Beirão com 'frappé' de gelo no sonho europeu dos galos (crónica)
Ninguém saiu satisfeito. O Tondela estava obrigado a vencer para ganhar novo ânimo na luta pela permanência, o Gil Vicente precisava dos três pontos para regressar ao 5.º lugar — que dará acesso à pré-eliminatória da UEFA Conference League, mas apenas e só se Torreense ou Fafe (que estão a meio da meia-final da Taça de Portugal, não conquistarem a prova rainha) —, entretanto ocupado pelo Famalicão.
Mas não se pense que as equipas não fizeram por ser felizes. Porque fizeram. Daí ter sido uma jogatana.
A primeira parte foi mais repartida, ainda que os auriverdes tenham tido maior domínio e mais aproximações à área contrária. O golo de Rony Lopes, à passagem do quarto de hora, ajudou a elevar o estado anímico da formação orientada por Gonçalo Feio, mas a festa durou pouco, uma vez que, 10 minutos depois, os minhotos beneficiaram de uma grande penalidade. Murilo, chamado à conversão, atirou a contar, mas o lance foi invalidado porque o extremo tocara (de forma inadvertida) por duas vezes na bola. O árbitro da partida, aplicando a nova regra do International Football Association Board, que entrou em vigor a 1 de julho de 2025, mandou repetir o castigo máximo e o extremo brasileiro tornou a rematar certeiro, fazendo o empate.
Ouattara Moudjatovic e Rodrigo Conceição tentaram levar os visitados em vantagem para o descanso, mas não tiveram a arte necessária para nova festa tondelense.
A história foi completamente diferente na etapa complementar. O Gil Vicente voltou a ser a máquina ofensiva que tem sido na grande maioria da época e as oportunidades de golo iam-se sucedendo. Agustín Moreira, Gustavo Varela, Luís Esteves, Murilo e Santi Garcia foram os principais atores da tentativa de reviravolta dos galos, mas Bernardo Fontes emergiu quase sempre e manteve o Tondela vivo.
Porém, o guarda-redes brasileiro nada pôde fazer em cima do minuto 90: cruzamento de Joelson Fernandes e cabeceamento (a meias com o ombro, refira-se) de Carlos Eduardo para a cambalhota no marcador. Dois tiros certeiros de Peixoto, que os acabara de lançar.
No forno estava o triunfo gilista e consequente ultrapassagem ao rival de Vila Nova, mas a crença dos auriverdes deu frutos no último suspiro. Konan desviou com a mão um remate de Tiago Manso e o lance colocou Joe Hodge na marca dos 11 metros. O médio irlandês desperdiçou o penálti, permitindo a defesa de Dani Figueira, mas, na recarga, o camisola 10 redimiu-se e serviu um beirão com frappé de gelo no sonho europeu dos galos.
Ambos mereciam mais, mas... dividiram o mal pelas aldeias.
As notas dos jogadores do Tondela:
Bernardo Fontes (7), Bebeto (6), João Silva (5), Christian Marques (5), Rodrigo Conceição (6), Joe Hodge (7), Juan Rodríguez (6), Hugo Félix (6), Pedro Maranhão (5), Ouattara Moudjatovic (6), Makan Aiko (5), Yaya Sithole (5), Arjen van der Heide (5), Tiago Manso (6) e Jordan Pefok (5).
As notas dos jogadores do Gil Vicente:
Dani Figueira (7), Zé Carlos (6), Antonio Espigares (5), Jonathan Buatu (5), Ghislain Konan (5), Santi Garcia (7), Facundo Cáseres (6), Luís Esteves (7), Murilo (7), Gustavo Varela (6), Agustín Moreira (6), Martín Fernandez (5), Joelson Fernandes (6) e Carlos Eduardo (7).
Gonçalo Feio (treinador do Tondela)
Jogámos contra uma grande equipa, não é por acaso que está a lutar por lugares europeus. Tivemos bons momentos. Acredito na capacidade destes jogadores. Queríamos ganhar, como é óbvio, mas foi um ponto importante na nossa missão.
César Peixoto (treinador do Gil Vicente)
Na segunda parte fizemos um jogo fantástico. Apertámos, criámos muitas situações e fizemos o golo. No último lance do jogo concedemos o empate. O futebol não tem sido justo, a vitória era claríssima para nós. Temos feito época fantástica.
Notícia atualizada às 23h42