A russa Varvara Voronchikhina confessou que o ouro era um sonho de menina. IMAGO
A russa Varvara Voronchikhina confessou que o ouro era um sonho de menina. IMAGO

Atleta russa emociona-se no pódio: «Quando vejo a bandeira é incrível!»

A esquiadora Voronchikhina fez soar o hino russo após 12 anos e, nos Jogos Paralímpicos 2026, contou como foi difícil viver no exílio e regressar para conquistar o ouro

A vitória de Varvara Voronchikhina no super-G de paraesqui alpino, esta segunda-feira, permitiu que o hino da Rússia fosse ouvido pela primeira vez desde os Jogos de Sochi, em 2014, marcando um momento simbólico para o país.

O hino russo ecoou em Cortina, Itália, após Varvara Voronchikhina conquistar a medalha de ouro na prova de super-G (categoria de pé), superando a francesa Aurélie Richard. Este feito representa a primeira vez que o hino nacional da Rússia é tocado nos Jogos Paralímpicos desde a edição de 2014, em Sochi. Recorde-se que os para-atletas russos foram as primeiras vítimas das sanções internacionais após as revelações de um esquema de doping estatal, que os afastou dos Jogos no Rio de Janeiro em 2016.

A conquista tem um forte peso simbólico, uma vez que a Rússia obteve autorização para competir com a sua bandeira e hino, quatro anos após a sua exclusão de todas as competições internacionais devido à invasão da Ucrânia. A delegação é composta por seis atletas russos e quatro bielorrussos.

Visivelmente emocionada, Voronchikhina, de 23 anos, partilhou os seus sentimentos na zona mista: «É muito especial para mim, pois são os meus primeiros Jogos Paralímpicos e era o meu sonho de criança. E quando vejo a minha bandeira, é tão especial e incrível». A atleta, que já tinha ganho o bronze na prova de descida, dedicou a vitória «a todo o país que me aclamou, à bandeira russa, à minha família».

O ministro russo dos Desportos, Mikhail Degtyarev, celebrou o momento na rede social Telegram: «Parabéns a Varvara Voronchikhina pela primeira medalha de ouro da Rússia nos Jogos Paralímpicos. O hino russo ressoa».

Um regresso difícil

Para a jovem esquiadora, o caminho até esta medalha foi árduo. Voronchikhina recordou a sua experiência nos Jogos de Pequim, há quatro anos, de onde foi enviada para casa após a exclusão dos atletas russos. «Estávamos em Pequim, eu tinha feito o meu terceiro treino e, depois, tivemos de regressar», lembrou. «Foi muito difícil para nós [desde 2022], pois só treinávamos na Rússia e era-nos impossível vir para Itália».

«Não conseguimos preparar-nos adequadamente [para esta competição] e estou muito feliz com esta medalha».

A cerimónia de entrega de medalhas decorreu sem incidentes, com os poucos adeptos russos presentes a entoarem o hino e a agitarem as suas bandeiras. A vice-campeã paralímpica, a francesa Aurélie Richard, já tinha manifestado uma postura de respeito: «Cada atleta defende as suas cores, o seu país. Vamos ouvir e respeitar o seu hino».

Também Aleksei Bugaev, uma das estrelas do paraesqui russo, expressou a sua satisfação após conquistar o bronze na prova de descida no sábado. «Foi uma das medalhas mais difíceis de ganhar na minha carreira. Mas estou feliz por poder representar novamente o meu país. E estamos felizes por poder competir em pé de igualdade», afirmou o tricampeão paralímpico.

Pavel Lysenkov, jornalista do meio de comunicação russo Match TV, destacou a importância do momento para o seu país, descrevendo-o como «uma notícia muito grande para toda a Rússia hoje. É ainda mais importante do que o futebol ou o hóquei no gelo». O jornalista, que viajou para Itália através da Turquia e de França, relatou um ambiente «belo e sereno», sem hostilidade por parte do público ou de outros atletas.