Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: Miguel Nunes
Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: Miguel Nunes

André Villas-Boas: «Não é vitimização, é consciência histórica»

Presidente do FC Porto dá o mote para a nova temporada, lembrando que os dragões têm de «permanecer mais unidos do que os outros»

No editorial da mais recente edição da revista Dragões, André Villas-Boas lança o mote para o arranque da nova temporada.

«A época começa agora. Traz novas ambições, novos jogadores, novos projetos e dificuldades que conhecemos bem. Sabemos que, para alcançarmos os nossos objetivos, teremos muitas vezes de trabalhar mais, lutar mais e permanecer mais unidos do que os outros. Não é vitimização. É consciência histórica. É saber quem somos, o que representamos e aquilo que sempre nos foi exigido. Queremos uma grande época. Queremos honrar os títulos conquistados sem viver deles. Queremos defender o FC Porto com rigor, coragem e compromisso. E queremos voltar a dar aos nossos Sócios e Adeptos as alegrias que o seu esforço merece. Tudo recomeça. Menos a nossa ânsia de vencer», assinala o presidente dos campeões nacionais, deixando um apelo à manutenção da exigência já de olho no primeiro troféu da temporada: a Supertaça.

«A época passada terminou com títulos, festas e momentos que ficarão para sempre na nossa memória. Mas nenhuma conquista anterior vence o jogo seguinte. Nenhum troféu nos dá vantagem no primeiro duelo. Nenhuma celebração substitui o trabalho que temos novamente pela frente. Entramos na nova época com expectativas renovadas, mas com o mesmo compromisso de sempre: vencer. Um compromisso que exige rigor nos processos, intensidade no trabalho, disciplina, capacidade de superação e a consciência permanente de que o todo será sempre maior do que cada uma das partes», vinca AVB,

«A Supertaça Cândido de Oliveira marca o primeiro momento oficial da temporada. E começa logo com uma final. Do outro lado estará o Torreense, uma equipa que surpreendeu o país, mas certamente não se surpreendeu a si própria. Conquistou a Taça de Portugal com coragem, organização e uma crença que lhe permitiu alcançar um feito inédito no futebol português. O seu percurso merece respeito e diz-nos tudo sobre a dificuldade que encontraremos em Coimbra. Não há espaço para distrações, facilidades ou confiança construída sobre aquilo que fizemos no passado. Entraremos em campo conscientes da nossa responsabilidade, da qualidade do adversário e da exigência de uma final. Queremos conquistar a Supertaça, mas sabemos que só o poderemos fazer com concentração máxima, espírito coletivo e uma entrega à altura do símbolo que representamos», prossegue o presidente portista.

Villas-Boas refere, ainda, que a «união que marcou a última época» do FC Porto tem de ser «reconstruída» numa base diária: «A união que nos marcou na última temporada não pode ser apenas recordada. Tem de ser reconstruída todos os dias. No balneário, no Olival, no Dragão, na Direção, na Administração, em cada departamento e em cada bancada. Foi juntos que chegámos ao sucesso e será juntos que voltaremos a lutar por ele.»

Os três reforços da equipa A e mensagem aos jovens como... Cardoso Varela

André Villas-Boas aproveita o mesmo editorial para dar as boas-vindas aos reforços já assegurados, tanto para a equipa principal, como para os bês.

«Damos as boas-vindas ao Inbeom Hwang e ao João Afonso, jogadores que chegam com qualidade, ambição e vontade de se afirmarem no FC Porto. Saudamos também o regresso do André Silva, nove anos depois de ter deixado a casa onde cresceu e onde o seu golo começou. Regressar ao FC Porto é voltar a um lugar conhecido, mas é também assumir uma nova responsabilidade perante o seu clube de coração, um grupo novo e objetivos que se renovam», assinala o dirigente máximo dos dragões.

«Mame Niang, Eirik Granaas e Cardoso Varela representam outra dimensão do trabalho que estamos a desenvolver. São jogadores jovens, com talento e potencial, que projetamos no futuro do FC Porto. Não lhes colocamos o peso de promessas antecipadas. Damos-lhes estrutura, acompanhamento, exigência e a oportunidade de crescerem. O talento abre portas, mas só o trabalho, o carácter e a capacidade de compreender aquilo que significa ser Porto permitem atravessá-las. A todos os que chegam, uma mensagem simples: entram num clube campeão, mas não herdam nenhuma vitória. Terão de conquistar o seu espaço, respeitar os nossos valores e compreender que vestir esta camisola é um privilégio acompanhado por uma exigência diária», frisa Villas-Boas.

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