Treinador dos leões comenta a temporada do clube

Não há egos, resposta a Farioli e o contrato: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting analisou na sala de imprensa do Dragão o empate que confirmou o apuramento dos leões para a final da Taça de Portugal

Aquela última defesa do Rui Silva e os abraços dos jogadores agregam o que foi a época do Sporting, tendo perdido mais dois jogadores neste jogo?

— Isso espelha aquilo que é a força, a amizade e a família que é este grupo. Por isso, é muito por aí. É uma época em que nos têm acontecido alguns infortúnios em termos de lesões, o que nos condiciona de alguma forma e, principalmente, nesta reta final, pela exigência dos jogos que temos tido. Mas, mesmo assim, a equipa deu uma resposta fantástica. Uma primeira parte boa da nossa parte, melhor que o FC Porto. E uma segunda parte melhor do FC Porto do que do Sporting. Soubemos sofrer em alguns momentos naquilo que é a parte defensiva, sempre muito bem organizados, coesos, competitivos, com muita entreajuda e muita comunicação. E soubemos defender bem na segunda parte, após uma primeira parte em que controlámos o jogo com bola e penso que acabámos por ser melhores. É uma grande defesa do Rui, mas antes disso há uma grande defesa do Diogo Costa. Por isso, são dois grandes guarda-redes.

Perde o Gonçalo Inácio e Hjulmand. Ainda assim, a postura da equipa foi muito madura. Isso é a prova de que, mesmo sem os dois capitães, a equipa conseguiu ir buscar forças?

- São jogadores importantíssimos, dois líderes dentro e fora de campo. Dois jogadores importantes naquilo que é a dinâmica que dão ao coletivo, jogadores que marcam a sua presença dentro de campo, cada um à sua maneira. Mas, volto a dizer, a malta que joga, a malta que entra... Já ganhámos com toda a gente e já ganhámos sem toda a gente, entre aspas. Porque já jogámos sem o Morten, já jogámos sem o Inácio, já jogámos sem o Luís [Suárez] e ganhámos na mesma, com maior ou menor dificuldade. Perdem-se algumas coisas, ganham-se outras. É o futebol. Por isso é que digo sempre que nunca me lamento, porque eles vão cumprir e vão fazer. E depois acreditam muito uns nos outros, não há egos. Aqui toda a gente respeita toda a gente e toda a gente reconhece o valor de todos, e isso é a força deste grupo. É o respeito e a amizade que têm uns pelos outros e o reconhecimento, acima de tudo, da qualidade uns dos outros. Por isso, a equipa tem demonstrado essa maturidade ao longo de toda a época. E isso deixa-me feliz, porque, volto a dizer, demonstra bem aquilo que é a força deste grupo e, por algum motivo, são campeões nacionais.

Olha para esta final no Jamor como tábua de salvação da época? Poderá ser sinal de que irá também renovar com o Sporting?

-Tenho contrato até 2027. Sou muito feliz no Sporting. O reconhecimento e a confiança existem desde o primeiro dia. Percebo o vosso lado, mas isso passa-me completamente ao lado. Estou muito feliz no Sporting, continuarei feliz no Sporting, por isso, muito tranquilo nesse sentido. Já disse que a Taça não era nenhuma salvação. Oriento-me para aquilo que é a grandeza do clube que represento e para a felicidade que tenho em representá-lo. E foco-me muito naquilo que é o meu trabalho. O primeiro objetivo de um grande clube é estar presente nas disputas finais dos troféus. O campeonato está mais difícil, mas ainda estamos nele matematicamente. É possível e jamais me dou por vencido. Vamos à luta dentro daquilo que é possível. Estamos nessa disputa final. Na Taça, estamos na final. Fizemos uma grande Champions. A única mágoa é a meia-final da Taça da Liga, também com todas as contingências que nos aconteceram até então em termos de lesões. Não são os troféus que vão definir aquilo que é a qualidade do processo. O processo é muito bom e isso é reconhecido diariamente por todos. Claro que depois queremos acrescentar troféus, os grandes clubes querem ganhar. Mas o primeiro objetivo é estar lá. Por isso, não tem a ver com salvação, tem sim com um objetivo: estar numa final onde o troféu é nosso. Até ver, ainda é nosso e queremos muito continuar com ele. Por isso, conseguimos um primeiro objetivo, estar na final, e ainda temos mais um jogo pela frente.

