Sexo, droga e crime: os detalhes do escândalo no futebol italiano
Um alegado esquema envolvendo futebolistas, empresários e figuras públicas está a abalar o futebol italiano, com detalhes da investigação a revelarem uma rede organizada de festas privadas com serviços de acompanhantes de luxo em vários pontos de Milão.
A operação era promovida através de uma agência, que organizava jantares e eventos exclusivos, muitas vezes seguidos de encontros em discotecas e hotéis de cinco estrelas. Viagens também eram organizadas, principalmente para a ilha grega de Mykonos. A organização começou a promover eventos noturnos em 2019 e continuou a fazê-lo mesmo durante a pandemia da COVID-19. «Trabalhávamos quase todas as noites, mesmo durante o confinamento», contou uma testemunha, citada pela Gazzetta dello Sport.
Entre os clientes surgem futebolistas profissionais, mas também outros desportistas, empresários e até um piloto de Fórmula 1. «Tenho um amigo piloto de Fórmula 1 que quer uma rapariga paga, conseguimos arranjar?», questiona uma das mensagens intercetadas. «Envio-lhe a brasileira», surge como resposta.
Segundo a investigação, as jovens eram incentivadas a manter relações sexuais com os convidados a troco de dinheiro, com a organização a reter cerca de metade dos valores. «No decurso das noites, as jovens eram convidadas a ter relações a troco de dinheiro com os hóspedes», pode ler-se no processo. Algumas viviam mesmo na sede da empresa e pagavam renda pelos quartos.
O caso revela também episódios mais delicados, como o de uma jovem que terá engravidado após um encontro com um jogador. «Não digas a ninguém… fiz o teste e estou grávida há mais de três semanas», escreveu numa conversa divulgada pelas autoridades. As escutas fazem ainda referência ao consumo de «gás hilariante» durante as festas.
O esquema terá envolvido mais de uma centena de mulheres. Os principais suspeitos foram colocados em prisão domiciliária, enquanto os nomes dos clientes - incluindo vários futebolistas - permanecem, para já, sob sigilo.