Artem Nych antevê a Volta a Portugal «mais difícil» dos últimos anos
O ciclista russo Artem Nych, da Anicolor-Campicarn, antecipa que a sua quarta participação na Volta a Portugal será a «mais difícil», depois de ter vencido as edições de 2024 e 2025. O percurso deste ano, com 1.430 quilómetros entre Lisboa e Porto, apresenta novidades que, segundo o atleta de 31 anos, poderão aumentar o grau de exigência.
«O percurso está muito diferente dos anos anteriores. Estou habituado a ter o contrarrelógio no final e, este ano, temos um a meio da corrida», afirmou Nych em declarações à Lusa. O bicampeão em título destacou ainda outros pontos de grande dureza: «As duas passagens na Senhora da Graça também vão ser muito exigentes e desafiantes, e a etapa da Torre vai ser mais dura, com mais acumulado. Sinto que vai ser a Volta mais difícil que fiz nos últimos anos».
Recorde-se que Nych conquistou a camisola amarela em 2024 com uma vantagem de 1 minuto e 23 segundos sobre Colin Stüssi (Vorarlberg) e, no ano seguinte, superou o colega de equipa Alexis Guérin por 1 minuto e 15 segundos. Em 2023, o ciclista russo tinha terminado a prova no quarto lugar.
A edição de 2026 traz alterações significativas no calendário das etapas decisivas. A subida à Torre, na quarta etapa, terá uma altimetria acumulada de 4.040 metros, superior aos 3.381 metros de 2025. Segue-se um contrarrelógio individual de 17,4 quilómetros entre Anadia e Águeda, uma mudança face aos anos anteriores, em que a prova contra o cronómetro encerrava a competição.
A inédita dupla ascensão ao Monte Farinha, na Senhora da Graça, e uma etapa em linha no último dia, entre Maia e Porto, são outros fatores que podem baralhar as contas. «A Senhora da Graça pode mudar por completo ‘o jogo’, mas a Volta tem 11 dias de corrida, e, por isso, tudo pode acontecer», salientou Nych.
Apesar da pressão, o ciclista siberiano, que estagiou na Sierra Nevada com a sua equipa, prefere não criar grandes expetativas. «Não gosto de criar expectativas. Prefiro pensar que tenho de dar o meu melhor em cada etapa. Se, no final, a junção de tudo resultar em vitória, então o objetivo principal foi cumprido», explicou, afastando a ideia de igualar o feito de Joaquim Agostinho e David Blanco, os únicos a vencerem a Volta por três vezes consecutivas.
O corredor, campeão de fundo da Rússia em 2021 pela extinta Gazprom-RusVelo, acredita que a Anicolor-Campicarn está preparada para «dar tudo» e lutar por novo triunfo, embora reconheça a qualidade do pelotão. Nych elogiou ainda a presença da UAE Emirates, a única equipa do WorldTour em prova. «É muito bom ter uma das melhores equipas do mundo a correr a Volta. Ter adversários assim vai ajudar-me a testar-me e a dar tudo em cada etapa», concluiu.
A 87.ª edição da Volta a Portugal arranca na quarta-feira com um prólogo de 6,5 quilómetros em Lisboa, contando com 119 ciclistas pré-inscritos, distribuídos por 17 equipas.