Pavlidis
Pavlidis - Foto: IMAGO

As notas do Benfica: só há um grego neste Cavalo de Troia

Pavlidis marcou e ameaçou, quase sozinho, claramente desamparado numa equipa rica em asneiras e desinspiração
A figura: Pavlidis (7)
Não precisou de 5 minutos para ameaçar a baliza minhota, desviando com perigo, em zona frontal, bola perfeita de Dedic, obrigando Hornicek a trabalhar. Serviu com oportunidade Richard Ríos aos 16', deixando o colombiano em posição de disparar, e manteve-se sempre ligado ao jogo, mesmo na primeira parte fraquinha da equipa. Na segunda voltou mais forte, à boleia de mais algum apoio, sobretudo de Prestianni, sofrendo e convertendo penálti do 1-2, que relançava a equipa. De cabeça, por duas vezes, e com os pés outras tantas, ainda fez sonhar os benfiquistas, mas o grego vai sozinho no Cavalo de Tróia do Benfica. Mesmo quando chega à zona de decisão raramente tem apoio para fazer estragos na defesa adversária. Antes do jogo, pediu futebol ofensivo e dominador, mas não foi o que teve.

Trubin (6) — Primeira parte dramática, sem erros ou méritos, somente duas viagens para ir buscar a bola ao fundo das redes. No lance do segundo golo, perante Zalazar, ainda tropeçou/escorregou face ao mau estado do relvado, mas só ele saberá se isso influenciou a saída da baliza e a mancha. Bem diferente, todavia, foi a segunda parte, pois começou a trabalhar logo aos 52', atirando-se para desviar bola de golo de Pau Víctor. Ainda defendeu a bola desviada pelo corpo de Tomás Araújo, mas Lagerbielke foi mais rápido e confirmou o 3-1, ali mesmo em frente ao ucraniano.

Dedic (5) — Belo cruzamento para Pavlidis, ao minuto 4, oferecendo na perfeição a oportunidade de fazer o primeiro golo. Numa primeira parte paupérrima da equipa, destoou, mantendo o seu flanco ligado, ajudando a equipa a chegar à área. Com o andamento da partida também a chama do bósnio foi desaparecendo, mais a mais com trabalho para fazer lá atrás.

Tomás Araújo (3) — Que noite. Para começar, abordagem errada no 0-1. Otamendi estava desposicionado (tinha ido à linha fazer o lugar de Dahl) e Tomás não se limitou a marcar Pau Víctor, procurou a antecipação, lendo mal a jogada. Não conseguiu, foi enganado, perdeu, golo do SC Braga. Reapareceu bem, com um belo passe para Dahl ao minuto 30, uns 50 metros, direitinho. Evitou, aos 65', o 1-3, intercetando bola de Fran Navarro que já tinha passado por Trubin e ia para a baliza, mas na origem do lance está mais uma desatenção. Não era mesmo o jogo de Tomás Araújo, como se viu no 1-3. Quase fazia autogolo, sem responsabilidade, pois a bola desviou no corpo dele e seguiu para a baliza, onde Trubin defendeu. O problema foi a recarga de Lagerbielke.

Otamendi (3) — Ao minuto 9 derrubou Zalazar e por um triz não fez penálti, mas tinha o pé de fora da área. Viu um cartão amarelo inibidor e pagou o preço de uma asneira de Aursnes, cujo erro possibilitou o ataque minhoto. Abordagem claramente falhada no lance do 0-2, demasiado brando na tentativa de desarme de Zalazar, provavelmente condicionado pelo tal amarelo. Foi competitivo, foi errando e acertando, mas perdeu a cabeça perto do final, protestando como não podia e vendo o segundo amarelo e o vermelho. Expulso e fora do clássico com o FC Porto para a Taça de Portugal.

Dahl (4) — Por uma ou duas vezes procurou visar a baliza, sempre com a bola a ficar a meio caminho, e muitas dificuldades para manter seguro o seu flanco, onde aconteceram cavalgadas épicas de Zalazar e não só.

Ríos (6) — Belo remate aos 16', errando por pouco a baliza, bom cruzamento aos 40', disparo violento de longe, aos 73', obrigando Hornicek a defender a dois tempos. Momentos de um jogo de sacrifício, em que esteve praticamente sozinho no meio-campo do Benfica.

Manu (3) — Lento, pesado, fora de forma, a passar ao lado do jogo e dos lances de perigo minhotos.

Aursnes (4) — Perdeu a bola em zona perigosa, bem perto da sua área, ao minuto 9, e daí resultou um cartão amarelo para Otamendi e quase nasceu penálti para o SC Braga. Aos 31' disparou duas vezes, na segunda fez a bola sair por cima da trave, e raramente apareceu com qualidade. Lento, parece estar mesmo a precisar de descanso.

Barreiro (5) — Apareceu a trabalhar bem a bola por mais do que uma vez no primeiro quarto de hora, mas foi depois combinando boas e más ações, irritando a plateia. Aos 48' ganhou falta em zona perigosa, mas estava claramente em fora de jogo, não assinalado. O trunfo maior do seu jogo são as pernas e a pressão ofensiva e defensiva que poucos na equipa acompanham.

Sudakov (4) — Logo ao minuto 4', uma recarga para as mãos de Hornicek. No 0-2, gritante falta de velocidade, perdendo para Zalazar em toda a linha numa corrida de 50 metros, mas também falta de vontade de fazer a falta. Livre direto deficiente aos 49' e mais remates na segunda parte, mas sem colocar dificuldades a Hornicek.

Prestianni (5) — Saltou do banco logo após o intervalo, com pilhas, com energia, com talento, influenciando positivamente a equipa. Belo cruzamento aos 54' e boa combinação com Pavlidis no lance do 1-2. Aos 68' viu amarelo, mas entrada a pés juntos sobre Ricardo Horta era para vermelho.

Sidny (5) — Entrou aos 64', um disparo à baliza, um bom cruzamento. Queria ação.

Ivanovic (4) — Entrou aos 80' e não alterou a ordem das coisas.