Barcia foi com a perna impedir maior salto dos açorianos (crónica)
O SC Braga, teoricamente o adversário mais difícil para os açorianos nestas sete primeiras jornadas da Liga, não foi capaz de travar o percurso irrepreensível do Santa Clara, que continua invicto na competição, depois do empate (0-0) no São Miguel. Os encarnados dos Açores colaram-se novamente ao Sporting no terceiro lugar da classificação e os bracarenses têm oportunidade de se aproximarem desta dupla, dado que têm um jogo a menos – com o Gil Vicente – e têm menos quatro pontos.
Houve intensidade, mas faltaram claras oportunidades de golo. E os números da estatística no final comprovam-no: nove remates para cada lado, com cinco oportunidades para os açorianos e duas para os minhotos. Dados que também realçam o equilíbrio que toldou a maioria do tempo, em que nenhuma das equipas exerceu um ascendente significativo sobre a outra, realçando ainda a competência a defender. Quer a fechar os caminhos das balizas, como em anular as ocasiões em que o golo esteve mais próximo, através da capacidade individual.
Neste particular, Bernardo Fontes, guarda-redes do SC Braga, foi o primeiro a destacar-se, quando voou para impedir que um tiro de Brenner Lucas com a direção certa entrasse. Na sequência, Welinton Torrão errou o alvo. Do outro lado, dos açorianos, Lucas França também brilhou num livre lateral de Ricardo Horta que tinha tudo para entrar.
Mas não foram só os guarda-redes os grandes responsáveis pelo nulo final no marcador. Talvez o grande momento tenha sido de Barcia. Quando o jogo caminhava para o seu final, o defesa espanhol foi rápido a intercetar um remate de Vinícius Lopes, que rompeu pela esquerda decidido e com intenção de fazer estragos, só com Bernardo Fontes pela frente.
Além desse acerto defensivo dos dois conjuntos, também apareceu algum desacerto na finalização, com os bracarenses a terem os melhores momentos até ao intervalo. Milosevic, após trabalho individual, atirou por cima e Pau Victor rematou cruzado ao lado dos ferros.
Na parte final do encontro, o SC Braga tentou instalar-se na frente, ganhou livres e cantos, mas sem criar perigo. Mas destapou-se atrás e, com o incremento de velocistas que Petit deu à sua equipa, com as entradas de Welinton Torrão e Fernando, em transições rápidas foi perigoso. Além do corte providencial de Barcia já descrito no início do texto, nos descontos Torrão fugiu a Bajrami e deu para Fernando, que com a baliza aberta, atirou por cima.
O extremo protagonizou a melhor oportunidade do jogo, quando rompeu na esquerda e entrou na área, com o remate e ser intercetado por Sergio Barcia. Na primeira parte atirou de primeira de fora da área e quase surpreendeu e foi sempre um mouro de trabalho no corredor esquerdo e muito difícil de travar pela defesa minhota, quando embalava em direção à baliza, revelando sempre boa capacidade em ultrapassar adversários.
As notas dos jogadores do Santa Clara (4x3x3): Lucas França (6), Lucas Soares (6), Pedro Pacheco (6), Emanuel Moreira (6), Guilherme Romão (5), Djé Tavares (6), Pedro Ferreira (6), Tiago Ribeiro (5), Brenner Lucas (6), Gonçalo Paciência (5), Vinícius Lopes (6), Daniel Borges (5), Fernando (5), Welinton Torrão (5) e João Vasconcelos (-).
O central espanhol entrou aos 65 minutos para o lugar de Barisic e acabou por ser a figura da sua equipa, ao intercetar perto do final um remate de Vinícius Lopes, que, provavelmente, iria decidir o vencedor do encontro. Foi um momento determinante que evitou a derrota dos bracarenses e que não permitiu também aos açorianos alargarem a diferença na classificação.
As notas dos jogadores do SC Braga (3x4x3): Bernardo Fontes (6), Barisic (5), Vitor Carvalho (6), Bajrami (5), Víctor Gómez (5), Gorby (5), João Moutinho (5), Gabri Martínez (5), Pau Victor (5), Milosevic (5), Ricardo Horta (6), Huseinbasic (5), Gabriel Silva (5), Sergio Barcia (6), Tiknaz (5) e Tommy Marqués (-).
Petit, treinador do Santa Clara
«Foi um jogo difícil. Trabalhamos bem no processo defensivo para que o SC Braga não conseguisse ligar o jogo por dentro, nem o levasse para os corredores. Foi uma 1.ª parte com poucas oportunidades e uma segunda onde fomos à procura dos três pontos e pecamos na finalização, porque temos três ou quatro oportunidades em que podíamos ter matado. Sinto o balneário um bocado triste, queríamos ir para os 17 pontos.»
Carlos Vicens, treinador do SC Braga
«Não foi o nosso jogo mais brilhante. Agora é levantar a cabeça e aproveitar a paragem para recuperar jogadores para um mês com muitos jogos. Faltou concretizar as situações na 1.ª parte, tivemos uma ou duas claras, e tínhamos de fazer um jogo melhor. Fizemos substituições para melhorar durante o jogo, mas hoje não saiu com a energia que queríamos.»