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«Arbitragens? Não me lembro de um clube tão prejudicado como o Benfica!»

Rui Costa recorda mágoa que fica da última temporada

Questionado sobre a influência das arbitragens nos resultados da última temporada, Rui Costa, presidente do Benfica, deu resposta longa.

Época atípica

«Bom, a época correu mal. Foi uma época do Benfica que foi atípica em muitos aspetos. E falando aqui um bocado da época também e justificando-a aos adeptos do Benfica: é uma época atípica em vários aspetos. Nós agora estamos aqui a falar desta situação da Liga Europa que nos vai fazer antecipar a pré-temporada. Nada é mais preocupante do que aquilo que aconteceu no ano passado. Desde logo, a forma como ela começou, vindo do Mundial e começando a competir passados 15 ou 20 dias, sem descanso, sem férias, sem pré-temporada. Isso custou-nos bastante, muito mais do que aquilo que é o período que mudei agora para começarmos a pré-temporada.»

Erros próprios

«Nessa altura, tivemos um foco muito grande nas duas competições que tínhamos pela frente no imediato. Portanto, sem as férias e sem a pré-temporada, fomos quase do Mundial diretos para a Supertaça e para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões — um objetivo de enorme importância para o clube e que foram ambos alcançados, mas que levou a uma dureza e a um sacrifício enorme da parte dos atletas e de toda a estrutura, porque ninguém conseguiu desligar de uma temporada para a outra. Isso acabou por nos fazer pagar a fatura depois de conseguirmos a entrada na Liga dos Campeões. Tivemos aqui uma descarga enorme, quer física, quer mental, que nos custou bastante depois em alguns jogos do campeonato. Durante o campeonato tivemos erros que não podíamos ter tido. Portanto, voltando ao que é atípico, acaba por ser atípico um clube acabar um campeonato sem derrotas e terminar em terceiro lugar, mas é evidente que um clube que joga para ser campeão não pode ter 11 empates durante um ano e perder 12 pontos em casa. Ficámos praticamente afastados do título precisamente por esses nossos erros, de muitos empates e sobretudo em casa, em momentos cruciais, que não podiam ter acontecido e que nos fizeram correr contra o tempo. E aí a responsabilidade é totalmente nossa e não poderia ter acontecido.»

Arbitragens

Agora, se nós cometemos muitos erros durante o ano que nos prejudicaram — e não posso fugir deles —, também não podemos escamotear tudo aquilo que se passou em termos da arbitragem. Não me escondo atrás da arbitragem para justificar uma época negativa, mas também não posso, por ter tido uma época negativa, esquecer-me daquilo que foi feito em termos de arbitragem este ano. Eu não me lembro, sinceramente, de um clube ter sido tão prejudicado durante um ano como foi o Benfica este ano. Nunca. E se isso teve implicações na classificação final, claro que teve. E não podemos ficar indiferentes a isso. Repito aquilo que disse: não me vou esconder e não vou dar desculpas de uma má época, que a assumo e pela qual até me responsabilizo e peço desculpa, mas também não posso esconder o facto de que aquilo que se passou em termos de arbitragem não pode ser esquecido, porque nós cometemos outros erros que nos condicionaram a classificação final. Foi um ano em que os casos foram muito flagrantes e vocês próprios, enquanto imprensa, foram comentando esses casos ao longo da temporada e ao longo dos prejuízos que o Benfica ia tendo nos seus próprios jogos.»

Exigência para a nova época

«Portanto, aquilo que nós pedimos e exigimos é que o Benfica seja respeitado como o que é e que o próximo ano seja bem diferente do que foi este ano. Já tínhamos vindo de uma Taça de Portugal da maneira como tínhamos vindo, e aquilo que se passou no ano passado chegou a roçar o escandaloso, como foi o caso de Famalicão, pelo qual me deram 45 dias de castigo com os quais vou ter de levar. E o árbitro que apitou aquele jogo ainda ontem estava a fazer de quarto árbitro.»

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