Anexação da Gronelândia pelos EUA pode beneficiar o futebol da maior ilha do Mundo
A maioria dos habitantes da Gronelândia opõe-se às pretensões de Donald Trump de anexar a ilha e de a tornar num território norte-americano. Mas a seleção da maior ilha do Mundo pode ver essa possibilidade com outros olhos. Tudo pelo objetivo de que o território seja reconhecido como uma seleção pela FIFA e possa participar em jogos de qualificação para o Mundial.
A Gronelândia já tinha feito um pedido para se juntar à Confederação das Associações de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas (CONCACAF), pedido esse que foi rejeitado em junho passado, mas que poderia ser revisto, caso a ilha passasse a fazer parte do território norte-americano. Mas para já, a seleção da Gronelândia não é reconhecida, remetendo-a à disputa de jogos particulares com equipas amadoras.
«Fomos rejeitados e não sabemos o motivo. Podemos especular sobre várias razões. Penso que terá sido uma questão financeira. Sabemos que a Gronelândia é muito distante e isolada, por isso é difícil e caro chegar cá», disse Patrick Frederiksen, capitão da seleção, ao The Sun.
Com uma população de 57 mil pessoas, a Gronelândia é a casa de 76 clubes e de 5.500 jogadores federados. Só que o clima faz com que apenas seja possível jogar futebol ao ar livre durante cinco meses do ano. Nos dias mais frios, a temperatura pode atingir os -55ºC.
Apesar de geograficamente estar mais próxima da América do Norte, a Gronelândia pertence à Dinamarca e por isso não pode ser reconhecido pela UEFA, que só aceita países totalmente independentes pelas Nações Unidas – as Ilhas Faroé (também pertencentes à Dinamarca) escaparam a este regulamento porque entraram na UEFA antes dele ser posto em prática.
Nesse sentido, se a Gronelândia fizesse de facto parte dos Estados Unidos, uma entrada na CONCACAF poderia ser reconsiderada pela Confederação.
No entanto, se tal se viesse a verificar não há garantias de a Gronelândia se pudesse juntar à CONCACAF, mas poderia dar exemplos de outros territórios que não são totalmente independentes e estão inscritos nesta Confederação. Tais como Saint Martin, Martinica, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Virgens Americanas e Montserrat.
No seu apartamento com vista para a capital, Nuuk, Patrick revela: «É o desporto mais popular na Gronelândia. Temos adeptos do Manchester United, Liverpool, Chelsea, Arsenal. A Premier League é muito seguida aqui.»
«Tudo o que sei é que queremos ser membros de algum lado, e o melhor para a Gronelândia é fazer parte da CONCACAF. Assim, os jogadores teriam um sonho pelo qual lutar e treinar», explica ao The Sun o selecionador da Gronelândia, Morten Rutkjaer: «Os nossos jogadores são muito bons. E só ficarão melhores quando tivermos competições para disputar. É um país completamente louco por futebol. Todos jogam em todo o lado. As crianças jogam no gelo, em campos interiores, exteriores, e falam de futebol a toda a hora.»
Não sendo profissional, Patrick trabalha num orfanato e também enfatizou a popularidade do futebol na ilha. «O futebol une as pessoas na nossa ilha. Juntamo-nos e há alegria e entusiasmo. Esperamos que a CONCACAF reconsidere e analise novamente a nossa candidatura. Significaria muito para a Gronelândia.» Para já, a esperança mantém-se, mesmo que tal passe por Donald Trump conseguir a anexação que tanto deseja.