Tondelenses e gilistas ofereceram emoção a rodos no embate que encerrou a 29.ª jornada da Liga — Foto: Paulo Novais/LUSA
Tondelenses e gilistas ofereceram emoção a rodos no embate que encerrou a 29.ª jornada da Liga — Foto: Paulo Novais/LUSA

Beirão com 'frappé' de gelo no sonho europeu dos galos (crónica)

Rony Lopes abriu o ativo, Murilo empatou. Carlos Eduardo deu a cambalhota aos 90 minutos, mas Joe Hodge faturou já na compensação. Concorrentes... sorriem

Ninguém saiu satisfeito. O Tondela estava obrigado a vencer para ganhar novo ânimo na luta pela permanência, o Gil Vicente precisava dos três pontos para regressar ao 5.º lugar — que dará acesso à pré-eliminatória da UEFA Conference League, mas apenas e só se Torreense ou Fafe (que estão a meio da meia-final da Taça de Portugal, não conquistarem a prova rainha) —, entretanto ocupado pelo Famalicão.

Mas não se pense que as equipas não fizeram por ser felizes. Porque fizeram. Daí ter sido uma jogatana.

A primeira parte foi mais repartida, ainda que os auriverdes tenham tido maior domínio e mais aproximações à área contrária. O golo de Rony Lopes, à passagem do quarto de hora, ajudou a elevar o estado anímico da formação orientada por Gonçalo Feio, mas a festa durou pouco, uma vez que, 10 minutos depois, os minhotos beneficiaram de uma grande penalidade. Murilo, chamado à conversão, atirou a contar, mas o lance foi invalidado porque o extremo tocara (de forma inadvertida) por duas vezes na bola. O árbitro da partida, aplicando a nova regra do International Football Association Board, que entrou em vigor a 1 de julho de 2025, mandou repetir o castigo máximo e o extremo brasileiro tornou a rematar certeiro, fazendo o empate.

Ouattara Moudjatovic e Rodrigo Conceição tentaram levar os visitados em vantagem para o descanso, mas não tiveram a arte necessária para nova festa tondelense.

A história foi completamente diferente na etapa complementar. O Gil Vicente voltou a ser a máquina ofensiva que tem sido na grande maioria da época e as oportunidades de golo iam-se sucedendo. Agustín Moreira, Gustavo Varela, Luís Esteves, Murilo e Santi Garcia foram os principais atores da tentativa de reviravolta dos galos, mas Bernardo Fontes emergiu quase sempre e manteve o Tondela vivo.

Porém, o guarda-redes brasileiro nada pôde fazer em cima do minuto 90: cruzamento de Joelson Fernandes e cabeceamento (a meias com o ombro, refira-se) de Carlos Eduardo para a cambalhota no marcador. Dois tiros certeiros de Peixoto, que os acabara de lançar.

No forno estava o triunfo gilista e consequente ultrapassagem ao rival de Vila Nova, mas a crença dos auriverdes deu frutos no último suspiro. Konan desviou com a mão um remate de Tiago Manso e o lance colocou Joe Hodge na marca dos 11 metros. O médio irlandês desperdiçou o penálti, permitindo a defesa de Dani Figueira, mas, na recarga, o camisola 10 redimiu-se e serviu um beirão com frappé de gelo no sonho europeu dos galos.

Ambos mereciam mais, mas... dividiram o mal pelas aldeias.

O melhor em campo: Luís Esteves (7)
O melhor Gil Vicente tem sempre muito de Luís Esteves. Quando o 10 engrena e pega na batuta como só ele sabe, os galos estão mais perto da mais bonita melodia. Com a bola nos pés é um tratado, isto além de já saber o que vai fazer antes de ter interferência direta nos lances. Porque pensa mais à frente. Empurrou a equipa para a frente e só lhe faltou mesmo fazer o gosto ao pé. E tanto que tentou...
A figura: Joe Hodge (7)
O médio irlandês, de 23 anos, tem bom sentido posicional e uma qualidade técnica acima da média, condimentos que lhe permitem assumir as despesas do jogo ofensivo dos auriverdes. Bateu-se bem nos duelos individuais na intermediária e arranjou quase sempre solução quando pegava na bola na primeira fase de construção. Vacilou da marca dos 11 metros, mas compensou na recarga.

As notas dos jogadores do Tondela:

As notas dos jogadores do Gil Vicente:

Gonçalo Feio (treinador do Tondela)

Jogámos contra uma grande equipa, não é por acaso que está a lutar por lugares europeus. Tivemos bons momentos. Acredito na capacidade destes jogadores. Queríamos ganhar, como é óbvio, mas foi um ponto importante na nossa missão.

César Peixoto (treinador do Gil Vicente)

Na segunda parte fizemos um jogo fantástico. Apertámos, criámos muitas situações e fizemos o golo. No último lance do jogo concedemos o empate. O futebol não tem sido justo, a vitória era claríssima para nós. Temos feito época fantástica.

Notícia atualizada às 23h42