Atleta russa emociona-se no pódio: «Quando vejo a bandeira é incrível!»
A vitória de Varvara Voronchikhina no super-G de paraesqui alpino, esta segunda-feira, permitiu que o hino da Rússia fosse ouvido pela primeira vez desde os Jogos de Sochi, em 2014, marcando um momento simbólico para o país.
O hino russo ecoou em Cortina, Itália, após Varvara Voronchikhina conquistar a medalha de ouro na prova de super-G (categoria de pé), superando a francesa Aurélie Richard. Este feito representa a primeira vez que o hino nacional da Rússia é tocado nos Jogos Paralímpicos desde a edição de 2014, em Sochi. Recorde-se que os para-atletas russos foram as primeiras vítimas das sanções internacionais após as revelações de um esquema de doping estatal, que os afastou dos Jogos no Rio de Janeiro em 2016.
"Quand je vois mon drapeau, c'est tellement spécial" : l'hymne de la Russie a retenti aux Jeux paralympiques pour la première fois depuis douze ans https://t.co/17fwUBkZPF
— franceinfo (@franceinfo) March 9, 2026
A conquista tem um forte peso simbólico, uma vez que a Rússia obteve autorização para competir com a sua bandeira e hino, quatro anos após a sua exclusão de todas as competições internacionais devido à invasão da Ucrânia. A delegação é composta por seis atletas russos e quatro bielorrussos.
Visivelmente emocionada, Voronchikhina, de 23 anos, partilhou os seus sentimentos na zona mista: «É muito especial para mim, pois são os meus primeiros Jogos Paralímpicos e era o meu sonho de criança. E quando vejo a minha bandeira, é tão especial e incrível». A atleta, que já tinha ganho o bronze na prova de descida, dedicou a vitória «a todo o país que me aclamou, à bandeira russa, à minha família».
Russia’s national anthem was played at the Paralympics for the first time since 2014
— NEXTA (@nexta_tv) March 9, 2026
It was played after alpine skier Varvara Voronchikhina won the super-G event.
The athlete brought Russia its first gold medal at the 2026 Games. At these Paralympics, the Russian team is… pic.twitter.com/ZSScyxSGMQ
O ministro russo dos Desportos, Mikhail Degtyarev, celebrou o momento na rede social Telegram: «Parabéns a Varvara Voronchikhina pela primeira medalha de ouro da Rússia nos Jogos Paralímpicos. O hino russo ressoa».
Um regresso difícil
Para a jovem esquiadora, o caminho até esta medalha foi árduo. Voronchikhina recordou a sua experiência nos Jogos de Pequim, há quatro anos, de onde foi enviada para casa após a exclusão dos atletas russos. «Estávamos em Pequim, eu tinha feito o meu terceiro treino e, depois, tivemos de regressar», lembrou. «Foi muito difícil para nós [desde 2022], pois só treinávamos na Rússia e era-nos impossível vir para Itália».
«Não conseguimos preparar-nos adequadamente [para esta competição] e estou muito feliz com esta medalha».
A cerimónia de entrega de medalhas decorreu sem incidentes, com os poucos adeptos russos presentes a entoarem o hino e a agitarem as suas bandeiras. A vice-campeã paralímpica, a francesa Aurélie Richard, já tinha manifestado uma postura de respeito: «Cada atleta defende as suas cores, o seu país. Vamos ouvir e respeitar o seu hino».
Também Aleksei Bugaev, uma das estrelas do paraesqui russo, expressou a sua satisfação após conquistar o bronze na prova de descida no sábado. «Foi uma das medalhas mais difíceis de ganhar na minha carreira. Mas estou feliz por poder representar novamente o meu país. E estamos felizes por poder competir em pé de igualdade», afirmou o tricampeão paralímpico.
Pavel Lysenkov, jornalista do meio de comunicação russo Match TV, destacou a importância do momento para o seu país, descrevendo-o como «uma notícia muito grande para toda a Rússia hoje. É ainda mais importante do que o futebol ou o hóquei no gelo». O jornalista, que viajou para Itália através da Turquia e de França, relatou um ambiente «belo e sereno», sem hostilidade por parte do público ou de outros atletas.
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