André Silva lembra a saída dos azuis e brancos e afirma que a ligação com os dragões é «especial»

André Silva e a cláusula mais baixa para o FC Porto: «Onde há fumo, há fogo...»

Avançado do Elche definiu o emblema azul e branco como «clube de coração» e referiu que a cláusula de rescisão, que, se for acionada pelos dragões, é de metade do valor, foi adicionada ao contrato porque o clube da Cidade Invicta é «diferente» para o internacional português

André Silva, avançado do Elche, falou em entrevista a A BOLA sobre a informação que foi divulgada relativa à cláusula de rescisão que tem no clube espanhol, que é de 50% do valor se for acionada pelo FC Porto. O internacional português referiu, em relação a essa cláusula, que «onde há fumo há fogo» e admitiu que o emblema azul e branco sempre foi «um clube diferente». O ponta de lança de 30 anos fez ainda uma análise às últimas duas épocas dos dragões e lembrou a saída do clube em 2017, para o Milan.

— Estando em Espanha, continua a acompanhar o futebol português e o FC Porto?

— Sim. Não escondo que o FC Porto é o clube do meu coração. É a cidade onde cresci, o clube com que mais me identifiquei pelas raízes que levo e torço pelo FC Porto.

— Que opinião dá sobre esta época do FC Porto?

— A nível futebolístico tem sido a equipa mais organizada e que mais mérito tem manifestado nos jogos. Neste momento está em primeiro, tem quatro pontos de vantagem. Têm tudo para continuar assim e merecem até ao momento.

— E o ano passado, mais atribulado, também acompanhou?

— Foi um pouco difícil, vendo de fora, pelo caos e pelo conflito que se passava. Mas penso que também era de esperar, porque vinha de uma trajetória enorme de um dos maiores presidentes do mundo, se não o maior, o mais titulado, Pinto da Costa, uma figura tão grande para o FC Porto, que deixou esse posto. Seria estranho se as coisas não tivessem levado a essas dificuldades. Mas penso que surpreendentemente também levou a um rumo bastante positivo, pela facilidade e pela rapidez com que as coisas voltaram a entrar nos eixos. Só um clube como o FC Porto teria essa capacidade.

— Há algum tempo falou-se da cláusula de rescisão que o André tem no Elche, que para o FC Porto será de 50% do valor. Esta cláusula existe?

— Não gosto de falar muito de situações contratuais, até pelo respeito que tenho pelo Elche. Mas, normalmente, onde há fumo, há fogo. Sei que essa notícia saiu. Deixo por aqui…

— Vou ter de insistir. Porque foi adicionada essa cláusula?

— Também tem a ver com os processos de negociação. O FC Porto sempre foi um clube diferente para mim. Aqui no Elche também se aperceberam desde cedo, penso que foi esse o motivo mais importante para isso.

— Numa entrevista há alguns meses disse que tinha o sentimento de ter saído do FC Porto «cedo demais». Esse sentimento pesou também no momento dessa negociação?

— Claro. Saí do FC Porto ainda com 21 anos. Tinha sido a minha primeira época na equipa com regularidade. Sentia que o clube estava numa situação um pouco delicada também e que eu, sendo um dos ativos mais importantes no momento, poderia ser uma grande ajuda para a nível financeiro e desportivo. A nível individual, o facto de ser ambicioso, de querer crescer, de querer ser melhor jogador, tudo isso pode ter pesado para um miúdo de 21 anos. No entanto, desde que saí do FC Porto, sempre senti que era algo que já vinha com alguma raiz e que a ligação era diferente a qualquer outro clube por onde passei, não querendo menosprezar qualquer outra ligação ou conexão que tive com outros clubes, porque sinto que todos foram respeitosos e desfrutei bastante em grande parte deles. Mas o FC Porto fez parte de uma vida para mim e continua a fazer parte.

— O que reserva o futuro?

— Ninguém sabe, nem eu sei. No futuro há muitas coisas que já estão organizadas. Mercados, Mundiais… Não está tudo no meu controlo. Neste momento estou focado no Elche, estou a desfrutar aqui ao máximo, a tentar tirar proveito do momento presente para mostrar que posso ajudar e lutar pelos objetivos do clube.

— Há já algum plano definido?

— Não, neste momento não. Neste momento não há um plano definido para o futuro. Estou focado no Elche, estou focado em seguir os objetivos do clube. A verdade é que a nível contratual há certas condições que fazem com que continue no clube mais um ano. Há outras situações a nível contratual que abrem bastante janelas para a frente.