Com esta passagem à final, sente que o mais difícil foi feito, mesmo estando do outro lado o Fafe ou o Torreense? O que aconteceu na chegada da equipa ao Dragão?

-Sinceramente, nem me apercebi, nem vou estar focado nisso, no que se passou ali. Em relação à primeira parte da pergunta: não sei quem será, mas, independentemente disso, tenho um respeito enorme, porque já estive do outro lado, sei de onde vim, volto a dizer, e o quanto sonhava disputar uma final da Taça de Portugal, e o quanto as equipas de escalões inferiores se engrandecem perante as equipas da I Liga, principalmente equipas grandes. Sei bem das dificuldades que vamos ter. Lembro-me bem de que o primeiro jogo que tivemos este ano ganhámos no prolongamento ao Paços de Ferreira, que é uma equipa da Liga 2 e que está a lutar pela sobrevivência. Por isso, sei muito bem das dificuldades. É um jogo de final da Taça, onde vão estar duas equipas merecedoras de lá estar, e vai ser disputado. E não tenho dúvidas nenhumas de que vai ser muito bem disputado pelas duas equipas.

Esperava esta tensão à volta do clássico? Há um momento do jogo em que a PSP se aproxima do banco do Sporting? As paragens do Rui Silva tiveram a ver com querer impor quebras no jogo?

-Teve a ver com o Rui Silva, que acabou o jogo com problemas físicos. Tão simples quanto isso. Em relação ao banco, é natural a tensão. São duas grandes equipas a disputar um acesso à final. O público a jogar em sua casa. É natural que exista tensão, que exista esta intensidade vivida de parte a parte. Por isso, acho que são coisas naturais do jogo, desde que não ultrapassem os limites do razoável, digamos.

- Era mais importante não sofrer golos do que marcá-los? Foi por isso que não utilizou Rafael Nel, quando Suárez parecia muito cansado? Considerando o esgotamento físico do Sporting, o que espera da sua equipa nas últimas quatro jornadas?

-Eu queria ganhar. E a primeira parte foi demonstrativa disso. Agora, é natural que fôssemos caindo em termos físicos um bocadinho na segunda parte. Em relação às substituições, ficámos ali um bocadinho presos também com as duas paragens obrigatórias que tivemos de fazer... digo que não foi obrigatório, mas, sim, obrigatório por algumas lesões, infelizmente, do Inácio e do Morten. Só já tinha mais uma paragem para três substituições. Estava o Luís esgotado, estava o Trincão esgotado, estava o Maxi esgotado, estava o Quaresma esgotado e só podia meter três. Por isso, falei com o Luís e ele disse que ia até ao fim e foi. E muito bem: lutou como ninguém também pela equipa, pelo grupo, e deu tudo em campo.

- O Quenda voltou a ser titular depois da lesão. Como o sentiu para o colocar no onze e se já o sente em bom nível?

- Sinceramente, acho que até surpreendeu. Esteve a um nível muito bom, fez um bom jogo, um belíssimo jogo com e sem bola. Era até expectável jogar menos tempo, só que a energia dele ainda estava bastante razoável e boa, e mantivemo-lo mais alguns minutos. Esteve até acima do expectável.

O treinador do FC Porto disse que o Sporting veio ao Dragão perder tempo. Que opinião tem dessas palavras?

— Foi no Porto Canal? São opiniões. Não tenho nada a dizer, apenas disse que foi uma primeira parte boa do Sporting com bola, uma segunda parte melhor do FC Porto com bola e um jogo bastante competitivo.

Quão atento vai estar ao outro jogo da meia-final?

— Vou descansar e focar-me no Aves SAD. Com todo o respeito pelo Torreense e pelo Fafe, acho que qualquer uma que ganhe é merecedora de estar na final e estarei muito mais focado naquilo que é o meu trabalho e naquilo que é o próximo jogo do campeonato, porque queremos muito vencer e temos tido grandes contrariedades.

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