As seis modalidades nos Jogos Paralímpicos de Inverno
A emoção dos desportos de inverno continua com os Jogos Paralímpicos de 2026, que se realizam em Milão e Cortina d'Ampezzo, Itália, no mesmo palco dos JO2026, evento que terá a duração de nove dias, terminando a 15 de março.
A 14.ª edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno, que começa sexta-feira, marca a estreia de Portugal na competição, com o snowboarder Diogo Carmona, 50 anos depois da primeira edição, que decorreu Ornskoldsvik, na Suécia, em 1976, e 20 após a primeira passagem por Itália - Turim 2026. Os Jogos vão contar com 79 eventos medalháveis, de seis modalidades: esqui alpino, biatlo, esqui cross-country, hóquei no gelo, snowboard e curling, com a estreia da prova de pares mistos no curling adaptado.
🔥 The Paralympic Flame has arrived in #Cortina - and here it is in the hands of @Steficurling, bronze medalist in Curling Mixed Doubles at #MilanoCortina2026! 🥌#Paralympics #TorchRelay2026 #Constantini pic.twitter.com/vfJabu9Zdk
— Milano Cortina 2026 (@milanocortina26) March 3, 2026
A cerimónia de abertura está marcada para esta sexta-feira, na Arena di Verona, o mesmo local onde decorreu o encerramento dos Jogos Olímpicos e embora a competição oficial arranque neste dia, as rondas preliminares de curling em cadeira de rodas já começaram.
Este ano estarão presentes em Itália 612 atletas de 55 nacionalidades diferente e desde 1992 que os Jogos Paralímpicos de Inverno se realizam nas mesmas cidades anfitriãs que os Jogos Olímpicos. As competições estarão distribuídas por cinco locais no nordeste de Itália.
All eyes on the house 🥌 Here are ten wheelchair curlers to look out for at the Milano Cortina 2026 Paralympic Winter Games.https://t.co/t3E37z6rdP#Paralympics #WheelchairCurling pic.twitter.com/EH0xEoHHES
— Paralympic Games (@Paralympics) March 2, 2026
O esqui alpino adaptado, com velocidades que podem atingir os 100 km/h, é uma das modalidades fundadoras dos Jogos Paralímpicos de Inverno, presente desde a primeira edição em 1976. As cinco provas — Downhill, Super-G, Slalom, Slalom Gigante e Super Combinado — dividem os atletas em três categorias: em pé (para atletas com deficiências físicas, como perda de membros ou problemas de coordenação), sentados (para atletas com deficiências nos membros inferiores, como paralisia) e com deficiência visual. Os esquiadores sentados utilizam mono-skis, enquanto os atletas com deficiência visual contam com um guia que os orienta através de comunicação por rádio ou altifalante.
From @TheAthletic: Who took the stones? And how did they get them out?
— The New York Times (@nytimes) March 5, 2026
The Paralympics have barely started but there’s already a whodunit sweeping the world of curling. Two curling stones were apparently stolen the day before the competition began. https://t.co/DLXDCltdFs
O biatlo adaptado combina a resistência do esqui de fundo com a precisão do tiro. Em Milão e Cortina, haverá três provas masculinas e femininas: perseguição sprint, 7,5 km sprint e 12,5 km individual. Os atletas, divididos nas mesmas categorias do esqui alpino, percorrem o percurso várias vezes e, entre cada etapa, têm de acertar em alvos a 10 metros de distância. As falhas resultam em penalizações de tempo. Os atletas com deficiência visual utilizam um sistema de sinais acústicos que os ajuda a localizar o alvo.
Exigindo uma enorme resistência, o esqui de fundo adaptado está aberto a atletas com deficiências físicas e visuais. A modalidade consiste em atravessar um percurso com neve, declives e colinas, sendo uma prova de grande exigência física e mental. O para-esqui de fundo terá vinte eventos de medalhas em Milão-Cortina. As competições incluem estilo clássico, estilo livre, sprint, partida por intervalos, bem como estafetas mistas e abertas.
