Sean Dyche, antecessor de Vítor Pereira no Nottingham Forest
Sean Dyche, antecessor de Vítor Pereira no Nottingham Forest - Foto: IMAGO

Antecessor de Vítor Pereira critica: «Teríamos ficado em 12.º lugar na Premier League»

Sean Dyche fala em «guerreiros do teclado» após despedimento do Nottingham Forest, relembrando que a sua antiga equipa está agora a um ponto da despromoção ao Championship

Sean Dyche, demitido do Nottingham Forest em meados de fevereiro, atribuiu aos «guerreiros do teclado» a criação de uma narrativa falsa sobre o seu período no clube. O treinador de 54 anos foi dispensado pelo proprietário Evangelos Marinakis, que temia a despromoção da Premier League e contratou Vítor Pereira para o seu lugar.

Dyche tinha sido nomeado em outubro, tornando-se o terceiro treinador de uma época caótica para o Forest, depois de Nuno Espírito Santo e Ange Postecoglou. No momento da sua saída, a equipa ocupava o 17.º lugar da Premier League, com apenas três pontos de vantagem sobre o West Ham, a primeira equipa na zona de despromoção.

Três semanas após o seu despedimento, a situação do Nottingham Forest agravou-se, encontrando-se agora com os mesmos pontos que os Hammers, apesar de um empate meritório a duas bolas contra o Manchester City na passada quarta-feira. Dyche, que somou 10 vitórias em 25 jogos, sente-se claramente injustiçado com a decisão.

Em declarações ao podcast The Football Boardroom, o técnico defendeu o seu trabalho com base em dados estatísticos. «Bem, eu não entendo [o despedimento], estatística e factualmente, sem qualquer emoção. Se olharmos para as estatísticas e para os factos, mesmo depois do último jogo, contra o Wolverhampton, a nossa forma atual na altura era a nona melhor da Premier League», afirmou.

O treinador reforçou a sua análise: «Os dados e os factos estavam lá, claros como o dia. Pelo meu registo, desde que chegámos até ao fim, teríamos ficado em 12.º lugar na Premier League. Portanto, com base em dados e análises factuais, não consigo compreender nenhuma das decisões que foram tomadas. Mas o futebol está a mudar, e nós testemunhámos isso», atirou.

Dyche criticou também a perceção irrealista de alguns adeptos, influenciada pelas redes sociais. «O panorama geral do futebol atualmente é totalmente inútil. As pessoas inventam estas histórias sobre 'nós somos este clube'. E tu pensas: 'Não, não são. Tiveram uma boa época em mais de 30 anos'. Tenta-se lembrar aos adeptos a verdade do que o clube é, em vez daquilo que eles pensam que é. É aqui que os guerreiros do teclado se tornam muito poderosos. É muito difícil hoje em dia», lamentou.

O técnico apontou ainda o dedo a uma fação de adeptos por espalharem o boato de que sobrecarregava os jogadores nos treinos, uma crítica que considera infundada. «Fico a coçar a cabeça. Eu e a minha equipa técnica pensávamos: 'Bem, temos todos os dados, as estatísticas e os factos'. Éramos a equipa com o pior desempenho físico da Premier League quando assumimos. Então, o que queriam que eu fizesse? Que não os pusesse em forma? Quer dizer, é uma loucura, não é?», questionou.

Apesar da sua frustração, Dyche fez questão de isentar o proprietário do clube de qualquer animosidade pessoal. «Preciso de deixar isto claro, é muito importante para mim como pessoa do futebol e como pessoa: o Sr. Marinakis foi sempre correto e direto comigo», disse. «A sua decisão final é estranha, mas como pessoa, para comigo, não tenho queixa alguma. Nem do seu filho, Miltos, nem dos restantes dirigentes», concluiu.