo já assimilada pelos jogadores (crónica)
O calendário é exigente, desde 27 de julho o Benfica já disputou 19 jogos oficiais, e a equipa ainda em construção que Marco Silva se propôs edificar, começa a ser realidade. E isso vê-se como?
Ao necessitar fazer uma gestão de recursos perante a avalanche de jogos que enfrenta, o treinador do Benfica, jogue quem jogar, implementou na Luz uma filosofia, à qual os jogadores aderiram, que torna coerente os processos e cria uma identidade própria, baseada em alguns princípios: pressão alta com rápida reação à perda da posse de boa; recuperação de linhas para trás da linha da bola quando o adversário consegue sair a jogar; circulação rápida e a toda a largura do campo nos ataque planificados; velocidade e assertividade nos ataques rápidos.
Num jogo que garantia a presença na ‘final four’ da Taça da Liga (atente-se nos 53.654 adeptos que estiveram na Luz, a uma quinta-feira, com dia de trabalho a seguir, o que sugere confiança na equipa), os encarnados geriram meios dentro do razoável, deram minutos a quem deles precisava e apenas optaram por uma ‘invenção’ - colocar Samuel Dahl na direita - para, confrontados com a lesão de Benjaqui, pouparem Bah e Aursnes.
Perante um adversário exigente - Luís Pinto, treinador gilista, venceu a última Taça da Liga com o V. Guimarães -, que se apresentou de forma muito inteligente, com um 4x3x3 de base que tanto era tansformado em 5x4x1 como em 4x4x2, o Benfica teve de mostrar argumentos e não chegou à vantagem sem antes ter apanhado um susto (grande defesa de Trubin aos 34 minutos), superado pelos golos de Lukebakio (que grande exibição, a justificar ser dono da direita encarnada) e Sudakov (nas intermitências habituais assinou um remate ‘cinco estrelas’).
Com Echeverri, que se percebe ser um jogador de tremendo potencial, a assinar alguns bons momentos, Durán ainda rematou à malha lateral antes do intervalo.
EFEITO LUKEBAKIO
Para o segundo tempo, Luís Pinto, apesar de alguns momentos de boa circulação de bola da sua equipa e uma ou outra aproximação mais assertiva à baliza de Trubin, mexeu com as entradas de Touré e Lausen, mas seria o Benfica a manter a batuta da partida, tendo chegado ao 3-0 com um golo de elevada nota artística de Dódi Lukebakio, que finalmente está a aproximar-se do jogador que é.
Mas se o belga marcou aos 54 minutos, aos 56 o dinamarquês Lausen teve um pontapé fulminante de meia-distância que reduziu distâncias para diferença de dois golos. Um prémio merecido para a atitude positiva da equipa de Barcelos, que até podia ter ido mais longe, com Lenglet a tirar em cima da linha fatal aquilo que podia ter sido um autogolo de Karouani (69).
Marco Silva percebeu o que estava em cima da mesa e mandou a jogo Aursnes, Prestianni e Manu, refrescando setores e dando maior lucidez à equipa (72), lançando Rafa (78) para aquilo que seria o ‘coup de grace‘ aos gilistas. Com Lukebakio na direita, Rafa nas costas de Durán (e depois de Anísio) e Prestianni na esquerda, o Benfica entrou na sua melhor versão, fez o 4-1 por Duran, aos 81 minutos (que bela execução…) e podia ter ainda castigado mais os forasteiros que, diga-se em abono da verdade, não mereciam punição mais severa, especialmente a partir do momento em que Espigares foi expulso (83).
Benfica na ‘final four’, onde medirá forças com o FC Porto na meia-final, com justiça, e a certeza de que há na Luz uma equipa que está longe de ser projeto acabado, mas que para lá caminha, assim haja tempo e espaço para Marco Silva mostrar o que o fez trocar a Premier League pela I Liga portuguesa.