Os atletas com deficiências físicas são divididos em categorias de pé ou sentados. Os esquiadores de pé utilizam duas técnicas: o estilo clássico, com os esquis a moverem-se em paralelo, e o estilo livre, onde se impulsionam de forma semelhante à patinagem de velocidade. Já os esquiadores sentados, que competem apenas no estilo clássico, usam um assento adaptado sobre os esquis e dependem da força excecional da parte superior do corpo para percorrer o percurso. Tal como noutras modalidades, os atletas com deficiência visual são auxiliados por um guia, com quem comunicam via rádio ou altifalantes.
🎤 Chiara Bersani x the Opening Ceremony of the Paralympic Winter Games Milano Cortina 2026.
— Milano Cortina 2026 (@milanocortina26) March 5, 2026
A performer and author among the most distinctive voices in contemporary Performing Arts, she moves across experimental theatre and contemporary dance with a radical and personal vision.… pic.twitter.com/OeniyNM46R
O para-hóquei no gelo é uma modalidade de grande intensidade, destinada a atletas com deficiências nos membros inferiores, como lesões na medula ou amputações. Os jogadores utilizam um trenó com duas lâminas e dois sticks, que servem tanto para se impulsionarem no gelo como para manusear o disco.
O jogo é disputado por duas equipas de seis jogadores cada (incluindo o guarda-redes), com o objetivo de marcar o maior número de golos na baliza adversária. As partidas são compostas por três períodos de quinze minutos. Para competir, os atletas precisam apenas de cumprir o requisito mínimo de deficiência, existindo apenas um nível de classificação. Curiosamente, apesar de ser um desporto misto nos Jogos Paralímpicos, apenas três mulheres competiram a este nível até hoje.
O para-snowboard é uma das modalidades mais rápidas e espetaculares, com competições masculinas e femininas em duas disciplinas: banked slalom e snowboard cross. Este desporto é exclusivo para atletas com deficiências físicas, divididos em três classificações: SB UL, SB LL1 e SB LL2.
A sigla SB refere-se a Snowboard, enquanto UL (Upper Limb) designa atletas com deficiências nos membros superiores, que dependem do tronco e das pernas para o equilíbrio. As categorias LL1 e LL2 (Lower Limb) agrupam atletas com deficiências nos membros inferiores, como amputados. Os atletas LL2 têm uma deficiência mais ligeira que os LL1, permitindo maior controlo. É permitido o uso de próteses ou equipamento modificado. O para-snowboard foi introduzido nos Jogos de Sochi em 2014.
3/ Russian “athlete” #WarCriminal at @Paralympics
— Global 🇺🇦 Voice 🇺🇸 (@HpyNtlya) March 5, 2026
👉Anton Pavlovich Bushmakin — member of the national team in para-canoe and kayak; also a sapper and former marine who took part in combat near Avdiivka in Donetsk Oblast. He appears in the documentary Step Forward, where he… pic.twitter.com/bVCMzXC55T
O curling em cadeira de rodas é praticado por atletas com deficiências físicas nos membros inferiores, como amputados, pessoas com lesões na medula ou paralisia cerebral. Existe apenas uma classe de elegibilidade, a WC-E.
As regras são quase idênticas às da disciplina olímpica, com uma diferença fundamental: não é permitido varrer o gelo. Em vez disso, os competidores lançam a pedra a partir de uma cadeira de rodas estacionária. As equipas são mistas, competindo em duplas ou em equipas de quatro jogadores. Os jogos consistem em oito "ends". No final de cada "end", a equipa com a pedra mais próxima do alvo vence. Desde a sua estreia nos Jogos Paralímpicos em 2006, o Canadá é o único país que conquistou medalhas em todas as edições.
Em termos desportivos, a Áustria, com um total de 345 medalhas, os Estados Unidos, com 335, e a Noruega, com 334, figuram no topo das nações mais premiadas, mas na última edição, a jogar em casa nos Jogos Pequim2022, a China, que não figurava no medalheiro conseguiu um número histórico de 61 subidas ao pódio.
Em 2030, seis anos depois de ter sido palco dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Verão, França volta ao calendário das grandes competição, recebendo nos Alpes, os Olímpicos e Paralímpicos de Inverno.